Conferência Internacional “Olivoturismo: um novo produto turístico para o Alentejo”

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Foto arquivo

Conclusões:

Os conferencistas foram confrontados com números muito impressivos relativamente à importância económica que o Azeite tem actualmente no país e no Alentejo.

Com efeito, a produção nacional de Azeite traduz 2,5% do total da produção mundial, enquanto o Alentejo contribui com mais de 60% para a primeira, o que é notável. A região impõe-se não só pela quantidade, mas também pela qualidade do produto, já que 70% do total do azeite de qualidade superior produzido no nosso país provém do Alentejo.

A mudança que se assistiu na Região foi enorme e muito rápida – na paisagem rural, na economia local – com o setor a desenvolver-se e a firmar-se internacionalmente em sete, oito anos, assumindo-se o Alentejo nessa dinâmica como região de ponta. O Azeite tem funcionado igualmente como um fator de reforço da Identidade da Região, contribuindo para a agregação de outros produtos e dos “saberes-fazer dos locais” e dos territórios rurais.

A Conferencia debateu igualmente o papel do Azeite como um centro dinamizador de actividades.

Enquanto produto, o potencial do Azeite é enorme, nomeadamente pela função catalisadora que poderá ter noutras actividades que dele podem beneficiar. Deste ponto de vista é possível estruturar-se a partir do Azeite um cluster, atuando em toda a cadeia de valor do produto e explorando o seu potencial de diversificação e de aplicação a outras actividades – como por exemplo à cosmética, à saúde e bem-estar, à gastronomia, à restauração, ou à pastelaria. Se formos a montante à azeitona, esse potencial ainda se torna mais forte.

A Conferência constatou ainda que a inexistência de uma marca Azeites do Alentejo constitui um fator limitativo à afirmação do produto e do setor.

Com efeito, ainda não se consegui rentabilizar em termos de marketing o reconhecimento e a forte associação ao território do produto Azeite. Falta uma visão e um projecto comum que possa alinhar vontades e estratégias, dos produtores, dos municípios e dos próprios agentes turísticos, públicos e privados.

A Conferência inteirou-se ainda do esforço de parte dos municípios da região, que têm assumido um papel importante na formação de oferta ligada ao Olivoturismo: adquirindo e recuperando lagares, fazendo a sua musealização, criando actividades e espaços de promoção/educação sobre o Azeite. É também importante o papel que os municípios têm desempenhado na organização e promoção de eventos de referência que têm por base este produto.

A Conferência realçou também a grande importância do canal da restauração e da gastronomia para a distribuição e venda do Azeite.

É importante não somente posicionar cada vez mais o Azeite como elemento crescente na confeção dos pratos, mas também torna-lo mais visível na experiência global da refeição do cliente/turista. O Azeite pode dar valor acrescentado ao serviço, através da Entrada, na existência de cartas de azeite e mesmo com a realização de provas. A Conferência verificou ainda ser necessário estreitar as relações entre os representantes dos Azeites e dos seus produtores, e o setor da restauração, para que todo este potencial se torne mais efectivo.

Nesta linha é fundamental ter chefes qualificados e profissionais motivados. Por isso foi lançado o desafio às escolas superiores de turismo e profissionais, para que atuassem rapidamente  na adaptação dos respectivos curricula, concedendo espaço ao Azeite e as actividades turísticas que se podem criar em seu redor.

A Turismo do Alentejo, começou já a fazer essa pedagogia no terreno junto dos operadores de restauração, nomeadamente através do projecto de implementação do Referencial para a Certificação dos estabelecimentos.

Os conferencistas constaram ainda que o Território começa a dar sinais que a associação do Azeite ao Turismo faz sentido e é possível, se não vejamos:

a) começa a existir procura de turismos rurais para o Azeite a actividades associadas;

b) existem lagares receptivos a receber  visitantes (e que já recebem)

c) alguns lagares apresentam já esquemas de visitação para visitantes e turistas, afirmando-se aqueles em simultâneo como elementos de atração de uma nova arquitectura rural moderna (através dos lagares de autor);

d) interesse dos promotores turísticos na formatação de projectos hoteleiros em que a dimensão do Olivoturismo esteja presente.

Neste quadro, a Conferência debateu a necessidade de se definir o mix de actividades deste novo produto que se quer estruturar no Alentejo. A questão é, quais as propostas de consumo turístico que temos para oferecer?

Neste ponto foi discutida a sazonalidade do produto – o ciclo de produção processa-se durante três, quatro meses – e as formas de atenuá-la com propostas complementares e enriquecedoras. Concluiu-se que será necessário investigação e produção de conhecimento até se chegar ao mix adequado de actividades, que pode variar em função da dimensão do lagar, do modelo de exploração, e das características específicas de cada herdade/quinta. A lógica do Turismo de Experiências tendo como base o Azeite, foi no entanto consensual para os participantes.

Foi igualmente debatido pelos participantes qual o melhor modo de integrar o Olivoturismo na proposta de valor turística da Região. Em complementaridade com outras ofertas, numa lógica de multi-produto (articulação com rota dos vinhos e outros produtos endógenos), ou deper si?

A Conferencia concluiu neste ponto que a sua especificação temática tem que ser feita e trabalhada. Mas o Olivoturismo é certamente mais uma componente que enriquece a oferta da região, ajudando a rentabilizar outros produtos, tal é a proximidade e até a sobreposição das suas motivações com o Turismo Cultural, Natureza ou Gastronómico. Aliás, é nessa linha que a Turismo do Alentejo está a preparar a sua intervenção no quadro da criação de itinerários eno-gastronómicos que no fim da linha terão que ter a comercialização.

O trabalho exige, pois, coordenação e muito trabalho em rede, em relação com os agentes turísticos e toda a cadeia de operadores do Azeite que podem contribuir para a estruturação do produto Olivoturismo.

A Turismo do Alentejo, ERT assumiu esse propósito, lançando na Conferência uma Agenda para o Desenvolvimento do Olivoturismo no Alentejo, com sete eixos de intervenção, os quais procuram dar resposta aos principais problemas e questões levantadas:

1) Marcas e marketing

2) Estruturação da Oferta

3) Formação dos Agentes

4) Criação de roteiros e do produto Olivoturismo

5) Estruturação do Trabalho em Rede nos vários locais do Alentejo

6) Promoção e Imagem

7) A internacionalização e a ligação ao turismo

No caso do primeiro eixo, a Conferencia considerou fundamental criar e projectar a marca Azeites do Alentejo e levá-la para o esforço de internacionalização e comunicação turística da Região, de uma forma integrada e mais eficaz.