Universidade de Évora desenvolve moléculas para tratamento de vários tipos de cancro

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Universidade de Évora desenvolve moléculas para tratamento

de vários tipos de cancro

Uma equipa de investigação liderada por Anthony Burke, professor do
Departamento de Química da Universidade de Évora (UÉ) desenvolveu uma série
de pequenas novas moléculas que mostram potencial para o tratamento de
vários tipos de cancro, incluindo o linfoma difuso de grandes células B
(DLBCLs). O desenvolvimento destas moléculas com potencial para o
tratamento de cancro e alguns linfomas foi patenteado a nível europeu.
Évora, 17 de março de 2020

 
“Um tratamento para o linfoma difuso de grandes células B (DLBCL) – o tipo
mais comum de linfoma – é um objetivo muito importante, pois afeta muitas
pessoas” explica o investigador da academia eborense. As moléculas
desenvolvidas “mostram potencial também para o tratamento deste tipo de
linfoma, o DLBCL”, um tumor maligno do sistema linfático em que as células tumorais
são os linfócitos B, de tamanho grande, que proliferam e infiltram o gânglio de forma
difusa.
 
Os resultados foram obtidos por Anthony Burke e Carolina Marques, investigadores do
grupo de Síntese Molecular da UÉ, um dos 11 grupos que integram o Laboratório
Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE), em colaboração com
investigadores internacionais de Centros de I&D da Suíça e de Espanha.
 
As novas moléculas “foram sintetizadas usando métodos químicos sustentáveis
com catalisadores metálicos” revela o investigador e “apresentam uma estrutura
química relativamente simples e são construídas por dois anéis heterocíclicos (um
composto que tem um anel, do qual fazem parte pelo menos dois tipos diferentes de
átomos), e em alguns casos são quirais, ou seja, não podem ser sobrepostos à sua
imagem especular (espelho).”
 
A investigação na área da Química é “absolutamente fundamental” na deteção e
tratamento do cancro, doença que é a segunda causa de morte a nível mundial e que
apresenta ainda altas taxas de morbilidade, considera o também professor do
Departamento de Química da UÉ, sendo “o do pulmão, colorretal e linfomas os três
tipos de cancro mais difíceis de tratar”.
 
Além disso, "estas moléculas também mostram atividade na área de doença de
Alzheimer, principalmente na inibição de uma enzima importante para a
progressão da doença chamada butirilcolinesterase" destaca Anthony Burke,
referindo que o grupo publicou este estudo no ano passado na revista internacional
Bioorganic Chemistry, também aqui em colaboração com grupos estrangeiros, da
Espanha, Itália e da Alemanha.
 
Este é mais um passo para o desenvolvimento de novas formas de tratamento do
cancro estando atualmente os investigadores da Universidade de Évora “a identificar
os alvos moleculares destas moléculas para permitir melhorar as suas
características estruturais e assim aumentar a sua potência farmacológica”,
avança Anthony Burke, para que proximamente “possamos avançar com estudos

pré-clínicos e conseguir determinar a sua potência in vivo e o seu
comportamento geral no organismo do animal”.
Recorde-se que a equipa de investigadores liderados por Anthony Burke, entre outros
avanços científicos, produziu com sucesso um novo inibidor da enzima Colinesterase,
fundamental para assegurar a comunicação entre neurónios em doentes com a
doença de Alzheimer. Inovadora, esta molécula apresenta apenas na sua composição
o ingrediente ativo benéfico, por isso mais segura para o organismo humano.