Delphi: Natal em Ponte de Sôr vai ser “normal”, mas os dias têm sido “complicados”
Ponte Sôr, Portalegre – O Natal de Dinis Miguel, um dos desempregados da Delphi de Ponte Sôr (Portalegre), promete ser “normal”, mas os dias que tem vivido após 25 anos de trabalho naquela unidade fabril têm sido um pouco “complicados”.
“Nós ainda não assimilámos bem este tempo disponível que temos. Não sei como é que, daqui para a frente, eu e os colegas vamos superar esta situação, pois não sabemos se vamos entrar ou não em stress”, disse o antigo operário à agência Lusa.
Dinis Miguel, que garantiu ainda que “nada vai faltar” em sua casa na noite de Natal, olha para o passado e para as negociações entre os sindicatos e a administração da fábrica com alguma mágoa e com a sensação de que poderia ter sido feito “um pouco mais” pelos operários.
“Na Delphi cada um sempre puxou para o seu lado e, na hora da decisão, os que sempre puxaram ao contrário continuaram a puxar para o lado errado. Acho que poderíamos ter conseguido uma indemnização melhor”, observou.
Com dois filhos maiores de idade, as perspectivas de vida deste homem de 55 anos, que ultimamente produzia “airbags” na Delphi, passam agora pelo “desemprego e pela reforma”.
“Com a idade que tenho, onde é que vou procurar emprego”, questionou.
“Na Ponte Sôr não há emprego para ninguém e na zona de Portalegre também não”, sublinhou.
Dinis Miguel, que abandonou há poucos dias a unidade fabril alentejana e que actualmente passa os dias em casa, com os antigos colegas e numa das suas paixões, a pesca, mostrou-se ainda preocupado com o futuro de alguns ex-trabalhadores com menos anos de casa.
“Há muita gente já descansada, mas aqueles moços com trinta e quarenta anos vão ter que sair de Ponte Sôr, vão ter que tirar os filhos das escolas, vender as casas. Quando acabar o desemprego eles não têm hipótese”, declarou.
Embora a desvinculação “oficial” da fábrica só aconteça no dia 31 deste mês, data em que está também previsto o encerramento da unidade, os 430 trabalhadores da Delphi de Ponte Sôr estão praticamente todos já em casa.
Aquando do anúncio da decisão de encerramento da fábrica, entidades sindicais e administração acordaram um valor de 2,3 salários por cada ano de trabalho, em termos de indemnização.
De acordo com uma fonte sindical, existe um conjunto de casais com vários anos de trabalho naquela unidade fabril que levam agora para casa indemnizações superiores a 50 mil euros cada.
A Delphi está sedeada em Ponte de Sôr há 29 anos e era considerada a maior do distrito de Portalegre, empregando 2,5 por cento da população do concelho.
A empresa produzia apoios, volantes e ‘airbags’ para vários modelos de veículos automóveis.
HYT.
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