O futuro da realidade virtual e o papel de Portugal neste tema

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Muito se ouve falar sobre realidade virtual e o impacto que ela realmente terá para o futuro. Sendo uma tecnologia cujo conceito já foi definido desde a década de 1970, só nos últimos anos é que se tornou popular nas notícias e já movimenta centenas de milhões de euros todos os anos.

Projetar o futuro da realidade virtual está longe de ser uma ciência exata. No entanto, segundo opiniões de especialistas no setor e com base no cenário atual, é possível ter uma projeção realista sobre o que os portugueses podem esperar dessa tecnologia a partir da próxima década.

Mark Metry, fundador da VU Dream, agência que trabalha diretamente com produtos de realidade virtual, tem algumas previsões sobre o futuro dessa tecnologia. De acordo com este especialista, a popularização dos chamados headsets a nível mundial é só uma questão de tempo. Produtos como o Oculos Go, do Facebook, por exemplo, têm tudo para tornar-se bastante comuns nos próximos anos.

Há duas questões muito importantes a ter em conta quando o assunto é projetar uma popularização massiva dos headsets. O primeiro é o preço, visto que ainda é alto na maioria dos casos e isso só deve diminuir com o tempo. Além disso, a não necessidade de compatibilidade com smartphones é outro fator importante e um exemplo disso é o Oculos Go, que dispensa a utilização do telemóvel para funcionar.

Como acontece com todas as tecnologias, a realidade virtual vai avançar com o tempo e esse processo natural trará experiências novas e praticamente ilimitadas. Uma delas é tornar acessível uma nova forma de praticar póquer.

A experiência criada por essa tecnologia molda ambientes exuberantes e visualmente deslumbrantes. Por enquanto, a realidade virtual ainda não está totalmente adaptada aos sites online, mas parece apenas uma questão de tempo até que esteja a funcionar por todos os lados. Com a realidade virtual, o jogador pode praticar a modalidade no seu quarto e sentir-se como estivesse num casino de Las Vegas ou no Mónaco. Tudo através do headset e das possibilidades que a tecnologia ainda vai implementar com o passar dos anos.

De acordo com Mark Metry, o uso da realidade virtual também vai ganhar popularidade noutros setores que vão além do entretenimento, como a medicina. E já existem empresas especializadas nisso. Um famoso caso é o da Osso VR, criada pelo Dr. Justin Barad. O software tem como principal objetivo treinar os médicos em cirurgias ósseas. Através do headset e da tecnologia fornecida pela empresa, os profissionais da saúde podem treinar e aperfeiçoar os seus respetivos métodos de cirurgia e tudo com um custo financeiro menor quando comparado a técnicas tradicionais.

Ao finalizar as suas projeções, Mark Metry também aponta que o 5G tornará tudo mais viável, pois a velocidade da internet do futuro possibilitará softwares que exploram melhorias quase infinitas.

E Portugal, como fica perante tudo isto? O país já está a emergir-se no futuro da realidade virtual. Em Lisboa, a Zero Latency é um exemplo disso. Com uma experiência que apaixona a gente de todas as idades, a empresa desenvolve sistemas de realidade virtual que permitem circular livremente em sala.

A Zero Latency foi fundada em 2015 e chegou a Portugal dois anos depois, mais precisamente a Lisboa. Os jogadores podem adaptar-se a diferentes áreas do jogo, com um máximo de oito participantes em simultâneo. Tudo isto numa área com aproximadamente 220 metros quadrados.

Como o espaço não conta com paredes físicas, o jogador tem a possibilidade de andar livremente e explorar os cenários que a realidade virtual proporciona, usando um equipamento especial que torna possível que a “magia” aconteça. A experiência dura cerca de 30 minutos.

Salas como a de Zero Latency estão prestes a tornar-se populares em todo o país, e também em toda a Europa. No primeiro ano de funcionamento, só em Lisboa a empresa registou mais de 30.000 jogadores de todas as idades.

Além da Zero Latency, Portugal conta com mais de 40 empresas a trabalhar com sucesso nas áreas da realidade virtual. No ano passado, Luis Bravo Martins, co-presidente do Lisbon Chapter da VRARA — Virtual Reality & Augmented Reality Association trouxe otimismo para o futuro da tecnologia em entrevista ao site TEK.

De acordo com Luis Bravo Martins, um dos objetivos da associação em Portugal é mostrar que o país está a crescer na tecnologia e que há pessoas muito capacitadas para realizar um ótimo trabalho. “Temos outras características, como o facto de estarmos na Europa, que contribuem diretamente para acolher investidores que queiram apostar nesta área”, justifica o co-presidente da VRARA.

Portugal é um dos melhores países da Europa para startups, e o cenário é perfeito para o crescimento das empresas de realidade virtual no país. Com um futuro tão otimista, essa tecnologia só deve continuar a crescer um pouco por todo o continente.