Coral Publia Hortensia de Castro celebra Bodas de prata em Elvas
Nota de Imprensa:
Acho que agora é hora de se tirar o chapéu à organização do espetáculo/gala que nos foi oferecido no passado sábado 2 de junho no Auditório S. Mateus da nossa cidade de Elvas. Façam a devida vénia aos organizadores, aos artistas intervenientes bem como ao apoio e empenho subjacente do próprio coral tanto na organização como na execução deste evento.
Para começar, a brilhante ideia de se ter convidado artistas de estilos multivariados (alguns vindos de fora). E começamos pelas peças sacras interpretadas pelo próprio coral: magnífica sonoridade, boa direção coral pelo respetivo Maestro e tudo com um exímio acompanhamento instrumental (ao piano Sérgio Varalonga e na flauta Marta Caetano) de grande qualidade e desempenho. Seguiu-se o desempenho do primeiro convidado Luís Tavares a cantar duas árias de música clássica: e com classe.
O Pianista Sérgio Varalonga
Mas o que veio a seguir…é obra: o já referido pianista leiriense Sérgio Varalonga brindou-nos com três peças da sua autoria: três prelúdios para piano solo interpretados pelo próprio. Isto, é considerado um duplo luxo: compõe e interpreta as suas obras. «Das mãos deste magnífico pianista-músico só sai poesia, ele só transpira música. Incrível.» «São Pianistas como este, gente capaz de fazer o mundo andar para a frente.» Era este o comentário ouvido ao lado. Bom e, de repente, o registo muda; passamos ao…Fado. O Nelson Cardoso saca-nos dois potentes fados (um dos quais com letra de sua autoria). A graciosidade do sangue ao rubro na plateia eleva-se ainda mais do que aquilo que já estava a acontecer. Segue o Coral com três peças do compositor F.L. Graça: música popular mas harmonizada pelo compositor com uma execução de tal forma viva e enérgica…e a gala continua com o pianista Sérgio Varalonga. Cuidado, se até aqui os comentários eram assombrosos, no Estudo n.1 que o próprio compôs e interpretou…só visto. Tamanha a dificuldade de escrita quanto a sua execução, quanto a sua audição. Aqui, todos ficámos estupefatos, siderados e perplexos com o pianista, com a própria música bem como com a possibilidade de se poder humanamente executar um trecho como aquele. Desde estas linhas, auguramos uma brilhante carreira a este jovem pianista tanto como compositor como pianista. O Nelson volta a aparecer em palco: bom, o deslumbramento pelo último fado cantado (também interpretado pela nossa Amália) foi de uma beleza ímpar, um tremendo êxito pela sua interpretação, dicção e presença. Muda-se novamente de registo e surge a Soprano Jacinta Almeida que nos traz duas autênticas maravilhas de árias de Ópera: Vissi d’arte de Puccini e Prendi de Donizzeti. A excelente voz de Elvas a que já nos vai habituando Jacinta Almeida, só experimentado e presenciado ao vivo, pois é difícil descrever o que se vê e ouve. E, o espetáculo lá continuou. O Coral apresenta então o seu melhor. Vimos que o Coral esta vez quis mostrar e demonstrar algo: que sabe cantar, que ‘quis dar show’, que quis fazer uma gala e acabar em grande. Como? Regalando-nos as duas peças finais de ópera: O Coro dos escravos de Verdi….Que mais palavras acrescentar a esta beleza?… E para ‘partir a loiça’ um desafio para o Coral, anunciado pelo próprio Maestro: o Brindisi de La Traviata de Verdi. Entram em cena os solistas (Jacinta Almeida e Luís Tavares), o Coral, o Piano e a Flauta. Que dizer desta dificílima peça onde todos são altamente intervenientes? Que foi, de fato, a cereja em cima do bolo. Indescritível; só presenciando aquilo que presenciámos… os que lá estivemos. Para terminar ainda acrescento um par de notas: uma impecável apresentação ‘power point’ da história do Coral desde o seu nascimento até à atualidade enquanto decorria o espetáculo e uma apresentadora de alto nível (a Débora Barros) que se manteve sempre à altura do acontecimento: foi apresentadora e intérprete do próprio PHC.
Termino de vez, felicidades PHC e uns fortes parabéns por esta obra-prima que foi o comemorar do vosso aniversário; belo pretexto para trazer um espetáculo a Elvas de altíssimo nível, que há já algum tempito não vimos por estas bandas. Muito obrigado e até daqui a 25 anos.
A Direção

