Deficiência: Português que joga basquetebol em cadeira de rodas é caso de sucesso em Espanha

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bandeira-portugalElvas, Portalegre, 02 Dez (Lusa) – Hugo Lourenço foi o primeiro atleta português de desporto adaptado a jogar numa equipa estrangeira. Há sete anos que joga basquetebol em cadeira de rodas na equipa C.P. Mideba, em Badajoz (Espanha).

“É muito gratificante. Eu sempre tive apetência para o desporto, embora o basquete não fosse a minha actividade desportiva favorita. Quando experimentei basquete em cadeira de rodas foi amor à primeira vista”, disse à agência Lusa.

Tinha onze anos quando lhe foi diagnosticado um tumor na perna e a amputação foi inevitável. Tal não significou que perdesse a vontade e a alegria de viver. Formou-se como técnico de anatomia patológica e exerce no Hospital Amadora-Sintra.

Hugo admite que vive dividido entre duas paixões: o basquetebol e a profissão, mas confessa que é o desporto que lhe dá “a estabilidade emocional” de que necessita.

Todas as sextas-feiras viaja de Lisboa para Badajoz para o treino com a equipa formada por catorze elementos. Há três anos que tem a companhia do Pedro Gonçalves, também português.

“A partir de sexta-feira a mentalidade muda. Deixo o papel de técnico de saúde em Lisboa e durante o fim-de-semana encarno outra personagem”, descreve.

Com as viagens, treinos e jogos, o desgaste físico acaba por surgir, mas Hugo diz que o que o move “é a paixão por esta modalidade e todo o esforço acaba por compensar”.

O atleta português já foi convidado para jogar noutros clubes da Europa, mas se aceitasse teria de abandonar o emprego, do qual também gosta muito. “A única forma de as duas paixões se compatibilizarem é jogar aqui em Espanha”, explica.

Hugo reconhece que em matéria de basquetebol em cadeira de rodas, os dois países (Portugal e Espanha) vivem realidades muito distintas. “Em Portugal há desconhecimento da modalidade e por conseguinte não há apoios financeiros nem infra-estruturas para a sua prática. Não faz sentido que se continue a encarar o desporto para deficientes como uma terapia. Tem de se aceitar que as pessoas que o praticam também podem ser atletas de alta competição”, defende.

Em Badajoz a realidade “é completamente diferente”, frisa. “O basquetebol em cadeira de rodas tem vários níveis: a terapia, o lazer e a competição. Os nossos jogos têm sempre as bancadas cheias de público que nos vem aplaudir e apoiar”, acrescenta.

Na época desportiva 2004/2005, Hugo aceitou o desafio e praticou a modalidade como profissional em Badajoz. A experiência “foi muito enriquecedora, as pessoas reconheciam-me na rua pela minha prestação desportiva”, recorda.

A equipa C.P. Mideba de Badajoz está na primeira divisão da modalidade em Espanha. “Em Portugal tinha de pagar para jogar e aqui pagam-me para jogar”, diz Hugo, que também joga pela selecção nacional portuguesa.

António Machón, treinador da equipa de Badajoz, reconhece que o atleta português “é uma mais-valia para a equipa”, mas lamenta o facto de Hugo só poder treinar uma vez por semana com os colegas. “Se estivesse aqui toda a semana a equipa jogava melhor”, acredita.

Machón reconhece que há condições “financeiras e logísticas” para Hugo ser profissional da modalidade, mas realça que “ele também gosta muito da profissão em Lisboa e por isso é um problema de difícil solução”.

Hugo Lourenço tem agora 31 anos. Alegria e energia são características que lhe são reconhecidas. Apesar das limitações, acredita ser o exemplo de que “não há limites quando se acredita e deseja muito alcançar um objectivo”.

AYRM.

Lusa/fim.

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