De volta aos séculos XIII e XIV: A Feira Medieval de Avis vai começar
D. João I, pela graça de Deus Rei de Portugal, manda que se faça dentro dos limites cercados da Vila de Avis, uma vez por ano, uma feira e manda que essa feira dure três dias e dá garantias a todos que vierem a essa feira por motivo vender ou comprar que desde o dia do principiar da dita e até três dias compridos, feirantes e povo não pagam portagem.
Nos dias 10, 11 e 12 de Maio, a Avis quatrocentista, movimentada, ruidosa, fervilhando de gentes, de animais e mercadorias, oferece-se perante os olhos de residentes e visitantes em mais uma, a décima primeira, Feira Medieval que decorrerá em pleno Centro Histórico.
Aqui, os artesãos irão circular nas ruas entre Muralhas transportando os mais variados produtos para abastecer todo o espaço do mercado em locais improvisados de venda. E é também aqui, no Largo do Convento, que o bulício dos feirantes e almocreves, saltimbancos e histriões, malabaristas, bailarinas, jograis, músicos e atores, lutadores, nobres e mendigos, taberneiros, faquires, encantadores de serpentes, hereges e malfeitores, irá recriar o ambiente da Feira de tempos de outrora reproduzindo ao pormenor mais ínfimo trajes e maneiras de tendeiros e demais feirantes, num local transformado em cidadela da Idade Média, engalanada a preceito com escudos heráldicos, toldos e bandeiras.
Entre muita animação de rua, jogos medievais e provas de destreza, desgarradas e bailias de permeio, folguedos e poesia trovadoresca, danças populares ao som do pandeiro e do alaúde, cortejo e torneios de armas a cavalo, oficina de falcoaria para aprendizes, comes e bebes nas tabernas e locandas, malabares de fogo com “bruxarias e belzebus”, acepipes e outras iguarias de sabor tradicional, a diversão será assegurada pela organização conjunta do Município de Avis e da Viv’Arte – Companhia de Teatro, em colaboração com a Turismo do Alentejo – ERT, Associações, Coletividades e Produtores do Concelho, que convidam a numerosa assistência, assim esperada, a juntar-se à festa e a apreciar as atividades de comércio patentes nas diversas tendas e “barracas” de roupa, comida, objetos de arte e artífices, dispostas na Praça, e a ver in loco a atribuição da Bula “Religiosam vitam” ao mestre e freires da milícia de Évora pelo papa Inocêncio III, e da Bula “Quotiens a nobis” aos freires da Ordem de Calatrava, ou o anúncio das concessão da Bula “Cum preter pauperem” pelo papa Honório III, aquando da passagem dos romeiros e peregrinos de Santiago por terras de Avis, a leitura da Carta de Privilégios concedida por El-Rei aos moradores da comunidade judaica, ou o anúncio do Esposamento Sefardita e assinatura do contrato entre os familiares da Rebeca da casa de Isaque de Cohen e Levi da casa de Jacob Zaboga, em Avis, bem como a participar no Cortejo e anúncio da Bula “Ad audientia” do papa Clemente VI, dirigida ao Bispo de Badajoz, e em outras cerimónias que ocorrem setecentos anos passados sobre a Época Medieval e que pretendem familiarizar as pessoas com a memória de um imaginário coletivo, tentando recriar o enquadramento natural da época onde o passado se funde com o presente, naturalmente para projetar o futuro do Município de Avis.
