Beja/Ciganos: Mediador municipal de Beja “caiu do céu”

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beja_cidadeApós seis meses de trabalho, a Câmara de Beja elogia o seu mediador junto da comunidade cigana, que “caiu do céu” e permitiu “melhorar” as relações com os membros daquela comunidade, antes marcadas por um “conflito latente”.

“Modesto”, o mediador municipal Prudêncio Canhoto, de 38 anos, deixou para os técnicos a avaliação do seu desempenho, mas reconheceu à Lusa que é “muito importante” para os membros da comunidade cigana que residem em Beja “haver um cigano na Câmara pronto para os ajudar”.

“O Prudêncio caiu do céu”, disse à Lusa a técnica social da Câmara de Beja, Sara Serrano, confessando sentir-se “descansada” por ter o mediador a trabalhar com ela.

Antes de Prudêncio Canhoto entrar em funções, em outubro passado, “o conflito era latente” nas relações entre a Câmara e a comunidade cigana, lembrou.

“Tudo era um problema” porque “as características da comunidade cigana de Beja, de pobreza e agressividade, eram cada vez mais difíceis de contornar”, explicou.

“Desde que cá estou, acabaram os conflitos”, disse o mediador, também pastor evangélico, lembrando que, “segundo os serviços”, os ciganos dirigiam-se “muitas vezes” à Câmara para “armar conflitos e tentar resolver os problemas à sua maneira”.

“Já não é assim”, garantiu, frisando que a comunidade cigana “confia muito” em si, porque é “conhecido” entre os ciganos, com quem “lida” diariamente.

“Eles sabem que estou na Câmara e vêm falar comigo”, explicou, precisando que os ciganos o procuram sobretudo para “resolver problemas” em casas do Bairro das Pedreiras, construído pela autarquia para alojar famílias ciganas que moravam no único bairro de barracas que havia em Beja.

“Era necessário um mediador cigano”, disse Sara Serrano, referindo que a Câmara “não pensou duas vezes” quando decidiu candidatar-se ao projeto-piloto para mediadores municipais junto das destas comunidades, lançado há um ano pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural.

“O Prudêncio não é uma varinha mágica, nem a solução para todos os problemas”, mas “tem sido um grande contributo para melhorar as relações com a comunidade cigana”, disse Sara Serrano, elogiando a “humildade” e a “capacidade de ouvir” do mediador.

“Muito pelo facto de ser pastor”, frisou, “os ciganos conferem legitimidade ao Prudêncio”, o que “tem contribuído para o sucesso da intervenção” do mediador na Câmara de Beja.

Através do mediador, a Câmara quer “facilitar a integração da comunidade cigana” em Beja, “respeitando a cultura cigana, mas também os direitos e deveres de qualquer cidadão”, explicou a coordenadora do Gabinete Social da autarquia, Laura Rodrigues.

“Além de um facilitador das relações com a comunidade cigana”, defendeu, o mediador “tem de ser visto como mais um técnico do gabinete e um recurso para a aproximação entre a comunidade geral e a etnia cigana”.

“A experiência tem sido muito positiva. Estou contente, porque as pessoas da Câmara estão contentes”, disse Prudêncio Canhoto, defendendo que “em cada instituição pública deveria haver um mediador para facilitar a integração dos ciganos”.

“Estou a gostar do papel de mediador. Espero que tenha proveito”, confessou o mediador, corroborado por Sara Serrano: “Está a valer a pena”.

LL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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