Estudo IBM revela nova preocupação em termos energéticos: consumidores desconhecem conceitos base

Views: 2477

Informação sobre poupança energética não está a chegar de forma correta aos consumidores.
Economia Comportamental é um fator chave para reconhecer os benefícios da gestão inteligente da energia

A IBM  anunciou ontem os resultados do inquérito “2011 IBM Global Utility Consumer Survey”, um estudo à escala global que revela dados preocupantes: muitos dos consumidores em todo o mundo desconhecem o custo por unidade de energia eléctrica assim como outros conceitos básicos. O estudo identificou também uma lista de padrões comportamentais que estão a influenciar a maneira como os fornecedores de energia comunicam com os consumidores.

A IBM entrevistou mais de 10.000 pessoas em 15 países para investigar os direitos e necessidades a nível global dos consumidores de energia. Os resultados expõem uma grande lacuna entre o que os consumidores actualmente sabem e o que eles deviam saber para reduzir o consumo e tirar partido dos benefícios da gestão inteligente de energia. Por exemplo, mais de 30% dos entrevistados nunca ouviu falar da expressão ‘Euros/kWh’ e mais de 60% não tem conhecimento do que são ‘smart grids’ (redes eléctricas inteligentes) ou ‘smart meters’ (sistemas de mediação do consumo energético).

O trabalho revelou também que a procura de informação sobre estes conceitos por parte dos cidadãos está estreitamente ligada à sua disposição em aceitarem a mudança e em aprovarem iniciativas locais sobre gestão energética. 61% das pessoas com grandes conhecimentos em tecnologia vêem os planos de implantação de smart grids e smart meters como medidas positivas, em comparação com apenas 43% das pessoas com conhecimentos mínimos na mesma área.

“Tem havido grandes avanços com as novas tecnologias de poupança energética, os novos programas e incentivos, mas está a assistir-se a alguma confusão entre os consumidores, mais do que seria esperado”, afirma Michael Valocchi, Vice-Presidente e Director da Global Energy & Utilities Industry, da IBM Global Business Services. “O estudo deste ano aponta para a necessidade de voltar atrás, ao básico, e educar os consumidores com termos que eles entendam, ganchos comportamentais e canais de informação que estão habituados a usar. As pessoas querem economizar energia; só precisamos começar a mostrar-lhes como”.

Mudar as percepções e as influências dos consumidores
As percepções, expectativas e influências dos consumidores têm mudado ao longo dos últimos  quatro anos. Apesar dos esforços das entidades públicas e outros serviços na indústria energética na criação de ferramentas de conservação e gestão favoráveis ao consumidor, muitos ainda não têm as informações ou os incentivos adequados para fazer melhores escolhas no consumo de energia.

Algumas das principais conclusões do inquérito ao Consumo da IBM de 2011 ganham relevância adicional quando combinadas com os esforços da IBM neste campo. No ano passado, especialistas da IBM, juntamente com investigadores académicos na área do consumo, identificaram vários fatores-chave relacionados com o gasto de eletricidade. Ao examinar a utilização da energia através da óptica da Economia Comportamental, as entidades públicas conseguem ter uma visão mais detalhada sobre os pensamentos dos consumidores, motivações, equívocos e receios à mudança. Estes fatores comportamentais incluem:

Motivação alternativa: Os incentivos financeiros deixaram de ser fator preponderante para encorajar os consumidores a diminuir o consumo de energia. O estudo revela que os consumidores mais jovens começam a procurar soluções mais amigas do ambiente, enquanto que as pessoas com mais de 55 anos identificam a ‘saúde’ da economia nacional como um incentivo importante na mudança comportamental. Assim sendo, o primeiro passo para activar essa mudança é reconhecer que, quando tomam decisões sobre o uso de energia, os consumidores não pensam apenas no factor monetário, mas cada vez mais no conforto, sustentabilidade e confiança nas perspectivas económicas do país.

Disponibilidade da informação: A maneira como as escolhas energéticas são enquadradas e apresentadas pode fazer toda a diferença. Por exemplo, oferecer demasiadas opções pode ser prejudicial. Embora, em teoria, quantas mais opções melhor, a complexidade daí resultante pode desmotivar os consumidores. Esta conclusão vai de encontro aos resultados da investigação da IBM, que mostram que os consumidores com menos de 25 anos têm mais tendência a seguir o exemplo dos outros, do que a tomarem as suas próprias opções: confiam duas vezes mais nas suas redes pessoais como principal fonte de informação do que os consumidores com 55 anos ou mais. Ao apresentar a informação adequada num número razoável de opções, as entidades públicas podem ajudar o consumidor a fazer escolhas independentes e convenientes sobre o seu consumo de energia.

Persuasão social: Outra abordagem possível para a reduzir o consumo energético é apelar à nossa natureza social. Muitas pessoas querem ‘ver para crer’, analisar o comportamento do outro para determinar a melhor maneira de agir. Este gancho social motivou a introdução de novos programas, como portais online onde é possível comparar o consumo com o do vizinho. Para os fornecedores de energia, como a Enemalta Corporation e a Water Services Corporation, de Malta, o portal tem sido fundamental na redução do consumo global de energia. Esta abordagem demonstra que as comparações sociais são mais uma alavanca poderosa de persuasão.

Ao compreender a psicologia humana no que diz respeito às escolhas e tomadas de decisão, a indústria pode identificar as barreiras que impedem a mudança, e, consequentemente, descobrir novas oportunidades para inovar, adoptar novos métodos de comunicação e introduzir programas que comunguem com as necessidades do consumidor.

Sobre o Estudo
Esta área de estudo segue a linha de investigação da IBM sobre o consumo, na sequência dos estudos de 2007 “Plugging in the consumer: Utility business models for the future” e 2009 “Lighting the way: Understanding the smart energy consumer”. Estes relatórios têm como foco o consumidor e a sua relação com os fornecedores de energia.

IBM e Smart Grid
A IBM está presente em mais de 150 projectos em smart grids em todo o mundo,tanto nos mercados maduros como emergentes. Para mais informações consulte o site http://www.ibm.com/smarterplanet/us/en/smart_grid/ideas/

Comments: 0