Elvas: Ministra da Cultura considera “extraordinária” a nova exposição do MACE

Views: 109

A nova exposição do Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE) foi inaugurada este sábado, dia 1, e conta com obras de 31 artistas
representados na Coleção António Cachola, incluindo cinco novas aquisições, para observar a temática do conflito.

Na inauguração desta nova exposição temporária esteve a ministra da Cultura, Graça Fonseca; o presidente da Câmara Municipal de Elvas,
Nuno Mocinha; a diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira; o comendador António Cachola; a curadora Ana Cristina Cachola; além do vice-presidente Cláudio Carapuça, dos vereadores  Sérgio Ventura e Vitória Branco e representantes das juntas de freguesia do concelho.

Na sua intervenção o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, salientou a importância da cultura, referindo ser “mais um
passo na projeção da cultura”, acrescentando que “faz parte das nossas vivências e, provavelmente, é o que tem um maior fator multiplicador na economia”. Para além disso, o autarca voltou a referir a importância deste núcleo museológico, ímpar, e que possui uma localização estratégica.

A ministra da Cultura destacou que “o Museu de Arte Contemporânea de Elvas simboliza que a política cultural é nacional e não de Lisboa”, atestando, em simultâneo, a “virtuosidade de uma parceria público-privada, uma vez que integra uma coleção privada num espaço municipal”, referindo que a exposição que agora fica patente ao público é “extraordinária“.

A curadoria é de Ana Cristina Cachola que se referiu ao passado militar da cidade para explicar que “foi Elvas que me preparou para esta exposição e não o contrário”, afirmando que esta foi “uma exposição muito exigente”, uma vez que se pretendia, com a mesma, mostrar a perspetiva de cada uma: “vimos as coisas de acordo com o que acreditamos”, e aqui “vimos a guerra e a violência como nos ensinaram a vê-la”.

A cidade-quartel fronteiriça de Elvas e as suas fortificações do séc. XVII e XVIII são classificadas desde 2012 pela UNESCO como Património Mundial, um contexto que destaca “A Guerra como Modo de Ver” na sua relação com a história e o património local. Paralelamente, a exposição estabelece “guerra” e “conflito” como temas de continuidade com o mundo de hoje e as premissas do imaginário que propõe observar através da cultura visual, em particular através da arte contemporânea produzida por artistas portugueses, a mesma matéria que institui a Coleção António Cachola como uma das mais atualizadas e importantes coleções privadas do país e o MACE um museu património da cidade de Elvas, com relevo no panorama artístico além-fronteiras.

A “Guerra como Modo de Ver” reúne um conjunto de obras “que tratam a difusão e percepção de uma violência de largo espectro que
permeiam toda a tessitura sócio-cultural. Sem esgotar o filão temático do(s) conflito(s), estará presente na exposição o imaginário, que através de uma cultura visual sempre sinestésica, representa e (in)forma relações tensionais mais ou menos violentas, explicita ou implicitamente bélicas”, descreve a curadora Ana Cristina Cachola.

Desenho, fotografia, instalação e uma seleção alargada de trabalhos em vídeo vão ocupar todo o espaço do museu, incluindo o
terraço que oferece uma vista panorâmica sobre a cidade, as suas muralhas e fortificações, e onde será exposta a peça Vadios (2018), de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, uma das cinco novas aquisições da Coleção António Cachola em exposição, às quais se juntam trabalhos dos artistas Luísa Cunha, Maria Trabulo, Rui Toscano e uma obra inédita, especialmente concebida para o projeto, de Mané Pacheco.

A exposição conta com obras de Alice Geirinhas, Ana Rito, AnaMary Bilbao, António Júlio Duarte, António Neves Nobre, Augusto Alves da Silva, Carla Filipe, Catarina Dias, Daniel Barroca, De Almeida e Silva, Fernanda Fragateiro, Filipa César, Gabriel Abrantes, João Onofre, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Luís Palma, Luísa Cunha, Mané Pacheco, Manuel Botelho, Maria Lusitano, Maria Trabulo, Marta Soares, Miguel Palma, Patrícia Garrido, Pedro Gomes, Pedro Neves Marques, Rui Serra, Rui Toscano, Salomé Lamas, Sara Bichão e Vera Mota.

Esta abre portas ao público a partir de amanhã, domingo dia 2, e estará patente até 31 de dezembro de 2019. O programa integra
visitas-guiadas com a curadora, atividades para grupos de escolas e associações do concelho e o lançamento de publicações do MACE-Coleção António Cachola e eventos especiais no âmbito dos 12 anos do MACE, que se assinalam no mês de julho. Em Lisboa, até setembro de 2019, a exposição Arte em São Bento – Coleção António Cachola, com curadoria de João Pinharanda, permite visitar uma mostra alargada de obras da coleção que se encontram instaladas nas principais salas da Residência Oficial do Primeiro Ministro no Palácio de São Bento.

CME