Alentejo testa o futuro do hidrogénio renovável
Produção em Sines, utilização em edifícios de Évora, mobilidade no Alandroal e uma comunidade energética na Ilha de Culatra são algumas das aplicações concretas
previstas pelo projeto H2tALENT, coordenado pela Universidade de Évora.
Mais do que produzir hidrogénio renovável, o projeto H2tALENT pretende demonstrar, em condições reais, como este combustível pode ser integrado em diferentes setores.
Para isso, o projeto está ligado a vários locais de implementação que funcionarão como “laboratórios vivos” para demonstração, experimentação e formação.
No Alandroal, o projeto prevê apoiar a conversão de frotas municipais e de serviços públicos para sistemas movidos a hidrogénio. A mobilidade será assim uma das áreas
em que a tecnologia será testada diretamente no território, incluindo a utilização de veículos movidos a hidrogénio.
Em Évora, o foco estará na utilização do hidrogénio no sistema de aquecimento edifícios. Entre as demonstrações previstas encontra-se a utilização de um misturador
de hidrogénio e gás natural na piscina municipal, permitindo testar uma aplicação concreta do hidrogénio renovável no setor dos edifícios.
Já na Ilha de Culatra, o projeto terá uma vertente diferente, centrada no desenvolvimento de uma comunidade de energia renovável, com armazenamento de
energia eléctrica na forma de hidrogénio e a sua integração com redes inteligentes.
Desta forma, o sistema funcionará como uma “bateria de hidrogénio”, produzindo hidrogénio renovável com o excesso de energia eléctrica na altura de maior produção
2 solar, armazenando esse hidrogénio para produzir novamente energia eléctrica na
altura de maior demanda e menor produção solar.
Estas aplicações complementam a componente de produção prevista para Sines, onde está projetada uma unidade de produção de hidrogénio renovável de 15 megawatts. O
hidrogénio renovável produzido poderá ser posteriormente injectado na rede de gás natural e/ou transportado para diferentes locais de utilização, permitindo testar uma
cadeia que vai da produção ao transporte, armazenamento e consumo.
“Pretendemos ir desde a produção de hidrogénio renovável até ao transporte e à utilização, cobrindo toda a cadeia de valor”, explica Hugo Gonçalves Silva, professor
do Departamento de Física da Universidade de Évora e coordenador do H2tALENT.
No conjunto, o projeto prevê a produção de mais de 500 toneladas de hidrogénio renovável por ano, destinadas a diferentes aplicações na indústria, mobilidade e
edifícios.
Iniciado em 2024 e com duração prevista até 2030, o H2tALENT pretende criar um Vale do Hidrogénio no Alentejo, aproveitando infraestruturas existentes e novos
investimentos para desenvolver e testar soluções ao longo de toda a cadeia de valor.
A dimensão internacional é outra das componentes do projeto. O consórcio reúne 29 parceiros de sete países, incluindo universidades, empresas, municípios, centros
tecnológicos e entidades públicas, procurando transformar os resultados obtidos nos locais de demonstração em soluções que possam ser replicadas noutras regiões.
Através destes “laboratórios vivos”, o H2tALENT pretende, assim, passar da investigação e do planeamento para a demonstração de aplicações concretas,
3 avaliando no terreno como o hidrogénio renovável pode ser integrado nos transportes,
nos edifícios e nos sistemas energéticos locais.

