Restauro de mais um órgão de tubos da Arquidiocese de Évora

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RESTAURO DE MAIS UM ORGÃO DE TUBOS DA ARQUIDIOCESE DE

ÉVORA

A Arquidiocese de Évora e a paróquia do Cano celebraram um acordo que visa
o restauro do órgão positivo sito na igreja de Nossa Senhora da Graça, a fim de
evitar a sua perda total e de forma a devolvê-lo à função original. Este órgão foi
encomendado ao organeiro Pascoal Caetano Oldovino, em 1751 para o
Convento do Salvador de Évora. A importância de cuidar da sua manutenção e
de o manter a funcionar com regularidade é considerada de grande interesse,
sendo um grave dano e uma grande irresponsabilidade não aproveitar a
oportunidade de o recuperar. Para mais, além de não ter sido construído para
esta igreja do Cano, actualmente encontra-se ali sem qualquer tipo de
utilização e exibindo sinais de acentuada degradação.
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, todos os bens foram
incorporados na Fazenda Nacional, com excepção dos vasos sagrados e
paramentos. No convento do Salvador, por morte da última freira em 1886, feito
o inventário, foram entregues ao arcebispado os bens que não foram
reservados para a Fazenda Nacional, tais como alfaias religiosas, imagens, os
órgãos e muitos outros objectos com menor valor patrimonial que apenas
serviam para o culto. A Arquidiocese, na posse tão grande acervo, distribuiu-os
pelas paróquias consoante as necessidades.
Em 10 de Junho de 1887, o arcebispo, D. Augusto Eduardo Nunes, cedeu à
igreja do Cano um dos órgãos que tinha pertencido ao convento do Salvador.
No recibo então assinado pelo padre José Augusto de Almeida e Castro,
presidente da Junta de Paróquia, pode ler-se: “o mesmo Ex.mo Senhor
Arcebispo se dignou contemplar a Egreja Parochial da mesma freguesia, na
distribuição a que procedeu das objectos do culto pertencentes ao extincto
convento do Salvador da cidade d’Evora, e cujo órgão, no inventario, se achava
descripto sob o numero cento e vinte e oito; obrigando-se a mesma Junta,
assim como as que de futuro lhe succedam, a zelar pela boa conservação do
mesmo órgão.”
De então para cá, o órgão colocado no coro alto da igreja deve ter sido
utilizado nas celebrações apenas durante alguns anos, tendo deixado de ter
manutenção, utilização e, inevitavelmente, falhando com o estabelecido no
recibo de entrega, “zelar pela boa conservação do mesmo órgão.” Para mais,
com o aparecimento dos harmónios, e mais recentemente de instrumentos
electrónicos, o órgão foi abandonado. O mesmo aconteceu com tantos outros,
destruídos ou irremediavelmente alterados mantêm apenas as caixas de
suporte.

Recentemente, iniciou-se na igreja de São Francisco, da paróquia de São
Pedro de Évora, um processo de recuperação de órgãos de conventos extintos
da Arquidiocese de Évora. Três estão activos nesta mesma igreja de São
Francisco, entre eles um órgão congénere ao existente no Cano, com a mesma
data, do mesmo construtor, e do mesmo convento, que estava à guarda da
Paróquia de Nossa Senhora de Machede, feitos respectivamente para o coro
alto e para o coro baixo.
Neste momento, o referido órgão, na sequência do que já aconteceu com os
outros exemplares, encontra-se a ser recuperado por uma equipa técnica
especializada, de referência internacional, para que possa voltar a exercer a
sua missão de tocar música sacra e litúrgica.
A Arquidiocese de Évora, através do seu Departamento de Bens Culturais,
regozija-se com esta recuperação de mais um dos órgãos de D. Pascoal
Caetano Oldovino, que marcou de modo decisivo o panorama organológico no
Alentejo setecentista e a que pertencem estes dois órgãos do convento do
Salvador. Além disso, a igreja de São Francisco tem especial relação com obra
do organeiro genovês que para lá construiu o primeiro órgão, participou em
diversas confrarias, deixo-lhe em testamento o seu órgão pessoal, e nela foi
sepultado.