Elvas: CDS/PP alertou em conferência de Imprensa a forma como a Câmara adquiriu o património militar

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Tiago Abreu
Tiago Abreu durante a conferência

Transcrevemos na íntegra a conferência de imprensa promovida hoje pela concelhia do CDS/PP de Elvas sobre as comemorações do 10 de Junho e a aquisição por parte da Câmara de todos os prédios militares localizados em Elvas.

“A cidade de Elvas irá festejar em breve dois acontecimentos de altíssimo relevo que muito devem orgulhar todos os elvenses sem excepção. A comemoração do 10 de Junho na nossa cidade e a entrega através de concessão por parte do estado do património militar da nossa cidade.

De notar que estes dois relevantes acontecimentos se ficam a dever a um presidente da República apoiado pelo CDS e pelo PSD e a um governo de coligação também ele do CDS e do PSD. Devo aqui lembrar a promessa nunca cumprida do Socialista José Sócrates de trazer para Elvas a cimeira Luso-Espanhola!

Este motivo deveria ser mais que suficiente para a Câmara Socialista de Elvas não politizar o 10 de Junho devendo para o efeito e no mínimo convidar um elemento de cada força partidária com assento na Assembleia Municipal para participar oficialmente nas comemorações do 10 de Junho. Não só não o fez como ao que sabemos convidou quase a 100% elementos ligados à candidatura do PS à Câmara. Aliás proponho aos elvenses um exercício muito simples, confrontarem a bancada dos convites camarários com a lista de apoiantes que irá brevemente surgir.

Mas o que aqui me trás hoje é a atribuição por concessão do património militar à Câmara de Elvas por períodos de tempo que variam entre os 40 e os 50 anos mediante um pagamento de cerca de 750 mil euros.

É de louvar que o governo português tenha acedido a esta solicitação do poder autárquico. Há anos que se tentava resolver esta questão sem sucesso, parabéns pois a quem tornou este desejo possível.

Como elvense fico feliz e muito orgulhoso. Aquilo que muitos elvenses pensavam ser um sonho tornou-se realidade pela boa vontade e compreensão do governo da nação. Outros em seis anos conseguiram tirar-nos quase tudo; Militares, Maternidade, Vila Fernando, EDP, PT, Balcão do Cidadão.

Quero no entanto deixar aqui um alerta. O património que agora recebemos já exigiu “à cabeça” um pagamento avultado de 750 mil euros, números que a Câmara apresentou falam-nos da necessidade de investir, só para a recuperação, 5 milhões de euros no Forte da Graça comparticipados possivelmente em 80% o que quer dizer que a Câmara terá de dispor de mais 1 milhão de euros, neste caso o CDS apoia a recuperação a 100%. Queremos aliás recordar que o CDS de Elvas fez tudo o que estava ao seu alcance para que esta solução de entrega do Forte à Câmara fosse uma realidade, tivemos a sorte de aqui ter trazido o deputado Adolfo Mesquita Nunes que se viria a tornar secretário de Estado do Turismo. O restante património, também a acreditar nos números da Câmara, necessitará de um investimento de 20 milhões de euros, neste caso não se sabe se a câmara conseguirá ir buscar alguma comparticipação. O que se sabe é que é muito dinheiro.

E todos estes milhões de que estamos a falar são apenas para recuperar. Falta a outra vertente, aquela que será garantida pelos nossos filhos e pelos nossos netos netos. A manutenção. E neste campo as inúmeras obras feitas por este executivo ao longo de 20 anos já nos trazem enormíssimos custos de manutenção ao que devemos agora somar todo o património militar da cidade, que como se sabe não é pouco.

Serve então esta conferência de imprensa de alerta. Os investimentos que vierem a ser feitos devem ser reprodutivos, ou seja, não devem apenas ter impacto directo pela via do turismo na economia local, como devem ter um impacto directo contribuindo para a angariação de fundos para a sua própria manutenção.

A Câmara de Elvas viveu estes 20 anos à sombra de um muito bom trabalho financeiro que permitiu à Câmara ter neste momento dinheiro a prazo no Banco. Nos últimos anos esse dinheiro tem vindo a ser gasto na vertente social e em algumas obras positivas mas também em obras desnecessárias como as piscinas nas freguesias rurais.

É tempo de fazer contas e não entrar numa espiral de gastos que coloque em causa no curto prazo os programas sociais da autarquia. O tempo das vacas gordas não voltará tão depressa.

Em resumo os elvenses devem estar orgulhosos do que se conseguiu. Eu como elvense estou obviamente muito orgulhoso e feliz. Espero então que a campanha eleitoral que se avizinha seja esclarecedora sobre o fim a dar ao património militar e espero que se consiga com a participação de todos chegar a conclusões positivas”.