Presidente do Município C.Maior envia carta aberta à população, sobre Insegurança no Concelho
Comunicado:CARTA ABERTA À POPULAÇÃO – INSEGURANÇA NO CONCELHO
Depois dos inúmeros contactos e reuniões oficiais que tenho mantido com vários órgãos e instituições, relativamente ao problema da insegurança no Concelho de Campo Maior, dirijo-me agora aos campomaiorenses e entidades competentes não só na qualidade de Presidente do Município, mas sobretudo como cidadão preocupado e, atrevo-me a dizer, revoltado com toda esta situação.
Apesar de todos os meus esforços junto das entidades com responsabilidade direta pela segurança e manutenção da ordem da República Portuguesa, a verdade é que tenho assistido a como, nos últimos anos, os meus concidadãos se têm tornado reféns de um clima de medo e hostilidade inadmissíveis num Estado de Direito do Século XXI.
Os assaltos, as agressões, os atos de vandalismo, o ataque à propriedade pública e privada têm sido o dia-a-dia dos campomaiorenses que se veem obrigados a viver num constante estado de alerta e, sobretudo, a conviver com a inexplicável impunidade com que tudo isto se vai passando.
Quando uns poucos atentam de forma grave contra os direitos da maioria sem que exista uma real e efetiva responsabilização destes atos, corremos o risco de a maioria se sentir legitimada também ela, a agir de forma menos correta.
É para evitar situações desta natureza que o Estado tem mecanismos e instituições que zelam pela manutenção da lei e da ordem e pela aplicação da justiça e é precisamente isto que, enquanto Presidente do Município de Campo Maior e cidadão consciente dos meus direitos e deveres, exijo que aconteça.
Quando estão em causa a segurança e a liberdade das pessoas que constituem esta comunidade e o bom nome de Campo Maior face ao exterior e a quem nos visita, é imperativo que se proceda de forma a repor a normalidade.
Devido a este estado de coisas, e porque estou cansado de ver os meus concidadãos sofrerem às mãos destes poucos, tenho muitas vezes assumido uma posição de choque no que à atuação das autoridades diz respeito, acima de tudo, porque a considero insuficiente.
Chegámos, portanto, a um ponto em que o Município de Campo Maior e as instituições responsáveis pela segurança do nosso pais se debatem por um problema que está perfeitamente identificado e localizado e, enquanto isso, esses poucos, passam impunes por entre as ondas de choque desta discussão que nem sequer deveria existir.
Por tudo isto, faço uma vez mais, o apelo no sentido de que esta situação seja tratada e resolvida de uma vez por todas, fazendo-se uso das ferramentas que a lei nos confere e sem nunca perder de vista que esta, a lei, serve para proteger os cidadãos de bem e para responsabilizar e sancionar os que, por opção própria, decidem colocar-se à sua margem.
O Presidente da Câmara,
Ricardo Pinheiro

Força Presidente. Lute ao lado do Povo de Campo Maior, para voltar a ter uma terra simpática agradável e hospitaleira como sempre foi. Eu nasci em Santa Eulália, vivi em Campo Maior, vivo em Elvas, sempre gostei muito de Campo Maior, e ultimamente, e o Sr. Sabe que é verdade, penso em Campo Maior com uma mistura de tristeza e nostalgia, como algo que eu gostava muito e que perdi.
Um abraço
Luís Rasquilha
Ex.mº Sr .eu estava nos cerca de 80 pessoas que acompanhava o grupo já mencionado e digo que passei uma guerra civil em Angola, nessa altura, senti terror e medo, não por mim mas pela minha família, mulher e dois filhos muito pequenos.
Sofri uma descolonização conturbada.
Não esperava num País que se diz Democrata, que nos chamam racistas e xenófobos, me fosse acontecer, ser apedrejado por um grupo de mal feitores.Não poder circular no meu País livremente, enquanto os nossos políticos discutem o bota abaixo, só tenho que gritar por liberdade até acordar quem faz a justiça se é que existe. Resta-me dar os parabéns a V.Exª por ter a coragem de escrever uma carta aberta a toda a população.
A bem da Justiça, e a favor do bem estar de todos os campomaiorenses!
Concordo e assino por baixo, esta carta aberta à população de Campo Maior, nas palavras do nosso representante maior Sr. Presidente do Município Sr. Ricardo.
Para quando um olhar sobre este problema? E para quando uma solução que termine com esta instabilidade?… Rosa Dias
Sr.º Presidente
Eu estive nesse grupo, que no dia 2 março foi escoltado pela GNR. Achei brincadeira quando o sacerdote que nos acompanhava disse que a GNR nos iria escoltar até ao Mosteiro.
Tive a oportunidade de assistir a tudo isto, inacreditável!!! Tambem tive a oportunidade de contatar a Sr.ª Vereadora da Cultura, que se mostrou muito preocupada e senti a sua indignidade pelo sucedido, senti que o executivo camarário se vê impotente, tal como a própria GNR, para resolver este grave problema.
Cabe ao governo resolvê-lo, porque Campo Maior não merece ter que receber aos seus visitantes escoltados pela GNR.
Meu Caro Sr, Presidente da terra que me vi crescer, esta carta não chega para resolver a insegurança dos campomaiorenses tem que agir. Para isso foi eleito isto já foi longe de mais e teria de ter actuado há mais tempo.
Incluir ou Excluir?
Gostaria de vos deixar o meu modesto contributo. Ora vejamos. Sempre que me é possível deslocar a Campo Maior, ouço repetidas queixas sobre os ciganos. Ouço relatos assustadores, comentários pouco abonatórios, sobre estas pessoas que desde sempre connosco coabitaram. Todos se queixam dos ciganos. A verdade é que o Mártir Santo foi sempre o lugar escolhido e onde esta gente sempre viveu, apesar do lugar ser muito pouco apropriado para se viver. Primeiro porque deveria fazer parte integrante do conjunto museológico e arquitetónico em que se insere, o castelo, um património que é de todos, e depois, em abono da verdade, o mesmo não confere a ninguém nenhuma dignidade quer seja de etnia cigana ou outros. É importante ressalvar que integrar não é colocar as pessoas em guetos. Integrar é dar condições iguais de oportunidades.
Os ciganos é um povo nómada, e os povos nómadas pela suas características foram sempre povos errantes, sem modo de vida, com condições de subsistência sempre determinadas pelo país aonde se encontram. Em Portugal a maior parte dos ciganos foi quase sempre devotada a exclusão social e educacional. Porventura importará criar-lhes condições que os faça sentir integrados na nossa sociedade. Dar-lhes a oportunidade a terem escolaridade, a aprenderem, a habitar fora do gueto em que se encontram. A encontrar estratégias comuns de ocupação para que se sintam mais pertença do todo. A exigir-lhes, talvez, mais compromisso e atitude e a fazê-los assumir responsabilidades, em suma, a encontrarmos estratégias de inclusão ao invés de exclui-las.
Também seria importante, numa hora destas, de crise, mobilizar a população, as autoridades políticas, policiais e grupos de cidadãos. Criarmos em cada rua, em cada praça, brigadas de cidadãos vigilantes, os chamados Neighbour Watch, à semelhança de outros países, para que coordenadamente, possamos garantir a salvaguarda que todos merecemos e temos por direito para que a vila de um modo geral e efetivo nos devolva o sossego a que sempre nos habituou.
Maria de Jesus Meira
Luanda, 26/03/14