Beja: Cerca de 100 animais morrem afogados após subida das águas do Guadiana

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rebanhosBeja – Cerca de 100 animais morreram afogados quarta-feira após serem arrastados por águas do Guadiana perto de Beja, numa zona de pastagens nas lezírias do rio, cujo caudal subiu devido às descargas das barragens de Alqueva e Pedrógão.

“O rio encheu rapidamente” e os animais “foram arrastados pela água, porque não conseguiram fugir”, já que as vacas “estavam presas por cordas” e as ovelhas, as cabras e os borregos “dentro de uma cerca”, explicou hoje à agência Lusa o dono do gado.

Segundo António Silva, que “ainda não conseguiu fazer contas”, terão morrido “à volta de 47 ovelhas, 27 cabras, 24 borregos e duas vacas”.

António Silva disse que os animais estavam nos lotes um e dois na “zona alagadiça” das pastagens das lezírias do rio Guadiana, na freguesia rural de Quintos, no concelho de Beja, adstritas à Câmara e que “alugou” até ao passado “dia 05 de Janeiro”.

“Não sabia que as barragens estavam a descarregar. Ninguém me avisou. Fui apanhado de surpresa”, queixou-se António Silva, referindo, no entanto, que já se tinha apercebido que o caudal do rio “estava a subir”.

“Mas nunca pensei que subisse tanto”, disse, lembrando que “desde 1997 que não havia uma cheia tão grande”.

“Tive azar”, lamentou, referindo que, no passado dia 05 de Janeiro, através de hasta pública, alugou à Câmara de Beja um outro lote, o número cinco, também nas pastagens das lezírias do rio Guadiana, na mesma zona, para onde iria mudar os animais.

“Estava à espera que os veterinários da Divisão de Intervenção Veterinária de Beja fossem recolher o sangue dos animais para análise e, depois dos resultados, autorizassem a mudança”, explicou.

O comandante dos Bombeiros de Beja, Manuel Baganha, disse à Lusa que elementos da corporação, do serviço municipal de protecção civil e da Equipa de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR de Beja estiveram  a retirar as carcaças dos animais do rio para serem posteriormente recolhidas.

Em declarações à Lusa, o Comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja, Canudo Sena, disse que se trata de um caso que envolve um conjunto de circunstâncias “anormais” e “uma auto-desresponsabilização total” do dono dos animais.

Segundo o responsável, os animais estavam “numa área do domínio público hídrico” e “no leito de cheia” do rio, as vacas “estavam presas à corda” e as ovelhas, os borregos e as cabras “estavam dentro de vedações” e “já é a terceira vez” que uma situação do género acontece ao mesmo proprietário.

“Não se trata do dono de uma propriedade que confine com o rio”, explicou Canudo Sena, referindo que o dono do gado reside numa localidade “a cerca de 30 quilómetros do local onde estavam os animais”.

Perante as circunstâncias, questionou Canudo Sena, “como é que [o dono dos animais] queria ser avisado” das descargas.

“As barragens de Alqueva e do Pedrógão estão a descarregar e o caudal do Guadiana está a subir”, avisou, referindo que a Protecção Civil, a empresa gestora do Alqueva e as entidades competentes “estão a monitorizar a situação e a fazer o que tem que ser feito”, como “a divulgação pública possível”.

“É necessário que as pessoas criem uma nova cultura de relação com o rio”, defendeu, explicando que, após a construção das barragens de Alqueva e do Pedrógão, o Guadiana “tem uma nova realidade, menos impetuosa”.

Por isso, “as pessoas desabituaram-se dos tempos em que o rio tinha cheias significativas”, explicou, referindo que “se não houvesse barragem de Alqueva, com o ano hídrico que temos tido, as cheias no Guadiana seriam mais graves”.

LL.

Lusa/Tudoben

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