Minas/Aljustrel: Sindicato alerta para eventuais riscos de poeiras com pó de sílica que se “espalham pela vila”

Poeiras contendo pó de sílica, prejudicial à saúde, provenientes do complexo mineiro de Aljustrel “têm-se espalhado pela vila”, levando um sindicato do sector a alertar  sobre eventuais riscos para a população, desvalorizados pela empresa concessionária.

    Na lavaria da mina de Aljustrel, durante os processos de britagem (trituração) e de stockagem (queda no parque) do minério em bruto, “levantam-se poeiras que contêm finas partículas de sílica”, conhecidas como pó de sílica, explicou à agência Lusa Luís Sequeira, do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM).
As poeiras, com pó de sílica, que “inalado é prejudicial à saúde”, “têm-se espalhado pelo complexo mineiro e por algumas zonas de Aljustrel” e “infiltram-se facilmente nas habitações”, contou o sindicalista, referindo que “o negrume característico das poeiras do minério já se nota em telhados de algumas casas” daquela vila do distrito de Beja.

    Trata-se de “um problema de saúde pública” e, sobretudo, de “um risco para a saúde de trabalhadores da mina e dos habitantes de Aljustrel que inalarem as poeiras”, alertou.

    “O problema não é tanto os trabalhadores da lavaria da mina, porque estes estão devidamente equipados com máscaras anti-pó, mas os outros trabalhadores da mina e a população de Aljustrel que não usam protecção e inalam as poeiras e, por consequência, o pó de sílica”, vincou Luís Sequeira.

    Para justificar o risco, o sindicalista explicou que a inalação de pó de sílica, além de “problemas respiratórios”, pode provocar, geralmente após 20 ou 30 anos de exposição, a doença pulmonar silicose, a mais antiga doença profissional conhecida e que afecta sobretudo mineiros, pedreiros e operários que trabalham com minerais graníticos.

    O STIM, em Abril deste ano, alertou a administração da Pirites Alentejanas (PA) para o “problema das poeiras”, lembrou Luís Sequeira, referindo que a concessionária da mina de Aljustrel “garantiu que iria instalar mangas telescópicas, para reduzir a formação e a libertação de poeiras” durante os processos de britagem e de stockagem do minério.

    “Mas, até agora, ainda nada foi feito e o problema continua”, lamentou o dirigente do STIM.

    Contactado pela Lusa, o presidente do município de Aljustrel, José Godinho, disse hoje que também a Câmara, após “algumas queixas informais” de habitantes da vila e “preocupada com eventuais riscos para a saúde”, alertou, “há cerca de um mês”, a administração da PA, que se “comprometeu a tomar medidas” para minimizar as poeiras.

    Contactado hoje pela Lusa, o administrador-delegado da PA, Guy Lauzier, reconheceu “a existência de empoeiramento proveniente da operação” da empresa, mas em níveis que “não são considerados perigos graves para a população de Aljustrel”.

    Segundo o responsável, desde o início da operação da lavaria da mina e de acordo com a lei, a PA “tem a funcionar o controlo de empoeiramento” através de três amostradores de partículas PM10 (em suspensão, inaláveis e com diâmetro igual ou inferior a 10 micrómetros), instalados “o mais perto possível das populações mais expostas aos impactes provenientes da área industrial da lavaria”.

    Através daquele controlo, garantiu Guy Lauzier, o valor limite diário de partículas PM10 “para a protecção da saúde humana”, que é de 50 microgramas por metro cúbico, “nunca foi atingido desde o início da operação da lavaria”.

    Em paralelo, acrescentou o administrador, a PA “efectua também o controlo de zinco e cobre nas poeiras, principais componentes dos minérios explorados em Aljustrel”, e os valores registados até hoje “não são significativos”.

    Além de outras medidas já tomadas para “minimizar” as poeiras, como a redução das horas de britagem do minério, Guy Lauzier garantiu que, para “aumentar as medidas de protecção”, a PA vai instalar, “a curto prazo”, uma “manga telescópica na queda do minério no parque”.

    “Após a avaliação dos resultados obtidos” com a instalação da manga telescópica, cujo projecto já está “em implementação”, a PA admite avaliar “outras alternativas de minimização”, disse o administrador.

   

    LL.

    Lusa/Tudoben

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