GNR alerta para subida do furto de catalisadores no 1º semestre de 2026 e reforça fiscalização
A Guarda Nacional Republicana (GNR) alerta para um aumento de cerca de 19% no furto de componentes automóveis no primeiro semestre de 2026, registando uma média de quase quatro ocorrências por dia em todo o país. Esta dinâmica criminal, que totalizou 685 crimes nos primeiros seis meses do ano, em contraste com os 577 registados no período homólogo, é impulsionada pela forte valorização dos metais preciosos contidos no interior dos catalisadores nos mercados internacionais.
Contrariamente ao que possa parecer, os autores destes furtos não visam a reutilização ou venda da peça completa como componente automóvel de substituição. O principal objetivo é a extração rápida dos metais do Grupo da Platina (Ródio (Rh), Platina (Pt) e Paládio (Pd)) presentes na estrutura interna dos catalisadores. Estes metais são altamente valorizados a nível global devido à sua escassez e importância industrial, com cotações que atingiram picos elevados em 2026, tornando o crime lucrativo para redes organizadas.
Esta forte valorização internacional, impulsionada por défices de extração mineira em países produtores, serve de estímulo financeiro direto para a proliferação desta atividade ilícita. A execução material é efetuada com recurso a rebarbadoras portáteis a bateria, capazes de extrair o componente em menos de um minuto, sendo as peças escoadas rapidamente através de circuitos ilegais de recetação.
Comparativamente ao período homólogo de 2025, a estatística e a distribuição geográfica deste ilícito, no primeiro semestre de 2026, registam os seguintes indicadores:
· Volume de ocorrências: Registou-se um aumento de 108 crimes (18,72%) de furto de acessórios ou peças de veículos motorizados, face ao período homólogo de 2025, perfazendo um total de 685 ocorrências, das quais 178 correspondem especificamente a processos-crime por furto de catalisadores.
· Distritos com maior incidência:
o Setúbal: 135 casos (+40 face a 2025);
o Porto: 113 casos (+14 face a 2025);
o Lisboa: 93 casos (+21 face a 2025);
o Aveiro: 59 casos (+22 face a 2025).
· Subidas percentuais assinaláveis em distritos como Portalegre (+200%), Viseu (+150%) e Leiria (+71%), demonstrando a elevada mobilidade geográfica das redes criminosas do litoral para o interior.
No combate geral à criminalidade contra veículos motorizados, foram efetuadas oito detenções em 2025 por furto de acessórios/peças em veículo motorizado, e seis detenções no primeiro semestre do corrente ano. Para desmantelar o circuito ilegal de venda e recetação destas peças, frequentemente com ramificações transfronteiriças, a GNR intensificou as ações de vigilância e fiscalização direcionadas a oficinas e operadores de gestão de resíduos e sucateiras, promovendo o controlo exaustivo de metais entregues para reciclagem e a exigência de documentação de proveniência, a par do reforço da fiscalização rodoviária a viaturas suspeitas de transporte de ferramentas de corte e componentes furtados.
A Guarda alerta os proprietários destas tipologias de veículos para redobrarem a atenção, especialmente em parques de estacionamento isolados ou de parqueamento prolongado durante o dia.
A GNR apela à colaboração de todos os proprietários de veículos, aconselhando a adoção das seguintes medidas preventivas de autoproteção:
· Sempre que possível, estacione em garagens fechadas ou em parques bem iluminados, vigiados e com circulação pedonal, evitando o parqueamento em locais isolados durante a noite;
· Considere a instalação de dispositivos de proteção inferior, tais como blindagens metálicas ou alarmes específicos de inclinação;
· O corte mecânico de um catalisador com rebarbadora produz um ruído metálico intenso e característico que dura cerca de um minuto. Caso presencie movimentos ou barulhos suspeitos junto de viaturas estacionadas, contacte de imediato o Posto Policial mais próximo ou o 112;
· Em caso de furto, certifique-se de que a denúncia inclui todos os elementos identificativos do veículo e do componente.
Relembra-se ainda que a comercialização ou aquisição de peças sem comprovativo legal de proveniência pode constituir crime de recetação.
Neste contexto, a Guarda irá continuar a empenhar-se no combate e na prevenção deste tipo de criminalidade, priorizando a atividade operacional através de ações coordenadas de patrulhamento, fiscalização e sensibilização em todo o país.
