UNESCO quer mais mulheres na Wikipedia

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A UNESCO, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher, lançou, em colaboração com a Suécia, a iniciativa, lúdica e pedagógica “Editatona”, com o objetivo de aumentar a visibilidade das mulheres na Wikipedia, onde estão sub-representadas.

A iniciativa vem juntar-se a outras em curso, como seja “As Mulheres Fazem as Notícias”, que já conta com 19 edições, um encontro anual onde, durante um mês, de 8 de março a 8 de abril, chefes de redação, jornalistas, bloggers e o público em geral são convidados a fazer o “teste de igualdade de género” para medir o seu nível de consciencialização em termos de igualdade de género. Para esta ação, a UNESCO desenvolveu, conjuntamente com os seus parceiros, um valioso conjunto de “indicadores de igualdade de género”. 

Neste sentido, recorda a UNESCO, “apenas uma em cada seis biografias é dedicada a uma mulher. Numa tentativa de restabelecer gradualmente o equilíbrio, a sede da UNESCO irá acolher voluntários que, auxiliados pelos formadores da Wikipedia, elaborarão e publicarão biografias de mulheres cujo contributo para as áreas da cultura, educação e ciência é incontestável mas que ainda não tiveram a honra de ser destacadas por esta enciclopédia online”.

Esta iniciativa (que visa combater a violência simbólica que circula no espaço digital e mediático vem juntar-se a outros programas lançados pela UNESCO e pelos seus parceiros neste âmbito. Por exemplo, a iniciativa A UNESCO apoiou igualmente a iniciativa “YouthMobile” de capacitação dos jovens em programação de aplicações móveis para smartphones, com vista à criação de soluções de desenvolvimento sustentável especialmente dirigidas às jovens que se encontram sub-representadas neste campo tecnológico.

A UNESCO apela a todos os atores e atrizes dos media a inspirarem-se nestas iniciativas, a proporem novas e a mobilizarem-se para o respeito de uma igualdade plena no espaço mediático.

Este organismo deixa ainda uma mensagem, pela voz de Audrey Azoulay, Diretora Geral da UNESCO. “Todos os anos, a 8 de março, a comunidade internacional celebra o Dia Internacional da Mulher. É uma ocasião para dar um enfoque particular, em todo o mundo, à luta pela igualdade entre homens e mulheres, e para lançar iniciativas de sensibilização que contribuam para uma mudança de mentalidades.

A promoção da igualdade de género assume um grau de prioridade na UNESCO. Em todos os domínios do seu mandato – educação, cultura, ciência, comunicação e informação – a UNESCO está empenhada em incentivar o acesso das raparigas e mulheres a todos os setores de educação e formação, eliminando as barreiras que impedem o seu desenvolvimento pessoal e profissional, permitindo-lhes uma maior representação na vida cultural, científica e dos media. Seja através dos seus programas de alfabetização para jovens raparigas ou através do seu apoio a mulheres cientistas experientes, a UNESCO tem multiplicado as suas iniciativas para combater a discriminação da mulher e promover as suas competências e talentos.

Este ano, a Comissão da Condição da Mulher das Nações Unidas propôs destacar a participação e representação das mulheres nos media e nas tecnologias da informação e da comunicação.

Um relatório recente salienta a diminuição das desigualdades no acesso aos meios de comunicação digitais de todas as populações do mundo. Contudo, esta tendência geral esconde uma outra tendência, no mínimo preocupante: o fosso crescente entre o número de homens e o número de mulheres com presença na internet. Em 2016, existiam mais 250 milhões de homens do que mulheres online.

As mulheres não estão apenas “menos conectadas”, regra geral têm também menos formação na área das tecnologias digitais, tendo menos oportunidades de emprego no setor da alta tecnologia e, quando isso acontece, auferem um salário mais baixo do que os seus colegas do sexo masculino. Além disso, jornalistas, bloggers, escritoras, artistas e figuras públicas enfrentam, frequentemente, diferentes formas de violência na Internet e nas redes sociais, nomeadamente insultos, ameaças e assédio. Assim, para não estarem expostas a esta violência inaceitável, muitas mulheres preferem afastar-se do ciberespaço.

A UNESCO está na vanguarda da luta contra a discriminação de género, desconstruindo os estereótipos que circulam nos media. Enquanto agência dedicada à informação e à comunicação, usa o seu mandato para liderar esta luta nos media e através deles”.
CME