Conclusões do Congresso Internacional de Turismo Rural

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Congresso Internacional de Turismo Rural

Durante um dia e meio reputados especialistas nacionais e internacionais discutiram com uma audiência predominantemente constituída por empresários, promotores turísticos, autarcas, técnicos e académicos, a agenda do desenvolvimento do turismo rural para os próximos anos.

A Turismo do Alentejo / Ribatejo encerrou o Congresso já a pensar nos novos desafios e projetos, nos domínios da estruturação do produto, da comunicação, da promoção integrada, do apoio à comercialização e à venda e da internacionalização, cuja base técnica e estratégica foi nestes dois dias debatida e perspectivada com muita qualidade.

As redes e as associações de turismo rural que as suportam, o posicionamento do turismo rural nos canais on-line – redes socais, plataformas de venda, sites de partilha – e as estratégias de branding e comunicação, ocuparam grande parte da discussão do Congresso e é também nesses temas que será centrada a agenda de intervenção da ERT no curto e médio prazo.

Essa agenda para o desenvolvimento do turismo rural no Alentejo e no Ribatejo, a implementar até 2020, será constituída por cinco vectores principais que se descrevem sucintamente.

O primeiro vector que é estratégico para o destino passa pela certificação de toda a cadeia de valor do Turismo Rural.

Certificação para fazer o up-grade da Oferta de forma gradual e abrangente, procurando chegar a todo o mix de actividades, de atrações e de equipamentos existente nas áreas rurais.

Foi constatado com satisfação neste Congresso que este desígnio encontra correspondência com uma das prioridades da estratégia dos fundos estruturais e de investimento regional para o período 2014-220 no Alentejo e Ribatejo, que é precisamente a Qualificação e Valorização da Oferta.

O segundo vector incide na institucionalização e na capacitação das Redes de Oferta que pretendemos criar e reforçar em todo o território.

Rede foi provavelmente a palavra mais ouvida durante o Congresso, mas isso de pouco servirá se não conseguirmos conferir-lhe o alcance, o significado e a escala adequados. Por isso foi importante discutir em Reguengos de Monsaraz, ouvindo exemplos de boas práticas nacionais e internacionais, o papel das organizações de turismo rural na organização do produto, no branding, na comunicação e na venda, tendo como pano de fundo as oportunidades de financiamento do próximo ciclo de política comunitária 14-20, mais permeável a ambientes de inovação e à contratualização de resultados, tanto para o lado público, como para os promotores privados.

Alguns atributos são essenciais para que as Redes gerem negócio e valor acrescentado para o territórios e seus “accionistas”, atuando na ligação virtuosa dos serviços de base rural e na comunicação eficaz com o cliente, global mas ao mesmo tempo cada vez mais segmentada.

Enumeramos alguns desses requisitos: i) cumplicidade estratégica entre os associados das Redes e necessidade do aparecimento de lideres empresariais ii) definição de um conceito de produto que encontre eco nas dinâmicas e preferências da procura, mas que esteja ligado ao território, iii) escala adequada das Redes para que tenham simultaneamente peso de mercado e identidade e coesão internas, são desafios de monta para os quais a ERT quer providenciar rapidamente respostas.

Neste campo, a ERT desenvolverá um programa completo e faseado de assessoria para capacitar estas Redes, devendo convocar para esse esforço a abordagem plurifundos Leader e outros instrumentos regulamentares do PO Regional 2020, suscitando igualmente o apoio do Fundo Social Europeu na dimensão da qualificação e formação dos atores do turismo rural, imprescindível para que o setor alcance maiores níveis de profissionalismo e qualidade.

Esta abordagem integrada aos Fundos Estruturais 14-20 implica que a ERT se posicione não só como entidade beneficiária, mas igualmente como agente de definição das políticas, nomeadamente no seio da Estratégia Regional de Especialização Inteligente, em que pelo menos três domínios, o do “Património, Indústrias Culturais e Criativas e Serviços de Turismo”, o da “Alimentação e Florestas” e o da “Economia dos Recursos Naturais”, concorrerão para a dinamização e inovação das atividades turísticas em meio rural.

Conjugado com a ideia de Rede, surge a Criação dos Corredores Turísticos, projeto que queremos executar em parceria com as Comunidades Intermunicipais e que constitui o terceiro vector da nossa agenda de desenvolvimento. Trata-se de figuras inovadoras que funcionarão como veículos de oferta servindo de suporte à distribuição dos turistas por zonas do território mais periféricas.

O quarto vector apoia-se na criação das Plataformas Logísticas Rurais, as quais pretendem estimular o escoamento dos produtos endógenos para a actividade turística, ajudando a rentabilizar as designadas cadeias curtas de produção, que queremos incentivar.

O quinto vector passa pela digitalização da promoção turística e pela adoção de uma estratégia concertada e profissional de comunicação on-line, que retire o Turismo Rural do quase anonimato em que se encontra. Nesta área e transversalmente a toda a nossa atividade promocional, a ERT imprimirá um novo fôlego ao posicionamento e comunicação on-line do destino, através da execução do programa Alentejo/Ribatejo 3.0, que apostará, entre outras dimensões, no lançamento de uma plataforma de apoio à venda e de um sistema de CRM associado, tornando o marketing do destino mais direccionado e relacional.

Com a Agência Regional de Promoção Turística trabalhar-se-á o desdobramento da estratégia nos mercados internacionais.

Mas todo este de trabalho de planeamento requer inteligência de mercado e para isso é necessário dispor-se de informação sobre hóspedes, dormidas, taxas de ocupação e proveitos. Tanto mais que o conhecimento do cliente do turismo rural constitui um dado fundamental para definir estratégias de marketing, basta pensar na mutação do respectivo perfil que está a acontecer, com cada vez maiores franjas do segmento urbano a quererem experienciar as actividades e as ofertas associadas ao Turismo Rural.

O Turismo Rural na sua expressão de alojamento tem também que deixar de ser o parente pobre do edifício estatístico do turismo em Portugal. É por isso que deixamos aqui o repto ao INE para que integre o mais rápido possível e na plenitude, os empreendimentos de turismo rural nas estatísticas do turismo nacional.

O sucesso deste Congresso será também avaliado pelo cumprimento futuro das propostas e dos desafios que daqui sairão.

Um primeiro balanço do trabalho realizado fica prometido para daqui a dois anos, quando em outubro de 2016 o Alentejo/Ribatejo receber o 6º Congresso Europeu d

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