Comboios: Modernização da Linha do Alentejo vai “aumentar a competitividade” do transporte de mercadorias

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estação_comboiosO secretário de Estado dos Transportes, Correia da Fonseca, destacou hoje que a eletrificação da Linha do Alentejo vai aumentar a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias, apesar de reconhecer o transtorno para os utentes devido às obras.

“A obra vale o transtorno”, garantiu o secretário de Estado, durante uma cerimónia em Vendas Novas, onde foi apresentado o projeto de modernização do troço que liga Bombel/Vidigal a Évora, na Linha Ferroviária do Alentejo, num investimento superior a 48 milhões de euros.

O serviço ferroviário Intercidades desta linha (de Lisboa a Évora e a Beja) está suspenso desde hoje, durante o período de um ano, devido às obras da REFER para a reabilitação e eletrificação da infraestrutura, tal como o serviço regional de Lisboa-Casa Branca.

Os utentes vão ter à sua disposição um serviço rodoviário de substituição, com um horário definido pela CP, e, a partir de 14 de junho, as obras implicam ainda a suspensão do serviço regional entre Évora e Beja.

Apesar de reconhecer que o “transtorno é grande” para os utentes, Correia da Fonseca realçou que a Linha do Alentejo é “estratégica” para o transporte de mercadorias.

“Esta linha faz parte do troço Sines-Poceirão”, pelo que vai estar enquadrada na ligação entre Lisboa e Madrid, com o projeto da ligação de alta velocidade, e, por isso, não era possível sofrer “apenas uma obra de superfície”.

A linha “precisa de uma intervenção de fundo”, que obriga a que a circulação tenha “mesmo de ser parada” no “período máximo de 12 meses”, disse, assegurando que, depois, “comboios de 750 metros e de 22 ou 25 toneladas de carga por eixo” já poderão utilizar a ligação para levar as mercadorias nacionais “para Espanha e para o resto da Europa”.

O secretário de Estado defendeu ainda que o país precisa de investimentos públicos, como é o caso deste, que “permitam que os bens transacionáveis” portugueses “sejam transacionados e que aumentem a sua competitividade no mercado global”.

“Enquanto tivermos sistemas de transporte extremamente caros para chegar ao centro da Europa, onde estão os grandes mercados, teremos dificuldades na competitividade dos produtos”, alertou.

O presidente da CP, Cardoso dos Reis, manifestou a disponibilidade da empresa para, consoante as necessidades dos utentes, “fazer as alterações necessárias” no serviço de substituição, garantindo que a eletrificação da linha vai “baixar os custos” no transporte de mercadorias e tornar “mais rápida” a ligação entre Lisboa e Évora.

“Este constrangimento de um ano vale muito a pena”, reiterou, enumerando as vantagens ambientais da eletrificação da linha, nomeadamente “menores emissões” de dióxido de carbono e a redução da “fatura energética” do país, com a diminuição do recurso a combustíveis fósseis.

O presidente do Município de Vendas Novas, José Figueira, lembrou que, “desde 2000”, que reivindicava obras de requalificação da linha, mas defendeu que, além dos autocarros, “havia outras alternativas” para servir os utentes, como o transporte ferroviário continuar disponível entre Bombel e Lisboa.

RRL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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