Crescer ou desaparecer – Farmacêuticas precisam repensar o seu papel no actual panorama de cuidados de saúde
Reformar o actual modelo de negócios e desenhar um novo papel no sistema de cuidados de saúde é a chave para as empresas de Ciências da Vida
Mais do que vender medicamentos, actualmente as farmacêuticas precisam descobrir maneiras de se envolverem mais com os pacientes e com os prestadores de cuidados de saúde, monitorizando planos de tratamento e oferecendo serviços que levem as pessoas a ter um estilo de vida mais saudável, conclui o estudo da IBM “Crescer ou desaparecer – Repensar o papel das empresas de Ciências da Vida no actual sistema de cuidados de saúde”
O resultado seria um novo género de empresa que se concentra mais no indivíduo – e não apenas no medicamento. Ao ajudar as pessoas a sentirem-se bem e a contornar as doenças de forma eficiente, as farmacêuticas poderiam conquistar um lugar mais estratégico no sistema de cuidados de saúde ajudando a rentabilizar a empresa.
Entre 2000 e 2010, o investimento na investigação e no desenvolvimento da biofarmacêutica mais do que duplicou só na América do Norte. Ainda assim, não se verificou um aumento correspondente no número de novas terapias a chegar ao mercado, nem houve um grande surto de produtividade científica ou comercial. Um estudo recente mostra que 50% das fusões e 70% das aquisições envolvendo grandes empresas farmacêuticas ajudaram até a reduzir a produção de novas entidades moleculares (NEM) aprovadas pelas Autoridades de Saúde.
Confrontados com a necessidade de transformar rapidamente os seus negócios, as farmacêuticas, empresas de biotecnologia, fabricantes de dispositivos médicos, empresas de diagnóstico e outras organizações de Ciências da Vida precisam determinar se, ao focarem o seu core business, devem ajustar e diversificar a gama de produtos que disponibilizam ou dirigir os serviços e soluções de negócios para um novo patamar, de forma a melhorar o seu papel no sistema de saúde.
Conduzido pelo Instituto IBM for Business Value, “Crescer ou desaparecer – Repensar o papel das empresas de Ciências da Vida no actual sistema de cuidados de saúde”, analisa os enormes desafios e mudanças que a indústria farmacêutica enfrenta actualmente e as escolhas que as empresas devem seguir hoje e no futuro.
O estudo também analisa quatro questões fundamentais que podem impulsionar a direcção estratégica destas empresas na próxima década – o seu papel no futuro sistema de saúde, em que negócios a empresa quer estar, alterações no modelo de inovação global e como tirar proveito do crescimento dos mercados emergentes.
“Uma transformação sem precedentes está em andamento no mundo da saúde à escala global”, refere Katherine Holland, directora da IBM Global Life Sciences Industry. “Sem dúvida que este é o momento mais difícil que a indústria das ciências biológicas já enfrentou, mas uma mudança desta natureza pode, historicamente, oferecer enormes oportunidades para os líderes inovadores.”
O estudo IBM indica que:
· Empresas Ciências da Vida têm de repensar completamente a maneira como se envolvem com os sistemas de saúde, incluindo indivíduos, governos, prestadores de cuidados de saúde, seguradoras e outras empresas.
· Novos serviços, em conjunto com os dispositivos que permitem salvar vidas, devem ser desenvolvidos para ajudar os pacientes a lidar com as suas doenças e reduzir a necessidade de tratamento em hospitais. Estas empresas também devem assumir um papel mais activo nos testes e no acompanhamento de pacientes que tomam os medicamentos que fabricam.
· As empresas devem trabalhar mais eficientemente com as organizações de saúde e Governo, desenvolvendo uma sofisticada infraestrutura de atendimento aos utentes.
· A colaboração entre investigação e desenvolvimento, vendas e marketing é fundamental para determinar as reais necessidades do mercado.
· Num sistema de saúde altamente interdependente, é essencial partilhar e analisar informações.
Estatísticas:
- Num estudo recente que englobou cerca de 6 mil projectos de biotecnologia na fase final de licenciamento, menos de 100 candidatos mostraram potencial para se tornarem best-sellers– e, mesmo assim, a receita total que se esperava gerar era apenas cerca de 30 mil milhões de dólares.
- A “fatalidade das patentes” é, simultaneamente, causa e consequência dos estragos nas receitas da indústria farmacêutica, com uma estimativa de 250 mil milhões de dólares de vendas em risco, entre 2011 e 2015. Em 2010, foi retirada a patente a nove produtos que cumulativamente valem 20,5 mil milhões de dólares por ano.
- Os direitos sobre outros 31 fármacos/tratamentos, com vendas anuais de 86,5 mil milhões de dólares, estão programados para expirar nos próximos quatro anos, colocando em risco um terço das receitas correntes.
- Em 2009, inúmeras empresas farmacêuticas optaram por reduzir custos em Investigação & Desenvolvimento pela primeira vez na história. E apesar de se projectar que a área de I&D continue a evoluir, espera-se uma taxa de crescimento na ordem apenas dos 2,3% – um terço do ritmo a que estava a subir.
- As economias mais maduras estão a conseguir controlar o preço dos medicamentos. Em Novembro de 2010, por exemplo, a Alemanha aprovou uma lei que limita o valor que as empresas podem cobrar por novos medicamentos. Em Portugal, o memorando assinado entre o Governo e a Troika obriga também a que seja incentivada a prescrição de genéricos.

