Universidade de Portalegre estuda regeneração de solos face a acidentes meteorológicos
Um projeto que visa a redução da mobilização dos solos, utilizando sementeira direta e a introdução de fertilizantes orgânicos e culturas de cobertura, está a ser desenvolvido pela Universidade Politécnica de Portalegre (UPP), divulgou a instituição.
Estes fatores que norteiam o projeto, intitulado “CoverPlus”, são “muito importantes” para garantir a redução da erosão dos solos, devido aos fenómenos meteorológicos que a região tem atravessado nos últimos anos, disse hoje à agência Lusa o coordenador da iniciativa, Luís Alcino da Conceição.
O responsável recordou que a região tem passado por “alguns acidentes meteorológicos”, com períodos de muito calor no verão ou, “grande precipitação num curto espaço de tempo” no inverno, o que “obriga a encontrar soluções” de fertilização da sementeira direta, monitorização da cultura e controlo de plantas infestantes.
“Vamos garantir que há a introdução de uma cultura intermédia [num período de dois anos agrícolas] para que haja cobertura do solo, a juntar ao restolho que fica da cultura principal”, indicou, acrescentando que é preciso “a conciliação disto com matérias fertilizantes de natureza orgânica”.
Nesta fase do projeto, que se estende até agosto de 2028, está a ser efetuada a seleção da utilização de espécies e variedades que são comuns na região no que toca a culturas forrageiras, em termos de produção de plantas gramíneas.
Aveia, triticale, milho-painço, erva-do-Sudão e sorgo são algumas das variedades que vão ser utilizadas na rotação de solos, neste projeto centrado no regime de agricultura de sequeiro.
“A rotação [de solos] vai ser feita, exatamente, na introdução de plantas gramíneas que também sejam possíveis de ser pastoreadas, eventualmente no período primavera/verão”, disse.
A investigação, que surge na sequência de outras desenvolvidas há vários anos pela UPP, vai decorrer na Herdade da Comenda, em Elvas, com o apoio do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV).
“Este projeto envolve cerca de seis hectares” em diferentes talhões, nos quais vai ser, depois, comparados resultados com o talhão piloto tradicional que a UPP já possui “desde 2017”, disse.
A utilização de ‘drones’ em parte do maneio de fertilização de cobertura é outro dos objetivos da investigação.
Em comunicado a propósito deste estudo, a UPP sublinhou que a componente tecnológica assume “um papel central”, estando previsto o desenvolvimento de um modelo em três dimensões (3D) de previsibilidade da produção.
“O ‘CoverPlus’ inclui ainda um programa de capacitação digital dirigido aos agricultores, combinando formação prática, tecnologias acessíveis e acompanhamento técnico, com o objetivo de facilitar a adoção de novas ferramentas e contribuir para a modernização do setor”, acrescentou a academia.
Financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), o projeto envolve um investimento elegível de 49.025,70 euros, comparticipado a 85%.
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