PSP: Dia Mundial do Combate ao Bullying
Assinala-se hoje, 20 de outubro, o Dia Mundial do Combate ao Bullying.
A Polícia de Segurança Pública (PSP), por ocasião desta data, iniciou no dia 10 de outubro, na sua área de responsabilidade em Portugal continental e na totalidade das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, a operação “Bullying é para fracos”.
Esta operação decorre até dia 21 de outubro e abrange os estabelecimentos de ensino do 1.º ao 3.º ciclos e ensino secundário, abarcando crianças e jovens dos 6 aos 17/18 anos de idade.
O Dia Mundial do Combate ao Bullying constitui-se como um alerta internacional para o problema do bullying com o qual muitos jovens convivem diariamente e que é suscetível de interferir, de forma negativa e com grande impacto também a longo prazo, no seu crescimento, físico, emocional e psicológico. Ao contribuir de forma significativa para a erosão do sentimento de segurança, especialmente entre a comunidade escolar, este fenómeno merece especial atenção por parte da PSP, razão pela qual constitui uma das nossas prioridades no âmbito da prevenção criminal.
Esta operação tem por objetivos:
i. Aumentar o conhecimento sobre este fenómeno, capacitando a deteção precoce;
ii. Fazer crescer o sentimento de intolerância e de rejeição para com as práticas de bullying;
iii. Incrementar a confiança nas capacidades da PSP e dos demais parceiros neste contexto para intervir e lidar eficazmente com o problema;
iv. Alavancar a atenção dos pais, educadores e outras testemunhas, aumentando a confiança na denúncia aos Polícias da Escola Segura como forma de desencadear a resolução desta problemática.
No âmbito do Programa Escola Segura, desde o ano letivo de 2013/2014 até 2021/2022, a PSP realizou cerca de 27 000 ações de sensibilização grupais subordinadas à temática bullying e ciberbullying, abrangendo mais de 580 000 alunos:
AÇÕES GRUPAIS DE SENSIBILIZAÇÃO – Bullying/Cyberbullying
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ANO LETIVO |
TOTAL AÇÕES |
TOTAL ALUNOS |
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2013/2014 |
1 500 |
37 500 |
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2014/2015 |
1 322 |
33 050 |
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2015/2016 |
2 601 |
65 025 |
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2016/2017 |
3 171 |
79 275 |
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2017/2018 |
2 828 |
70 700 |
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2018/2019 |
2 851 |
67 663 |
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2019/2020 |
3 309 |
72 423 |
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2020/2021 |
3 100 |
48 781 |
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Total: |
20 682 |
474 417 |
Destacamos o ano letivo 2021/2022, durante o qual a PSP concretizou uma forte aposta na abordagem desta temática, com 6.250 ações de sensibilização realizadas sobre bullying/ciberbullying, alcançando mais de 106.200 alunos, complementadas com 659 contactos individuais.
Entre os anos letivos de 2013/2014 e 2021/2022, a PSP registou as seguintes ocorrências criminais, em contexto escolar:
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2013/2014 |
2014/2015 |
2015/2016 |
2016/2017 |
2017/2018 |
2018/2019 |
2019/2020 |
2020/2021 |
2021/2022 |
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Ocorrências criminais |
Agressões |
1 352 |
1 350 |
1 350 |
1 300 |
1 285 |
1 151 |
901 |
751 |
1 169 |
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Injúrias/ameaças |
557 |
565 |
665 |
603 |
613 |
721 |
589 |
544 |
752 |
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Total de todas as formas de ocorrências |
3 888 |
3 930 |
4 102 |
3 720 |
3 406 |
3 079 |
2 093 |
2 064 |
2 847 |
Relativamente à caracterização das vítimas e suspeitos/agressores, referenciados no contexto dos 2 847 crimes reportados pelos Polícias no âmbito do Programa Escola Segura no ano letivo 2021/2022, podemos referir:
I. Vítimas:
a. Nº total = 2.183 das quais 1.192 do género masculino e 1.000 do género feminino.
b. A faixa etária com maior preponderância de vítimas é a dos 12 aos 15 anos com 946 vítimas representando 43,3% do total. Destas vítimas 582 são do género masculino (61,5%) e 364 do género feminino (38,5%).
II. Suspeitos/Agressores:
a. Nº total = 2.525 dos quais 1.848 do género masculino e 679 do género feminino.
b. A faixa etária com maior preponderância de suspeitos/agressores é a dos 12 aos 15 anos com 1.144 suspeitos/agressores representando 45,3% do total. Destes suspeitos/agressores 869 são do género masculino (76%) e 275 do género feminino (24%).
Estes dados revelam o aumento do número total de ocorrências, pós período de atividades não presenciais causado pela COVID-19. Ainda assim, houve um decréscimo no número de ocorrências registadas em contexto escolar relativamente ao ano letivo de 2018/2019, último antes da pandemia.
Acreditamos que a forte aposta concretizada nas ações de informação e sensibilização e contactos individuais, a qual que se irá manter no presente ano letivo, contribuirá juntamente com outras condições para contrariar esta inversão da tendência de decréscimo que se verificava de forma consistente desde o ano letivo 2013/2014.
As ocorrências por agressões, injúrias e ameaças estão alinhadas com os totais registados nos anos anteriores à COVID-19, mantendo-se a tendência para um aumento das ocorrências que implicam injúrias e ameaças e o decréscimo das agressões, indiciando uma denúncia precoce do conflito.
Neste contexto, a PSP emite alguns conselhos à população em geral, consoante o seu papel de intervenção numa dada situação de bullying:
Indícios a detetar em vítimas de bullying:
Físicos: Cortes, hematomas, dores de cabeça/barriga (ansiedade);
Comportamentais: Isolamento, desinteresse pelos amigos/escola;
Alteração repentina de hábitos, mudança de trajetos, bens desaparecidos ou danificados, agressividade (com familiares ou animais), depressão.
Se fores vítima de bullying:
– Não penses que é um problema só teu, não o tens que o resolver sozinho;
– Não respondas à violência com mais violência, só vai piorar;
– Denuncia logo a situação a pessoa de confiança (amigo, família, Escola ou Polícia), confia na Escola Segura.
Perante a criança agressora:
– Escute o agressor sem juízos prévios e perceba as razões e a avaliação que ele faz dos seus próprios comportamentos;
– Perceba que a criança agressora precisa de ajuda. Esta é a melhor forma de proteger a vítima;
– Procure uma intervenção especializada para a gestão deste comportamento, preferencialmente em coordenação com o gabinete de psicologia do agrupamento escolar.
Perante a criança vítima:
– Escutar a criança sem desvalorizar o assunto;
– Manter a calma sem provocar revolta, receio ou culpa na criança;
– Falar com a escola/professor(es) e PSP/Escola Segura para saber se têm conhecimento e adotarem estratégias conjuntas;
– Reforçar a autoestima e autoconfiança da criança.
O que não devo fazer?
– Evite reagir com agressividade;
– Pedir explicações aos agressores/bullies;
– Culpabilizar os restantes alunos ou o pessoal docente.
A PSP relembra que os Polícias afetos ao policiamento de proximidade da Escola Segura se encontram sempre presentes e disponíveis para receberem denúncias, aconselharem e apoiarem inicialmente as vítimas e as respetivas famílias.
Apelamos ainda a qualquer pessoa que tenha conhecimento desta prática, ainda que não seja interveniente na situação, denuncie toda e qualquer ocorrência deste tipo à PSP, não permitindo que o comportamento do bullie continue e se alastre.
Estas denúncias podem ser efetuadas, além de forma presencial numa Esquadra da PSP, através do e-mail dedicado escolasegura@psp.pt
