Artes: Badajoz mostra relações literárias e artísticas entre modernistas portugueses e espanhóis

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badajozBadajoz, Espanha, 08 mar (Lusa) – As relações literárias e artísticas entre os modernistas portugueses e espanhóis, de 1890 a 1936, são o tema de uma exposição que reúne 400 peças de arte, a inaugurar na quinta feira, em Badajoz (Espanha).

A mostra vai estar patente no Museo Extremeño e Ibero-americano de Arte Contemporânea (MEIAC) até 16 de maio, rumando depois para Lisboa e outras cidades da Península Ibérica, revelou hoje a Junta da Extremadura.

“Suroeste – Relações literárias e artísticas entre Portugal e Espanha” reúne 400 obras de arte, oferecendo um panorama geral e multidisciplinar da história da Modernidade nos dois países.

Organizada pela Sociedad Estatal de Conmemoraciones Culturales e pela Junta da Extremadura, a iniciativa apresenta ainda obras inéditas de autores modernistas de ambas as nacionalidades.

A mostra, dividida em três secções, em ordem cronológica e com obras dos autores mais importantes de cada período, reúne trabalhos desde 1890, data que marca a chegada a Portugal do Simbolismo literário, a 1936, início da Guerra Civil espanhola.

Segundo a organização, a vida cultural da Península Ibérica vive, nessa altura, “um período de intensa relação entre escritores e artistas plásticos” dos dois países.

A primeira secção, designada “O tempo do Simbolismo e do Modernismo (1890-1914), coloca em relevo autores como Eugénio de Castro, Miguel de Unamuno e Teixeira de Pascoaes.

Já Fernando Pessoa, Ramón Gómez de la Serna e José de Almada Negreiros são os protagonistas da segunda secção, denominada “As vozes e os ecos da Vanguarda (1915-1926)”.

Quanto à última secção, aborda o tema “A segunda geração vanguardista e o desastre da Guerra Civil espanhola (1927-1936)”.

António Sáez Delgado, Juan Manuel Bonet, Sara Afonso Ferreira, Luis Manuel Gaspar e António Franco Domínguez, especialistas em Modernismo e estudiosos das relações ibéricas no âmbito desta corrente literária e artística, são os comissários da exposição.

“Suroeste” é acompanhada por um extenso catálogo, repartido por dois volumes, com mil páginas e trinta textos, em que participam personalidades como Eduardo Lourenço, Elena Rosada, Gabriel Magalhães, Ángel Marcos de Dios, José Luís Porfírio ou Hipólito de la Torres.

O período cronológico escolhido, acrescenta a organização, é “um tempo de modernidade literária” em que “os criadores procuravam, afincadamente, perseguir o fantasma de ‘O Novo’ em todas as suas criações, semeando as bases da arte de vanguarda”.

“Em torno de simbolistas, modernistas e vanguardistas, cria-se uma rede de relações praticamente desconhecidas, ainda hoje, em muitos dos seus aspetos, e que converte a Península Ibérica num tabuleiro de jogo cosmopolita e plenamente moderno”, assegura ainda a Junta da Extremadura.

O MEIAC, instalado no edifício da antiga prisão preventiva e correcional de Badajoz e aberto desde 1995, possui a maior coleção de artistas portugueses fora de Portugal, além do seu espólio integrar também obras de autores espanhóis e latino-americanos.

RRL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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