Dia Mundial da Obesidade: O impacto do excesso de peso na saúde da coluna
A obesidade é um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. É
transversal a todas as idades e contribui para múltiplos problemas de saúde, como
diabetes, hipertensão arterial, doenças cardíacas e problemas respiratórios, tanto no
imediato como a longo prazo. O excesso de peso sobre as articulações provoca
desgaste e dores crónicas em vários pontos da estrutura óssea do corpo, incluindo
a coluna vertebral.
A coluna vertebral é constituída por múltiplas vértebras unidas entre si por discos
intervertebrais e articulações facetárias. Está integrada num sistema complexo de
músculos e ligamentos. Oferece sustentação ao corpo e permite movimentos
essenciais para as atividades do dia a dia. Além disso, protege as estruturas
nervosas responsáveis pela comunicação entre o cérebro e o resto do corpo.
Quando existe excesso de peso, há um aumento significativo da carga exercida
sobre as estruturas da coluna, levando ao seu desgaste acelerado. Podem surgir
patologias estruturais como artrose das articulações, hérnias discais e estenose do
canal vertebral. Estas situações podem causar dor, incapacidade e sintomas
neurológicos, como alterações da força e da sensibilidade.
Mesmo na ausência destas alterações estruturais, a obesidade está associada a
maior prevalência de dor lombar crónica. Pessoas com excesso de peso têm maior
probabilidade de desenvolver dores persistentes, com impacto negativo na
qualidade de vida, no sono, na mobilidade e na capacidade de trabalho.
No contexto de uma opção cirúrgica a obesidade também representa um fator de
risco relevante. Está associada a maior probabilidade de complicações, como
infeções, e a piores resultados funcionais após cirurgia da coluna. Isto não significa
que pessoas com obesidade não possam beneficiar de cirurgia em casos
específicos, mas reforça a importância da otimização do estado geral de saúde
antes de qualquer intervenção.
Por outro lado, sabemos que muitos destes problemas podem ser prevenidos com a
adoção de hábitos de vida saudáveis. Medidas simples e consistentes podem ter um
impacto positivo nas dores crónicas, na incapacidade, nas complicações cirúrgicas e
nos resultados clínicos. Os dois pilares de uma vida saudável são a atividade física
regular e uma alimentação equilibrada.
A prática de exercício físico é fundamental, idealmente diária ou pelo menos três
vezes por semana. Devem privilegiar-se exercícios de baixo impacto, como
caminhadas, pilates, hidroginástica ou natação. Atividades que reforcem os
músculos abdominais e lombares melhoram a estabilidade da coluna e reduzem o
risco de lesões.
Uma alimentação equilibrada é igualmente essencial. A dieta deve ser rica em
vegetais, fruta, proteínas magras (como carnes brancas e peixe) e cereais integrais.
Devem ser evitados alimentos de elevada densidade energética, ricos em gorduras
e produtos ultraprocessados com elevado teor de açúcares simples. Estes alimentos
dificultam a perda de peso e contribuem para um estado inflamatório no organismo.
Outras medidas importantes incluem uma boa higiene do sono, com horário regular
e objetivo de cerca de oito horas diárias. Devemos também evitar o sedentarismo
prolongado, fazendo pequenas pausas ao longo do dia para alongar e movimentar o
corpo.
Neste Dia Mundial da Obesidade, vale a pena lembrar que o excesso de peso afeta
muito mais do que a imagem corporal. Trata-se de um problema de saúde com
consequências a curto e longo prazo, incluindo na saúde da coluna vertebral.
Pequenas mudanças diárias podem fazer uma diferença significativa na proteção da
coluna e do bem-estar geral.
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