Elvas e Badajoz devem complementar-se e não ser concorrenciais

O segundo encontro promovido pela Aqualia, em parceria com o jornal “Diário de Notícias”, realizou-se ao longo da manhã desta quinta-feira dia 5, com a temática “Novas soluções para novos desafios” no âmbito do projeto da Eurocidade, numa unidade hoteleira de Lisboa, tendo reunido um auditório de 120 participantes.
O programa contemplou a intervenção dos autarcas Nuno Mocinha, presidente da Câmara Municipal de Elvas, e Francisco Javier Fragoso Martinez, alcaide de Badajoz, além das comunicações de Félix Parra, diretor geral de FCC Aqualia, e António Perez Metelo, do “Diário de Notícias”.
Na sua intervenção, Nuno Mocinha explicou que “a Eurocidade é um conceito, não é um fim, mas sim um percurso”, acrescentando que “neste território temos de ser complementares e não concorrenciais”.
O edil elvense defendeu que “temos que dimensionar as infraestruturas para servir os dois lados da fronteira”, e que “seria bom que Madrid e Lisboa entendessem que, Portugal e Espanha, estão mais perto do que possa parecer”.
Sobre a Eurocidade, Nuno Mocinha referiu que “este projeto faz-nos maiores. Elvas e Badajoz formam o maior aglomerado populacional entre Lisboa e Madrid”.
O alcaide de Badajoz, Francisco Fragoso, sublinhou a “importância da cooperação transfronteiriça e dos fundos europeus no quadro comunitário 2014-2020”, para além da “necessidade de haver uma atividade conjunta das potencialidades turísticas”, entre as duas cidades.
O autarca defendeu ainda a “ativação de uma linha urbana de autocarros entre Elvas e Badajoz”, concluindo que “as duas cidades podem liderar este território da Eurocidade de forma conjunta”.
Neste encontro Eduardo Junco, embaixador de Espanha em Lisboa, afirmou que “a a cooperação transfronteiriça vai ser o tema central de um encontro que se irá realizar entre os chefes de Estado de Portugal e Espanha”.
Este abordou ainda a linha de mercadorias entre Sines e Madrid, sublinhando a sua “enorme importância, pois permite servir toda a Europa, e Elvas e Badajoz têm que aproveitar a sua boa localização”.
Neste encontro falou-se ainda da importância da criação de uma zona franca na Eurocidade, apesar de uma fiscalidade distinta em Badajoz e em Elvas.
António Perez Metelo afirmou que a “ferrovia Sines-Madrid não atravessa um deserto. A linha de caminhos-de-ferro tem de proporcionar um valor acrescentado para Badajoz e Elvas. As duas cidades não podem ficar apenas a ver passar os comboios de mercadorias”.
No centro do debate estiveram questões relacionadas com o que é uma eurocidade; a apresentação do projeto entre Elvas e Badajoz e objetivos comuns e oportunidades; áreas de desenvolvimento principais; áreas do emprego, turismo e comércio; e a plataforma logística, como motor de desenvolvimento económico desta região transfronteiriça.
Recorde-se que, a 12 de junho do ano passado, em Madrid, decorreu um encontro do mesmo género, com convidados sedeados na capital espanhola, tendo sido anunciado o segundo encontro a realizar-se em Lisboa e com o objetivo, em primeiro lugar, de dar a conhecer a realidade da Eurocidade Elvas – Badajoz, como a maior concentração urbana entre as duas capitais ibéricas.
