Património: Curiosos visitaram na Torre do Tombo os documentos que fizeram a História de Portugal

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livroA Torre do Tombo recebeu ontem duas dezenas de curiosos que sentiram de perto os documentos que construíram a História portuguesa e descobriram que, através destes arquivos, podem até desvendar quem foram os seus antepassados no século XVI.

Há três anos, Maria Trindade trocou a docência da disciplina de História pela Torre do Tombo, onde conduziu a visita de cerca de vinte curiosos pela história do edifício, desde a sua arquitectura até aos documentos que alberga.

Foi por ela que os visitantes souberam que o documento mais antigo ali guardado data do século IX, anterior à formação de Portugal, e refere-se à notícia da construção de uma igreja em Lardosa, no concelho de Penafiel.

Desde então, o Arquivo Nacional guardou todas as memórias de Portugal que pôde: é lá que está a Bula “Manifestis Probatum”, pela qual o Papa Alexandre III dá a D. Afonso Henriques o título de rei e reconhece a independência de Portugal, o Tratado de Tordesilhas que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha e a famosa carta de Pêro Vaz de Caminha, entre outros.

“É um universo imenso de documentos que se encontram, para já, em cerca de 100 quilómetros de prateleiras preenchidas”, explicou Maria Trindade, realçando que a capacidade da Torre do Tombo.

Os visitantes puderam também ler processos originais da Inquisição de Lisboa e Évora, mas a curiosidade reuniu-se sobretudo à volta de registos paroquiais, quando Maria Trindade revelou que é possível através deles conhecer o passado de cada família, até ao século XVI.

“As pessoas podem começar a fazer a sua investigação partindo de si, investigando em casa o que sabem acerca do antepassado familiar mais remoto, e depois fazer a investigação de registos paroquiais e familiares, processos da Inquisição, que também fornecem genealogia, e outros documentos que podem revelar a história de uma família até ao século XVI”, explicou, salientando que “pode ser um trabalho moroso, mas muito interessante”.

Alguns destes documentos encontram-se disponíveis nos arquivos distritais e outros já estão digitalizados e na Internet, como os 18 mil processos da Inquisição de Lisboa.

As próximas visitas aos arquivos da Torre do Tombo realizam-se dia 19 de Novembro.

RCS.

Lusa/fim

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