Manifestação Nacional de Mulheres 2026 – 7 de Março em Portalegre

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“No dia 7 de Março, Dia Internacional da Mulher, o Movimento Democrático de Mulheres (MDM) promove, em todo o país, a Manifestação Nacional de Mulheres (MNM), sob o lema “Vida com dignidade. Direitos com igualdade.”

Em Portalegre, as mulheres do distrito saem à rua e, pelas 10h30, juntamo-nos na Praça da República, formando um cordão humano até ao Jardim Avenida da Liberdade, onde terminaremos em festa.

São muitas as razões que nos levam à rua: a defesa de melhores salários e pensões; a defesa dos serviços públicos e do ambiente; o combate às violências; o direito a trabalho com direitos; a uma habitação digna; à saúde; e à paz.

Queremos uma vida com dignidade. Recusamo-nos a viver sem os direitos tão duramente conquistados. Não aceitamos retrocessos num momento em que se agravam as desigualdades, a precariedade laboral, a desvalorização continuada dos salários e das carreiras das trabalhadoras dos sectores social, do comércio, das escolas e da saúde; quando persistem reformas e pensões abaixo do limiar da pobreza; quando os direitos de maternidade e paternidade são desvalorizados; quando o custo de vida é insuportável para a maioria das mulheres e se assiste à degradação dos serviços públicos. Não aceitamos o agravamento das várias formas de violência e discriminação sobre as mulheres.

No Alentejo, e concretamente no nosso distrito, o despovoamento, o envelhecimento da população, a falta de condições para fixar jovens, a precariedade no emprego e a crescente fragilidade dos serviços públicos e sociais constituem entraves sérios à melhoria das condições de vida das mulheres alentejanas.

As mulheres são maioria nos serviços, nos cuidados e no turismo — sectores marcados pela precariedade, pelo trabalho sazonal, por contratos a prazo e falsos recibos verdes. É urgente valorizar o trabalho das mulheres nestes sectores e criar emprego qualificado que permita às jovens permanecer no território.

Nos apoios às famílias, são necessárias mais creches e jardins de infância públicos, equipamentos de apoio aos idosos — sobretudo nos meios rurais —, melhores condições de maternidade e parentalidade, horários de trabalho compatíveis com a vida familiar e reconhecimento efetivo do trabalho de cuidados, que continua a recair maioritariamente sobre as mulheres.

São necessárias medidas que garantam habitação digna, tanto em meio urbano como rural.

É urgente defender o SNS no distrito, assegurar a manutenção dos serviços de ginecologia e obstetrícia e garantir o acesso à saúde sexual e reprodutiva, nomeadamente à IVG em condições seguras. São também indispensáveis respostas adequadas ao envelhecimento feminino, aos cuidados continuados, à saúde mental e ao combate à solidão.

É necessário reforçar a prevenção e o combate à violência doméstica, criar mais estruturas de apoio às vítimas, equipas especializadas e campanhas de sensibilização nas escolas e nos meios rurais, onde o isolamento é maior.

É urgente abrir caminhos de tolerância, esperança e solidariedade. Num tempo em que se alimentam divisões, se normalizam discursos de exclusão e se procuram erguer muros, afirmamos a necessidade de construir pontes, de defender abril e o respeito pela diversidade. Não aceitamos que o medo seja usado para justificar injustiças, nem que a diferença seja transformada em ameaça. Combatemos todas as formas de discriminação e violência, reafirmando os valores da igualdade, da dignidade humana e da paz como pilares de uma sociedade mais justa para todas e todos.

São necessárias medidas concretas que travem a desertificação humana do Alentejo.

Por tudo isto, enquanto não existirem na vida direitos com igualdade, vamos exigi-los na rua.