Páscoa/Nisa: Habitantes de Salavessa saíram à rua com chocalhos para assinalar ressureição

Views: 797
nisa_cent-vila02
Foto: M.M.

Nisa, Portalegre, 03 abr  – Cerca de uma centena de pessoas, naturais de Salavessa, no concelho de Nisa (Portalegre), percorreram hoje as principais artérias daquela aldeia alentejana, a tilintar um chocalho para assinalar a ressurreição de Jesus Cristo.

“É uma tradição muito antiga que esteve parada algum tempo e que foi recuperada há poucos anos por um grupo de jovens aqui da terra”, disse à agência Lusa Júlio Correia, um dos populares que participou na “Chocalhada de Páscoa”.

De acordo com este septuagenário, “os antigos” habitantes da aldeia criaram aquela tradição, mas “não há dados” que especifiquem o ano em que se começou a realizar.

Júlio Correia começou por explicar que os antigos habitantes de Salavessa, quando chegava a época da Quaresma, “ficavam de luto”.

“As senhoras tiravam os brincos, os homens deixavam crescer a barba e os que tinham gado tiravam os chocalhos aos animais”, recordou.

“Quando chegava ao dia da ressurreição a população ficava bastante alegre e começou a tocar nas ruas os chocalhos”, relembrou.

A manifestação de cariz pagã teve início junto ao largo da Igreja Matriz de Salavessa e terminou no mesmo local, cerca de uma hora depois.

“O percurso, no total, tem cerca de dois quilómetros”, disse à Lusa João Matos, da associação SalavessaViva, entidade que recuperou esta tradição.

Enquanto prosseguia todo aquele tilintar ensurdecedor que junta miúdos e graúdos, João Matos relembrou que a “Chocalhada” esteve “inativa” durante bastantes anos.

“Estamos satisfeitos por termos conseguido recuperar esta tradição”, disse.

Entre sons de chocalhos mais agudos e outros mais graves, João Matos disse ainda que esta iniciativa serve para “chamar à terra” os conterrâneos que partiram para outras paragens em busca de um futuro melhor.

Com pouco mais de cem habitantes, a aldeia de Salavessa, situada a poucos metros do rio Tejo, vive durante estes dias momentos de festa, onde a tradição, segundo os populares, será sempre recordada e cumprida.

HYT.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

Comments: 0