Elvenses assinalam os 357 anos da “Batalha das Linhas de Elvas”

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nuno-mocinhaBatalha das Linhas de Elvas assinalada esta quinta-feira.Os militares que perderam a sua vida na Batalha das Linhas de Elvas, em plena Guerra da Restauração, foram homenageados esta quinta-feira, 14 de janeiro e feriado municipal, na cerimónia de comemoração dos 357 anos desta data histórica, com o ponto alto a ser as cerimónias militares e militarizadas na Praça da República e Rua da Cadeia, com a presença de centenas de pessoas.

Este ano as cerimónias foram presididas pelo Tenente General António Xavier Menezes, comandante do Comando das Forças Terrestres, tendo marcado presença nesta cerimónia o secretário de Estado da Defesa Nacional, Marcos Perestrello, para além de outras individualidades, civis e miltares.

No âmbito destas comemorações, como já vem sendo tradição, decorreu o hastear das bandeiras, com a presença da Banda 14 de Janeiro, seguindo-se a cerimónia de homenagem aos Mortos, com a deposição de flores no Padrão da Batalha das Linhas de Elvas e a deposição de flores no túmulo do General André de Albuquerque Riba-Fria, no Convento de São Francisco.

Já na Praça da República, para além de uma alocução sobre a Batalha das Linhas de Elvas, interveio o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha, que proferiu as seguintes palavras:

“O nosso Feriado Municipal comemora, neste ano de 2016, os 357 anos da Batalha das Linhas de Elvas, travada em 1659, em plena Guerra da Restauração.

Os Elvenses, num dia glorioso para a História da cidade, escreveram uma das páginas mais heroicas e decisivas, para assegurar a restauração da Independência Nacional.

À custa de doenças e de lutas militares, os nossos antepassados foram capazes de dizer “Presente!”, no momento em que era importante defender o nosso País.

Elvas, pela sua posição sobre a fronteira e na linha estratégica de penetração em direção a Lisboa, sempre foi uma cidade com a sua população sacrificada por objetivos militares e envolvida em lutas, batalhas e guerras, das quais a data de 14 de janeiro assume particular importância e destaque.

A maneira como tivemos de nos fortificar e defender, a forma como dezenas de gerações de Elvenses souberam manter este património construído, e a qualidade, autenticidade e estado de conservação como aCidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações chegaram aos nossos dias, levaram a UNESCO, em 2012, a classificar-nos Património Mundial.

Os Elvenses do século XXI orgulham-se do seu passado, curvam-se perante atos heroicos como o de 1659 e prestam homenagem a todos os que contribuíram para o título mundial, que ostentamos nos dias de hoje.

Senhor Secretário de Estado:

A presença de Vossa Excelência nas cerimónias do feriado municipal de Elvas, representa, para mim e para os Elvenses de uma maneira geral, creio eu, uma palavra de incentivo do Governo às nossas gentes, localizadas aqui na fronteira.

Noutros séculos, como já referi, estar na fronteira representava estar na primeira linha do combate militar, pela defesa do território nacional.

Hoje em dia, estar na fronteira, para nós, não pode ser “estar no Interior do País”, com todos os fatores negativos associados a esta posição geográfica: pouca densidade populacional, envelhecimento demográfico, falta de oportunidades e rarefação dos serviços públicos.

Para nós, aqui em Elvas, este paradigma não encaixa connosco, sobretudo porque temos uma cidade com 160 mil habitantes a menos de dez quilómetros, estamos ligados a Lisboa e Madrid por autoestrada e desejamos poder estar ligados, por uma ferrovia de mercadorias, aos portos atlânticos portugueses e às principais cidades espanholas do centro da Península.

Este como outros são projetos que temos nas nossas cabeças, para tornar este território fronteiriço numa das principais zonas a desenvolver nos próximos anos, de uma forma integrada, sustentada e em articulação com a Natureza que temos e com o Património que confiamos ser potenciador do nosso turismo.

Para tal, como presidente da Câmara Municipal de Elvas, manifesto a minha aposta num bom relacionamento institucional com o Governo de Portugal.

E em particular, senhor Secretário de Estado, no âmbito da Defesa Nacional, desejo dar conta do que foi feito, em menos de dois anos, no vasto património que integrou a concessão de dezenas de prédios militares do Ministério da Defesa Nacional ao Município de Elvas.

A recuperação do Forte da Graça, pelo volume investido e pela grandeza e complexidade da obra, é a mais vistosa e importante do que já fizemos.

Mas já realojámos quase uma dezena de coletividades, depois de reconstruir prédios antigos, como foi o caso do antigo Quartel do Calvário, perto das Portas da Esquina, e da Parada dos Reformados, junto à cisterna.

Temos ideias, em certos casos, e temos projetos, noutras situações.

Estou em crer que, dentro das disponibilidades financeiras próprias e de fundos que consigamos canalizar, haveremos de ser capazes de tornar Elvas numa cidade onde, cada vez mais, se respire um ambiente arquitetónico e cultural onde se sinta o nosso passado militar, que muito nos orgulha a todos.

Não escondo, por isso, a mágoa elvense por termos deixado de ter a presença do Exército Português a condizer com a nossa História.

Senhor Secretário de Estado, Senhor General, Elvenses:

Há menos de duas semanas, terminou o ano de 2015 e o que vos posso dizer, enquanto presidente da Câmara Municipal, é que todas as atividades previstas para o ano passado foram concretizadas.

Entre elas, destacamos as de maior relevo: o Carnaval Internacional, o Mega Sprint do Desporto Escolar, a Semana da Juventude, a Feira Escolar, o Festival Medieval, o São Mateus, o Campeonato Europeu de Ginástica Aeróbica, a instalação da pista de gelo no coliseu e a iluminação e animação de Natal.

Os programas sociais da Câmara Municipal de Elvas prosseguiram com o seu objetivo central: ajudar os que mais precisam a superar algumas das suas dificuldades básicas. Em certos casos, esses programas sociais foram até reforçados, por exemplo, como sucedeu com o apoio à alimentação, onde passámos de apoiar 200 pessoas, para ajudarmos agora 470 famílias.

Ao longo do ano passado, executámos a obra de requalificação do Forte da Graça, no valor total de 6,1 milhões de euros, o que enche de orgulho a generalidade dos Elvenses e tem causado admiração a muitos milhares de visitantes.

O Forte da Graça, pelo enorme volume financeiro, pela complexidade da obra e pelo prazo apertado que dispusemos para a executar, foi uma empreitada que marca o mandato, mas esteve muito longe de ser a única obra municipal no concelho.

Sem ser exaustivo, refiro algumas obras em Elvas:

– foi dada uma sede nova e condigna à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens;

– requalificámos a Parada dos Reformados, perto da Faceira da Cisterna, onde já iniciámos a entrega de espaços ao movimento associativo; até agora, ao Agrupamento do Corpo Nacional de Escutas e à Natura Fishing;

– recuperámos o Quartel do Calvário, na Avenida 14 de Janeiro, perto das Portas da Esquina, onde o prédio foi dividido para instalar as sedes de sete coletividades;

– concluímos a obra de construção de cozinhas no Centro de Negócios Transfronteiriço;

– e reconstruímos a estrada da estação dos caminhos-de-ferro, nas Fontainhas, fundamental para dar apoio à ampliação do Terminal Rodoferroviário, ali a operar.

No espaço rural do concelho, o ano de 2015 também teve ações de vulto:

– em Varche, foi construída a cozinha de apoio do pavilhão multiusos e foi assinado o protocolo com a Sociedade Recreativa de Varche, para a instalação da sede na antiga Escola do Malvar;

– em Vila Boim, demos condições de operacionalidade ao Pavilhão Desportivo Municipal, impedindo a entrada de humidade e chuva naquele espaço, além de termos apoiado a sustentabilidade do Lar da localidade;

– na Terrugem, atribuímos apoio financeiro para a recuperação total, em curso, da sede do Clube de Caça e Pesca; inaugurámos a nova fase do parque de mercados e feiras; para lá da requalificação completa do Parque de Jogos, com novos balneários, zonas de apoio, cobertura da bancada e bilheteira;

– em Barbacena e Vila Fernando, apoiámos os lares da Associação dos Amigos de Vila Fernando e do Centro Social de Nossa Senhora do Paço, em Barbacena;

– em Santa Eulália, terminámos as obras nas residências autónomas do Lar da aldeia; criámos condições de funcionamento para que a Creche se mantivesse aberta; começámos a obra para resolver em definitivo a condução dos esgotos para a estação de tratamento; e cedemos uma viatura de nove lugares à Junta de Freguesia, para estar ao serviço da população;

– e em São Vicente, dotámos o pavilhão multiusos de ar condicionado; adquirimos um prédio para requalificar e entregar ao movimento associativo da freguesia; e aprovámos o Plano de Intervenção em Espaço Rural para permitir a ampliação das instalações afetas à congregação da Quinta de São João.

Para a Câmara Municipal de Elvas, o concelho é um todo; por isso, a atenção com que olhamos para a cidade é a mesma que dedicamos a cada uma das localidades rurais.

Fizemos tudo o que era necessário?

– Claro que não!

Esta Câmara Municipal nunca teve, não tem e nunca vai ter meios humanos, técnicos e financeiros para fazer tudo o que se necessita.

Mas, por outro lado, a listagem do principal que foi feito chega para deitar por terra versões mal informadas ou mal-intencionadas que propagam que nada se fez nem nada se está a fazer.

Em termos culturais, diversos espaços municipais continuaram com as suas atividades regulares e as comemorações tradicionais, de inúmeros dias nacionais, internacionais e mundiais, além de outras efemérides.

Nesta área, seja-me permitido realçar o Museu de Arte Contemporânea de Elvas e a Coleção António Cachola, ali em depósito, que em 2015 inaugurou seis exposições: duas em Elvas no MACE, duas na galeria “Chiado 8” em Lisboa, uma em Bragança e outra na Ribeira Grande nos Açores.

Como muitas outras, estas são iniciativas culturais que contribuem muito para a visibilidade de Elvas, em várias áreas de interesse e em diversos pontos do nosso País.

A Associação Empresarial de Elvas, para lá do apoio na nova instalação da sua sede, teve a colaboração da Câmara Municipal no concurso de Árvores de Natal, visíveis nas ruas de maior movimento comercial, depois de elaboradas por alunos das nossas escolas do primeiro ciclo, o que deu mais animação ao comércio tradicional da cidade.

Tal como, com a mesma finalidade, isentámos de pagamento uma parte ou a totalidade do estacionamento, em parques do centro histórico

De resto, o apoio ao movimento associativo continua a ser uma das prioridades da Câmara Municipal de Elvas.

E não escondemos os números: no ano passado, esse apoio foi de 750 mil euros.

Cada euro de dinheiro público, investido pela Câmara em todas as coletividades do concelho, é um euro que é rentabilizado.

Por uma razão simples: se a Câmara Municipal quisesse fazer, apenas por si, o que o movimento associativo do concelho faz, de certeza que gastaria muito mais e faria menos e pior trabalho.

Assim, agradeço publicamente às centenas de pessoas que trabalham graciosamente, no movimento associativo, para assegurar, a milhares de pessoas, os benefícios de mais de uma centena de coletividades, para a população do concelho.

Quase o mesmo posso dizer do dinheiro transferido pela Câmara Municipal para as sete Juntas de Freguesia, para assegurar que estas autarquias possam prestar um serviço mais próximo, e muitas vezes mais rápido e eficiente, junto das suas respetivas populações.

No ano passado, foi transferido mais de meio milhão de euros, da Câmara para as Juntas, para garantir a limpeza e o apoio às escolas e outros locais públicos da cidade e das localidades rurais, e a manutenção e reparação dos equipamentos públicos apresentados em segurança e bom estado de conservação, dentro das suas competências autárquicas.

Tudo isto foi feito respeitando os compromissos assumidos e pagando tudo que estava em condições de pagar.

Senhor Secretário de Estado, Senhor General, Elvenses:

No último mês e meio, o Forte da Graça e a pista de gelo foram grandes polos de atração de visitantes a Elvas: basta referir que o forte já ultrapassou os 15 mil visitantes e a pista de gelo já vai acima de 20 mil patinadores, nesta temporada.

São atrativos deste tipo, acompanhado pelo selo de garantia de Património Mundial, que nos fazem acreditar que o potencial turístico do concelho de Elvas é cada vez maior, o que de resto tem sido confirmado pelo número crescente de visitantes nos últimos anos.

Uma realidade muito importante, pois na sua dependência, acreditamos que o movimento no comércio, na restauração e na hotelaria também vai subir.

Mas não queremos ir sozinhos; preferimos ir acompanhados!

Por isso, demos um passo em frente na concretização da Eurocidade, entre Elvas e Badajoz, à qual se juntou Campo Maior em 2015, para constituir, assim, o maior núcleo populacional entre Lisboa e Madrid, para o que têm sido determinantes a vontade, o querer e o carinho do Alcaide de Badajoz, D. Francisco Fragoso, e do Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, engº Ricardo Pinheiro.

Elvenses:

Falar da situação financeira da Câmara Municipal de Elvas tem sido muito comum, nos últimos meses, e com abordagens distintas.

Para mim, como presidente da Câmara, o importante é afirmar que, em 31 de dezembro de 2015, a situação corrente desta autarquia estava equilibrada, contrariamente ao que tem sido difundido, não faltando até quem, com alarmismo e sem rigor, tivesse afirmado que não tínhamos dinheiro, não honrávamos os nossos compromissos e estávamos falidos.

Felizmente, nada disto se confirmou no final do ano passado e acredito firmemente que esse cenário imaginado não vai ter lugar, em Elvas, até, pelo menos, ao final deste mandato.

A minha satisfação não está enraizada num feito pessoal.

Acredito que os méritos têm de ser estendidos aos restantes elementos da Câmara Municipal, da Assembleia Municipal e das sete Juntas de Freguesia.

Aos políticos, aos técnicos, aos administrativos e aos operários – todos, cada um à sua medida, colaboram para o trabalho que apresentamos aos Elvenses!

Tal como entendo que devo acrescentar ainda as associações e coletividades do concelho e também os Elvenses em geral.

A todos agradeço e reafirmo: apesar do esforço extraordinário em obras e em apoios sociais, realizado nos últimos anos, a situação financeira da Câmara Municipal de Elvas está equilibrada.

E é com esta consciência tranquila que olhamos para o futuro, o mesmo é dizer para este ano de 2016, que vai na primeira quinzena.

Para este Ano Novo, a palavra é de confiança:

– confiamos lançar a concurso os dois Centros Comunitários, um junto à escola do 1º ciclo da Boa-Fé e outro junto à escola do 1º ciclo de Santa Luzia;

– confiamos poder lançar o concurso para a construção do Lar na Boa-Fé;

– confiamos colocar em obra o sistema de tratamento de esgotos, para resolver, em definitivo, os problemas deste tipo que se registam em Varche, Calçadinha e Vila Fernando;

– e também confiamos numa postura diferente da empresa “Águas de Portugal”, para concretizar as Estações de Tratamento de Águas Residuais, em Barbacena e São Vicente.

Também confio ser possível trabalhar com o Governo de Portugal no sentido de resolver a dupla referenciação no Hospital de Santa Luzia, ou seja: permitir que os residentes de concelhos vizinhos de Elvas possam vir, livremente, à nossa unidade hospitalar.

Ainda na Saúde, confio em levar por diante a instalação, no Hospital de Santa Luzia, de uma Clínica de Alta Resolução e trabalhar no sentido de conseguir a reclassificação do seu Serviço de Urgência.

Estou confiante ainda que seja possível colocar no terreno a obra de construção da linha ferroviária entre Évora e Elvas, para mercadorias, o que vai permitir ligar o Caia aos portos atlânticos de Sines, Setúbal e Lisboa.

Senhor Secretário de Estado, Senhor General, Elvenses:

Neste momento, Elvas também preside à Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo, correspondendo à excelente relação que temos conseguido construir com os restantes 14 municípios do distrito, assim como a afirmação crescente do nosso concelho como pólo dinamizador do Turismo, associado ao Património Mundial e ao património da Natureza.

Continuamos a projetar Elvas nos contextos nacional e internacional, por forma a criar riqueza no nosso concelho e a todos que, com ele, colaborem.

Respeitamos todos e a todos agradecemos, porque estamos conscientes que sozinhos poderíamos, eventualmente, ir mais depressa; mas em conjunto, seguramente, chegaremos mais longe.

É com orgulho que digo que Elvas já não é apenas dos Elvenses!

Elvas é uma cidade moderna, atrativa e a ganhar a sua posição no mundo.

Felicito os Elvenses por mais um 14 de janeiro e desejo, a todos, um bom ano de 2016.

Muito obrigado.