Petição de movimento reivindica demissão da administração da ULS Alto Alentejo

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Um movimento que envolve doentes oncológicos do hospital de Portalegre lançou hoje uma petição pública a reivindicar a demissão do conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo.

O documento, consultado pela agência Lusa, foi lançado pelo movimento “Valorizar Quem Cuida” e, por volta das 12:00, reunia cerca de 150 assinaturas.

O movimento requer a demissão do conselho de administração da ULS do Alto Alentejo “por manifesta perda de confiança e incapacidade de resposta” aos problemas que afetam aquela comunidade e a Unidade de Oncologia do hospital de Portalegre, pode ler-se.

Na petição, o movimento recorda que a administração da ULS Alto Alentejo “assumiu compromissos” no decorrer de uma reunião no dia 01 deste mês e criou “legítimas expectativas” de diálogo, esclarecimento e resolução dos problemas apresentados.

“Contudo, perante a ausência de concretização dos compromissos assumidos, consideramos que a confiança depositada neste órgão de gestão ficou seriamente comprometida”, lamentam os subscritores.

Para os peticionários, a situação foi “agravada pela falta de respostas claras e concretas” às questões colocadas no âmbito de uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Portalegre, na qual eram esperados “esclarecimentos objetivos” sobre os problemas que afetam os cuidados oncológicos na região.

“Em vez dos esclarecimentos necessários, verificou-se um desvio das questões essenciais, sem respostas satisfatórias às preocupações manifestadas pelos representantes da comunidade”, criticam.

Além da “crescente instabilidade” que dizem fazer-se sentir na Unidade de Oncologia, o movimento alerta que faltam ainda “soluções eficazes para os problemas identificados”, nas áreas da urgência, ortopedia, ginecologia/obstetrícia.

“Perante estes factos, entendemos que o atual conselho de administração deixou de reunir as condições de confiança necessárias para continuar a exercer as suas funções”, alegam.

O movimento surgiu na sequência de protestos contra a alegada redução de horas de trabalho do médico Rui Dinis, prestador de serviços na Unidade de Oncologia do hospital daquela cidade.

Entre as ações de protesto levadas a cabo nos últimos tempos, destaca-se, no dia 17 de setembro, uma marcha silenciosa em Portalegre, com a participação de dezenas de pessoas.

Em declarações à Lusa na altura, o administrador da ULS Alto Alentejo, Miguel Lopes, assegurou que a reorganização da Unidade de Oncologia serviria para reforçar o serviço, indicando que a reestruturação envolvia a contratação de mais um médico oncologista.

“Pela primeira vez, a ULS tem um médico oncologista residente e vamos manter, como é óbvio, o protocolo que temos com o hospital de Évora e o apoio, no hospital de Portalegre, do doutor Rui Dinis e, em Elvas, da doutora Alísia”, garantiu.

Na ocaisão, o mesmo administador argumentou não estar previsto que o médico Rui Dinis deixe “de acompanhar os seus doentes”.

Miguel Lopes explicou ainda que Rui Dinis é “profissional do quadro e diretor de serviço” no hospital de Évora e que se desloca a Portalegre “sempre que tem disponibilidades” para realizar consultas.

“Ele, neste momento, já deu as suas disponibilidades para o mês de outubro, as consultas estão a ser agendadas e é assim que tem funcionado todos os meses”, afiançou, sugerindo que as pessoas devem ficar “tranquilas”, pois, “continuarão a ser acompanhadas” pelo mesmo clínico.

 

HYT // RRL

Lusa/Fim/Tudobem