Fotografia: Fotógrafo premiado em Mora encara fotografia como “o coração a bater”

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Foto: Paulo Pimenta -  http://paulopimenta.blogspot.com/
Foto: Paulo Pimenta - http://paulopimenta.blogspot.com/

Ao encarar a fotografia como se fosse “um pulmão ou o coração a bater”, Paulo Pimenta ficou ontem honrado, e visivelmente emocionado, por vencer o principal galardão do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Câmara Municipal de Mora.

“Ainda estou a viver o momento do prémio, mas é uma grande honra”, afirmou o fotógrafo à agência Lusa, ainda com a emoção “retratada” no rosto, momentos depois de receber o galardão, que inclui um troféu e 7500 euros.

Paulo Pimenta, que trabalha para o jornal Público, no Porto, foi um dos laureados, em Mora, na entrega de galardões da primeira edição deste Prémio Internacional de Fotojornalismo, dedicado exclusivamente à reportagem.

A iniciativa é promovida pela associação Estação Imagem, com sede em Mora e dedicada ao estudo e promoção da imagem, com particular enfoque na fotografia documental, e pelo município local.

O concurso integrou ainda outras sete categorias, cujos vencedores receberam um troféu e 2500 euros cada: Notícia, Vida Quotidiana, Ambiente, Ação no Desporto, Artes e Espetáculo, Série de Retratos e a categoria especial 2009 Ano de Eleições.

Afirmando que a fotografia, para si, é “como um pulmão ou o coração a bater”, Paulo Pimenta venceu esta primeira edição com uma reportagem da linha ferroviária do Sabor, desativada em 1988.

O fotógrafo explicou à Lusa que se tratou de um trabalho feito em novembro passado, para o Público, com um colega do Porto, que assinou o texto.

“Fizemos o percurso quase total da antiga linha ferroviária. Foi um bocado o trabalhar da memória e das recordações dos lugares”, revelou.

Considerando-se “um privilegiado”, por fazer aquilo que gosta, Paulo Pimenta realçou a importância da valorização da reportagem fotográfica, tal como o diretor da Estação Imagem, Luís Vasconcelos, que alertou que esta “quase desapareceu dos jornais e das revistas” em Portugal.

“Obriga-nos, primeiro, a estar mais atentos, a trabalhar e pensar melhor e a não desistir. Em segundo, incentiva-nos a continuar a lutar pela fotografia e pelo fotojornalismo”, argumentou o vencedor.

A vice-presidente do Departamento de Fotografia da Reuters e presidente do júri da edição 2010 do World Press Photo, Ayperi Karabuda, liderou o júri desta primeira edição do prémio.

Em declarações à Lusa, Ayperi Karabuda garantiu que “deu muito prazer” analisar as mais de 600 reportagens, num total de 5500 fotografias, candidatadas ao prémio internacional, da autoria de 190 fotógrafos.

“A qualidade dos trabalhos foi uma surpresa muito agradável” e “descobrimos muitas coisas interessantes sobre Portugal”, assegurou.

A presidente do júri considerou ainda “interessante” que a “narração visual” seja estimulada, tanto através da foto-reportagem, como de outras “linguagens”, nomeadamente a multimédia.

No próximo ano, o concurso não vai ter a categoria especial de Eleições, mas vão ser criadas duas novas: Vídeos Documentais de Três Minutos e O Ano Europeu do Voluntariado.

RRL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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