Sete mil imigrantes vivem e trabalham legalmente no distrito de Beja – SEF

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Cerca de 7.000 imigrantes, a maioria brasileiros e ucranianos, vivem e trabalham legalmente no distrito de Beja, sendo “pouco significativo” o número de ilegais, revelou hoje à agência Lusa fonte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

    Até final do primeiro semestre deste ano, existiam “cerca de 7.000” imigrantes com autorização de residência e a trabalhar legalmente no distrito de Beja, dos quais “4.603 são cidadãos estrangeiros e os restantes são cidadãos comunitários”, precisou o delegado regional de Beja do SEF, João Agostinho.

A maioria dos imigrantes são brasileiros, seguindo-se ucranianos, moldavos e romenos, que “trabalham, sobretudo, nos sectores da agricultura, construção civil, serviços e restauração”, acrescentou.

    Além dos números oficiais, disse João Agostinho, o SEF estima que exista “um número pouco significativo, na ordem das poucas centenas”, de população flutuante de imigrantes em situação ilegal a residir e a trabalhar no distrito.

    Os dados do SEF aproximam-se dos da Associação Solidariedade Imigrante (SOLIM), baseados numa avaliação dinâmica e tendo em conta a mobilidade dos cidadãos estrangeiros, que apontam para mais de 6.000 imigrantes, entre legais e ilegais, de 26 nacionalidades, a viver e a trabalhar no distrito de Beja.

    De acordo com uma projecção da associação, 40 por cento dos seus 958 sócios que vivem e trabalham no distrito são brasileiros, seguindo-se os ucranianos (30 por cento). No último ano, os ucranianos, que eram a maior parte, foram “ultrapassados” pelos brasileiros, disse hoje à Lusa o responsável da Delegação de Beja da SOLIM, Alberto Matos.

    A “ultrapassagem”, que ocorreu em Fevereiro deste ano, explicou, deveu-se “ao aparecimento à luz do dia de muitos imigrantes brasileiros que estavam em situação ilegal e aproveitaram a oportunidade de regularização ao abrigo do artigo 88-2 da nova Lei de Imigração”.

    Quanto aos ucranianos, além de “uma certa estagnação” na vinda para a região, “muitos saíram do Alentejo para outras regiões”, como a zona da grande Lisboa e o Algarve, “ou foram trabalhar para outros países da União Europeia, em particular para a Espanha”.

    “O dado preocupante é que neste êxodo, que repete as rotas de migração dos alentejanos, partiram alguns dos imigrantes mais qualificados”, salientou Alberto Matos, referindo que o nível de qualificações dos imigrantes sócios da SOLIM “baixou com a chegada dos brasileiros”.

    A maior parte dos imigrantes concentra-se nos concelhos de Beja (32 por cento) e Odemira (24 por cento) e quase todos têm uma formação acima da média portuguesa, em especial os oriundos do Leste europeu.

    Cerca de 22 por cento dos imigrantes têm formação superior, quase 50 por cento concluíram o ensino secundário e 28 por cento possuem apenas escolaridade básica, sobretudo os brasileiros, africanos e asiáticos.

    Por sectores de actividade, a construção civil (42 por cento) e a agricultura (quase 27 por cento), “em crescimento com o avanço do regadio de Alqueva”, ocupam os trabalhadores imigrantes, cuja média geral de idades é de 35 anos.

    No último ano, frisou Alberto Matos, chegaram à região imigrantes do Bangladesh e, “curiosamente”, da Tailândia, existindo já “mais de uma centena na zona do Brejão”, na freguesia de São Teotónio, no concelho de Odemira.

    Mas não são sócios da SOLIM, “porque é um grupo muito fechado e controlado por engajadores de mão-de-obra que os trouxeram e controlam estreitamente”.

    Segundo João Agostinho, o número de imigrantes no Baixo Alentejo “poderá aumentar exponencialmente a breve prazo”, devido à concretização de projectos “de grande dimensão e impacto”, como o aeroporto de Beja, Alqueva e o Porto de Sines, além de “outras grandes obras planeadas, ligadas à rede viária nacional, e outros projectos, ligados sobretudo à agricultura”.

    De acordo com estimativas recentes, referiu João Agostinho, os vários projectos apontam para uma necessidade de mão-de-obra “na ordem dos 20 mil a 30 mil postos de trabalho”, que “dificilmente poderá ser suprida apenas com recurso à mão-de-obra local”.

    “Prevê-se que sejam os cidadãos estrangeiros a ocupar a maioria destes postos de trabalho”, disse.

    “A deslocação massiva de cidadãos estrangeiros poderá vir a acarretar outros fenómenos de carácter sociocultural, económico e criminal”, como “o aumento previsível dos ilícitos directamente ligados à exploração de mão-de-obra ilegal”, estimou João Agostinho.

    O fenómeno, as perspectivas futuras e as boas práticas da imigração no Baixo Alentejo vão ser debatidos, sexta-feira e sábado, em Beja, numa conferência que vai decorrer no Teatro Municipal Pax Julia.

    Organizada pelo SEF, em parceria com a Câmara e o Governo Civil de Beja, a conferência “A imigração no Baixo Alentejo, perspectivar o futuro face aos novos desafios” vai reunir técnicos, políticos e representantes de entidades públicas e privadas.

    Trata-se de um “fórum de discussão” para “analisar a realidade da imigração no Baixo Alentejo, nas suas mais variadas vertentes, e apontar caminhos e soluções para o futuro”, explicou João Agostinho.

    Além do debate, à volta de 13 intervenções divididas por três painéis, o programa da conferência inclui também actividades culturais paralelas, como a exibição do filme “Waiting for Europe”, de Christine Reeh, e uma noite de música e gastronomia africanas, sexta-feira, além de três exposições.

   

    LL.

    Lusa/Tudoben

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