Ambiente em 2012 no Distrito de Portalegre O Melhor e o Pior
Nota de Imprensa:

O Núcleo Regional de Portalegre da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, apresenta aqui alguns factos, que na sua opinião, marcaram positiva e negativamente o ano de 2012.
No plano nacional e internacional, o ano de 2012 continuou a trazer por vários motivos, o Ambiente à ordem do dia. Nesse sentido, e como tem vindo a ser habitual, a Direcção Nacional da Quercus emitiu um comunicado oficial sobre o ano que agora termina.
Ao nível do distrito de Portalegre em 2012, e de acordo com o trabalho desenvolvido, destacamos os seguintes factos:
O PIOR DE 2012
Encerramento do ramal de Cáceres
O Governo Português encerrou o Ramal de Cáceres a 15 de Agosto, desviando o comboio Lusitânia para a Linha da Beira Alta. Já depois do encerramento da Linha do Leste, que assegurava o transporte das cidades e vilas do Distrito de Portalegre, tanto a Badajoz como ao Entroncamento, agrava-se a injustiça, a incoerência e a insustentabilidade, bem como a coesão territorial e social, e o aumento do isolamento do distrito de Portalegre. O caminho-de-ferro poderia ser um modo mais ecológico e mais económico de transporte, servindo assim melhor o país e a Península Ibérica.
Iberdrola deixa Portugal com sobras no rio Tejo
O caudal do rio Tejo esteve anormalmente baixo, o que pode estar associado à falta de cumprimento dos caudais mínimos da Convenção de Albufeira (Comissão para a Aplicação e o Desenvolvimento da Convenção sobre a Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas), por parte do Governo Espanhol e à falta de interesse e empenho do Governo Português. A falta de água no Tejo está a ser induzida artificialmente em Portugal devido ao volume de água que a empresa Iberdrola armazena no outro lado da fronteira, e que faz com que a parte portuguesa do rio esteja seca. Quer a Barragem de Alcântra, quer a de Cedillo, junto da fronteira, são exploradas pela Iberdrola. A solução passa por aumentar o volume total de água a libertar anualmente para Portugal e assegurar que os volumes das descargas sejam mais homogéneos, regulares e em maior quantidade.
Vedações no Parque Natural da Serra de São Mamede
Ao longo do ano de 2012 não se executaram medidas algumas que minorem o grave problema que alastra na zona Norte do Parque Natural da Serra de São Mamede e que se prende com a implantação de vedações de grandes dimensões e em grandes extensões, que tem vindo a ocorrer dentro desta Área Protegida. Os impactos paisagísticos, ecológicos e culturais que podem ameaçar o Parque Natural da Serra de S. Mamede são demasiado grandes para serem ignorados e é necessário que as entidades competentes abandonem a inércia e a inacção, tomando medidas urgentes para resolver este problema.
Uso ilegal de venenos e produtos tóxicos
Esta prática ilegal, mas ainda em uso em determinadas zonas, continua a provocar graves danos nos ecossistemas. O uso de iscos envenenados e a falta de controlo sobre a venda e a utilização de muitas substâncias tóxicas comercializadas legalmente no mercado, são duas situações com sérias repercussões na fauna, em particular nas espécies silvestres, muitas delas seriamente ameaçadas por este problema. Além da ameaça existente para toda a biodiversidade, devido à entrada dos venenos nas cadeias alimentares, o problema também pode ser considerado grave ao nível da saúde pública.
Conselho Estratégico do Parque Natural da Serra de São Mamede não reuniu em 2012
O Conselho Estratégico do Parque Natural da Serra de São Mamede, não reúne desde Abril de 2011. Tendo em conta que é um Órgão que deve acompanhar as questões relativas à gestão daquela Área Protegida é preocupante não ter voltado a haver nenhuma reunião desde então. Numa fase em que está aberto o processo conducente à revisão do Plano de Ordenamento do PNSSM é essencial o Conselho Estratégico possa acompanhar essa revisão em todo o seu percurso, bem como tenha capacidade de intervenção em todas as questões que coloquem em risco os objectivos para que foi criado o Parque Natural.
O MELHOR DE 2012
Nuclear-Free Future Award para Município de Nisa e Movimento Urânio em Nisa Não
O Movimento Urânio em Nisa, Não! (MUNN) e Gabriela Tsukamoto, Presidente do Município de Nisa, foram distinguidos com o “Nuclear-Free Future Award” de 2012. Trata-se de um prémio internacional atribuído a activistas, personalidades ou instituições que se tenham distinguido na luta por um mundo sem o desenvolvimento da energia nuclear, em qualquer das suas componentes, e que em alternativa se tenham empenhado pela cidadania e sustentabilidade. O prémio “Nuclear-Free Future” é atribuído por um júri internacional e reconhece o empenho cívico do MUNN na oposição ao desenvolvimento da mineração de urânio em Nisa e também da Presidente de Câmara, na sustentabilidade do concelho e na criação de condições que impossibilitem o desastre social e ambiental que seria o desenvolvimento desta atividade industrial no concelho de Nisa.
Portalegre cria rede de corredores ecológicos na Serra de São Mamede
O Município de Portalegre lançou a iniciativa dos corredores ecológicos, no âmbito do Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos (PROVERE). O objectivo é preservar e qualificar de forma sustentável os recursos endógenos da paisagem protegida e manter o equilíbrio dinâmico de todos os ecossistemas deste território único, com grande valor natural e cultural. Os visitantes usufruirão a partir de Setembro de 2013 de sinalética, de um observatório de aves e de um centro de apoio ao turismo de natureza.
Alentejanos campeões da reciclagem
É no Alentejo que se observa o maior índice de adesão à separação de resíduos e onde a maioria dos agregados familiares (77%) já adere a esta forma indispensável de valorização de resíduos. No contexto da família e dos separadores totais, é a mulher que lança a ideia de iniciar a separação de lixo ou embalagens usadas (em 54% dos lares).
Avis ganha bandeira verde
O Município de Avis voltou a ganhar, pela quarta vez consecutiva, a bandeira verde atribuída pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), desta vez obtida com uma pontuação superior à anteriormente conseguida. A obtenção do Estatuto de “Município ECO XXI” por parte do Município de Avis foi condicionada à avaliação do seu desempenho, através de um conjunto de vinte e um indicadores de sustentabilidade, constituindo um ponto de partida para o fortalecimento de ações continuadas que visam a elevação da sua qualidade ambiental e educacional.
