Beja: Pintura mural do tecto de igreja histórica e “jóia” do barroco alentejano está a cair

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beja6Beja, 22 Jan (Lusa) – A pintura mural de uma sala da Igreja de Nossa Senhora ao Pé da Cruz, em Beja, está a cair, disse hoje fonte da diocese, alertando para o “risco” de se perder uma “jóia” do barroco alentejano.

“Estão a cair fragmentos da pintura mural do tecto da Sala do Consistório” da igreja e que “era o sítio onde se reunia a Real Irmandade de ao Pé da Cruz”, disse à agência Lusa o director do Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja, José António Falcão.

Até agora, precisou, “já caiu uma área com quase 30 centímetros quadrados” de uma parte com figuras humanas e elementos decorativos que “é extremamente sensível no conjunto da pintura mural”.

“De uma notabilíssima qualidade plástica”, a pintura, que “representa o tema fundamental da igreja”, descreveu, inclui “um grande medalhão ao centro, onde figura Nossa Senhora da Piedade ao pé da cruz que tem, aos seus pés, o corpo sem vida do filho, Jesus Cristo, e, nas imediações, Santa Maria Madalena, em atitude de lamentação”.

Nas áreas laterais, continuou, estão duas composições “muito interessantes”, num lado Cristo com a Samaritana e no outro a ressurreição de Lázaro.

Segundo José António Falcão, a Igreja de Nossa Senhora ao Pé da Cruz “tem muitos problemas ao nível da cobertura”, como “infiltrações de água quando chove”.

“Foi feita uma intervenção há mais de 20 anos, mas a cobertura não ficou em condições e continua a infiltrar água”, lamentou.

Devido às chuvas das últimas semanas, explicou, “a água foi penetrando e impregnado a argamassa” do tecto da Sala do Consistório da igreja e sob a qual está a pintura.

“A argamassa ficou de tal maneira pesada que a sua capacidade adesiva já não é suficiente para a fixar ao tecto e estão a cair grandes fragmentos da pintura”, disse.

“Está em risco uma das principais jóias do barroco do Alentejo”, alertou, frisando que “é absolutamente urgente recuperar a igreja” para “salvaguardar” a pintura mural, do início do século XVIII, e o próprio templo, dos finais do século XVII.

“Se não actuarmos nas próximas semanas, a argamassa, quando voltar a chover, vai empapar outra vez e continuar a soltar-se em lâminas e películas cada vez mais extensas”, avisou.

José António Falcão defendeu que “é preciso avançar o mais rápido possível” com a obra para recuperar a igreja, incluída num projecto da Associação Portas do Território (APT), criada pela Diocese e pela Câmara de Beja.

Orçado em 1,5 milhões de euros, o projecto, que prevê também recuperar outras três igrejas, integra o Programa de Regeneração Urbanística do Centro Histórico de Beja e foi aprovado para ser financiado em 70 por cento pelo Programa Operacional Regional do Alentejo.

A APT está “em condições de lançar o concurso para a obra há muitos meses” mas “aguarda ‘luz verde’ da Câmara de Beja para poder avançar”, nomeadamente verba do município para assegurar os restantes 30 por cento da comparticipação nacional, explicou José António Falcão.

LL.

Lusa/Tudoben

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