Festival Terras sem Sombra estreia-se em Monforte com a Accademia del Piacere

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O Festival Terras sem Sombra estreia-se no próximo dia 26, em Monforte, com um concerto pelo ensemble Accademia del Piacere, que propõe uma viagem às raízes do flamenco.

O festival alentejano, além da música inclui, na sua programação, duas outras vertentes, o património histórico e a conservação da biodiversidade. Neste sentido, no dia 26, às 15:00, realiza-se o percurso “Monforte Sacro: Igrejas, Ermidas e Capelas da Vila e Aro”, e, no dia 27, às 09:00, a atividade “Entre Planícies e Asas: Na Rota das Aves Estepárias do Alentejo”.

O ensemble espanhol Accademia del Piacere, sob a direção de Fahmi Alqhai (viola da gamba), apresenta, no dia 26, às 21:30, na Igreja do Espírito Santo, “Rediscovering Spain: Glosas, Fantasias e Diferenças (Viagem às Raízes do Flamenco)”, iniciativa que faz parte da Mostra Espanha 2026, um programa de intercâmbio ibérico.

“Mais do que se limitar à leitura da partitura, o ensemble recupera a liberdade interpretativa dos músicos dos séculos XVI e XVII, que ornamentavam, transformavam e recriavam a música escrita, acrescentando variações e momentos de improvisação”, afirma a organização em comunicado, destacando o cenário da igreja, “um monumento a que a riqueza da azulejaria dá um caráter excecional”.

O alinhamento do concerto “percorre autores-chave da música europeia do Renascimento e do Barroco, entre eles Antonio de Cabezón, Jacobus Arcadelt, Diego Ortiz, Santiago de Murcia, Giovanni Battista Vitali e Gaspar Sanz”.

Segundo a mesma fonte, estas práticas musicais “ajudam a compreender alguns dos caminhos que, muito mais tarde, desembocariam no universo do Flamenco”.

O ensemble Accademia del Piacere já foi distinguido com prémios como o Opus Klassik, Choc de Classica e Giraldillo, da Bienal de Flamenco de Sevilha.

O concerto conta com a participação da “bailaora” Ana Morales, distinguida em 2022 com Prémio Nacional de Dança em Espanha, tendo já recebido o Giraldillo de Baile e três Prémios Lorca.

No mesmno dia, mas à tarde, realiza-se uma visita guiada pelo património do concelho, pelo diretor do Festival, o historiador de arte José António Falcão. Trta-se de “uma incursão à antiga relação entre a vila e o território envolvente, o seu aro [organização territorial], e pela forma como os lugares de culto acompanharam a história e a expansão de Monforte”. A visita conta com a participação dos técnicos superiores de Turismo Rui Barradas e Ana Isa Rasquinho.

“Entre Planícies e Asas: Na Rota das Aves Estepárias do Alentejo”, no dia 27 de manhã, “propõe um percurso por campos, montados, linhas de água e pequenas zonas húmidas, orientado por João Gameiro, investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CBIO) da Universidade do Porto.

Este é o habitat de aves como a abetarda, o sisão, o alcaravão, a águia-caçadeira e o peneireiro-cinzento. Esta iniciativa “permitirá compreender a relação estreita entre estas espécies e uma paisagem moldada durante séculos pela agricultura extensiva e pelo pastoreio”.

A próxima etapa deste festival itinerante é Fronteira, também no distrito de Portalegre, nos dias 10 de 11 de outubro.

 

NL // MAG

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