Infertilidade: Ainda é “muito preocupante” número de casais que recorre ao privado

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gravidaA Associação Portuguesa da Fertilidade (APF) considerou hoje “muito preocupante” o número de casais que, mesmo “sem meios”, ainda recorre às clínicas privadas para fazer um tratamento.

Filomena Gonçalves, da APF, comentava à agência Lusa um estudo da Associação de Defesa do Consumidor (DECO), segundo o qual um em cada dez casais tem dificuldade em engravidar e, apesar de quase todos desejarem tratamentos de fertilidade gratuitos, 70 por cento acaba por ter de recorrer a clínicas privadas.

“Os números estão muito próximos daquilo que já conhecemos e de outros estudos que já existem”, adiantou, explicando que, muitas vezes, os casais recorrem aos privados, enquanto estão em lista de espera no Serviço Nacional de Saúde (SNS), em que chegam a estar três anos até à concretização do tratamento.

Uma das “grandes preocupações” da associação é que “estes casais tivessem uma resposta mais célere do Serviço Nacional de Saúde”, frisou.

Para Filomena Gonçalves, “ainda é muito preocupante o número de casais que, mesmo sem meios, tem de recorrer aos privados para ver o seu tratamento concretizado”.

Em abril de 2009, a ministra da Saúde, Ana Jorge, anunciou duas medidas para ajudar os casais inférteis: o aumento da comparticipação dos medicamentos e o encaminhamento imediato dos que aguardam por um tratamento há mais de um ano nos serviços públicos para os privados.

Segundo o Ministério da Saúde, em 2009 foram encaminhados para centros privados 150 casais que se encontravam em lista de espera para realizar técnicas de Fertilização In Vitro (FIV) ou Injecção Intra-Citoplasmática (ICSI), há mais de 12 meses, em centros de PMA públicos.

A dirigente da APF sublinhou que, todas estas promessas que têm sido feitas, nomeadamente o alargamento da rede de referenciação e o encaminhamento de casais que estão há mais de 12 meses em lista de espera no serviço público indicados para tratamentos, “ainda estão muito aquém das expetativas”.

Ainda existem muitos casais em lista de espera e casais que têm de fazer grandes deslocações para realizar o tratamento, disse a responsável, defendendo a urgência de abrir as unidades planeadas.

“A Sul do Tejo ainda não existe nenhum centro público de tratamento à infertilidade, apesar de haver a promessa de abrir um no hospital de Faro e outro em Évora”, referiu.

Segundo Filomena Gonçalves, uma das medidas que ajudou os casais inférteis foi o aumento da comparticipação da medicação.

O estudo da DECO concluiu que 93 por cento dos inquiridos querem exames e tratamentos gratuitos para a fertilidade. Contudo, em cada dez inquiridos, que tinham problemas de fertilidade, sete recorreram a clínicas privadas, devido principalmente às listas de espera do SNS.

Os custos são a principal razão da preferência pelo serviço público, pois os tratamentos oscilam entre os 2900 euros, nos casos em que não foi necessária fertilização in vitro, e os 3800 quando o recurso ao tubo de ensaio é necessário.

HN/AL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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