Fronteira revive a histórica Batalha dos Atoleiros

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Batalha dos Atoleiros

A vila de fronteira, no Alentejo, será palco,
nos dias 2 e 3 de Abril de 2011, da Feira Medieval
e da recriação histórica da batalha dos Atoleiros, que recorda a vitória de Portugal sobre Castela, em 1384.

No primeiro fim-de-semana de Abril (dias 2 e 3), Fronteira, no Alentejo, mergulha no tempo e a vila transforma-se num verdadeiro palco de história e num ambiente único de feira medieval.

Durante estes dias, Fronteira Medieval 2011 convida-o a regressar ao passado e a reviver a histórica Batalha dos Atoleiros, recordando a vitória de Portugal sobre Castela, em 1384, sendo que os portugueses não sofreram uma única baixa.

Se procura momentos de lazer diferentes e culturais, estes são dias a marcar na agenda. Rume até ao Alentejo, descubra o ambiente medieval da vila de Fronteira e prepare-se para a batalha em que D. Nuno Álvares Pereira haveria de expulsar os invasores castelhanos.

E por que não participar, como figurante, nesta que foi uma das mais importantes e determinantes lutas de independência de Portugal? A recriação da Batalha dos Atoleiros decorre domingo, dia 3 de Abril, às 15H00, no Campo da Batalha, na zona industrial de Fronteira.

Apareça, regresse à Idade Média e faça parte deste momento único da história portuguesa. Conviva com as figuras mais tradicionais de outros tempos, integre-se activamente no espírito da festa, envergando as roupas tradicionais, participando nas brincadeiras e animando o espaço da feira.

Viaje no tempo até ao dia 6 de Abril de 1384, aliste-se nas fileiras do respeitado chefe de guerra D. Nuno Álvares Pereira e empunhe as armas contra os inimigos castelhanos vindos do Crato nesta recriação da Batalha dos Atoleiros. No final, celebre a vitória portuguesa.

A recriação da Batalha dos Atoleiros demonstra também como a batalha foi um acontecimento de extrema importância na chamada crise de 1383 a 1385, tendo consagrado e definido, de uma vez por todas, a identidade de Portugal, como país, como povo e como nação.

A abertura oficial da feira medieval de Fronteira realiza-se no sábado, dia 2, às 12H00. Ao longo do dia há animação de rua, desde danças e folias com saltimbancos e menestréis, visita do almotacem e do meirinho aos mercadores, passando pelo teatro de rua até a espectáculos com cuspidores de fogo e malabaristas. No Parque de Jogos Medievais, os mais pequenos e as famílias vão poder divertir-se, experimentando as mais diferentes formas de entretenimento da época.

Depois de apreciar o mercado medieval que decorre ao longo das ruas e praças da vila, entregue-se aos comeres e beberes medievais nas tabernas do mercado e, às 21H00, assista ao torneio de armas a cavalo na praça do burgo.

Ao final da noite (22H30), assuma o seu patriotismo e apoie a partida dos homens de armas que vão engrossar as fileiras do exército português, comandado por D. Nuno Álvares Pereira, e que enfrentarão os espanhóis na Batalha dos Atoleiros.

O sábado termina com um espectáculo de dança e malabares de fogo “Os Guardiães do Tesouro”.

No domingo, as tasquinhas continuam a atrair os visitantes, assim como o mercado medieval. Às 15H00 acontece a tão esperada Recriação da Batalha dos Atoleiros. Duas horas mais tarde, às 17H00, as tropas de D. Nuno Álvares Pereira chegam ao burgo, animadas pela celebração da vitória e a aclamação popular.

A feira medieval de Fronteira faz-nos recuar no tempo e leva-nos ao convívio de perto com bobos, trampolineiros, saltimbancos, acrobatas e malabaristas, misturando-nos no bulício da multidão com soldados, contadores de histórias, vendedores de sonhos e ilusões, numa azáfama constante por entre os mercadores e mesteirais, bufarinheiros e almocreves, mercadores, mendigos e aleijados, larápios e romeiras, gentis-homens e clérigos… tudo isto no meio de uma enorme gritaria de pregões e incitamentos próprios da algazarra de uma feira de outrora.

A animação permanente e o espírito medieval de uma feira do século XIV invadem o visitante e transportam-no para um tempo imemorial.

No ar pairam os mais variados aromas. Febras, torresmos e sardinhas tostam nas brasas. As sopas, os enchidos e o porco no espeto saciam outros apetites. Associando-se a estes cheiros, outros, mais doces, completam o menu. Manjares de leite e de mel, doçaria conventual e as mais diversas frutas, completam a dieta alimentar da época.

A organização é da Câmara Municipal de Fronteira e a entrada é gratuita.

Como chegar a Fronteira:

Seguir em direcção a Estremoz pela A6 e depois seguir pela EN245 em direcção a Fronteira.

As coordenadas GPS:

Igreja Matriz:

-07″39’55,833″

39’03’24,482″

Adro de Baixo:

-07″30’58,958″

39’03’23,717″

Reconstituição histórica da Batalha dos Atoleiros:

-07″38’31,707″

39″03’12,968″

A Batalha dos Atoleiros

A 6 de Abril de 1384, D. Nuno mandou tocar as trompetas pelas 06H00, ouviu missa e, depois, partiu com a sua gente em direcção a Fronteira, que estava a ser cercada pelos castelhanos vindos do Crato.

D. Nuno parte com um exército de 1500 homens. Pequena hoste, face à dimensão da tarefa que o aguardava. Chegado à Herdade dos Atoleiros, 2,5 Km a sul de Fronteira, Nuno Álvares Pereira suspendeu a marcha e escolheu um local apropriado para colocar a sua hoste. Optou por um terreno ligeiramente inclinado e que tinha em toda a extensão, na zona mais baixa, uma ribeira, chamada das Águas Belas.

Tratou-se de um local extremamente bem escolhido, pois embora fosse aparentemente convidativo para um ataque, tinha diante de si uma ribeira, que não se vê a não ser de perto, e que era suficientemente larga e profunda para constituir um fosso. Por outro

lado, ao colocar os seus homens num local ligeiramente mais elevado, proporcionava um ângulo de tiro muito vantajoso para os besteiros.

Nuno Álvares tratou, então, de ordenar o seu pequeno exército. Em primeiro lugar, mandou apear toda a cavalaria, mal armada, e que seria incapaz de resistir ao choque dos esquadrões castelhanos. Seguidamente, organizou com eles a vanguarda, as duas alas, colocando ainda alguns cavaleiros na retaguarda. Depois, colocou os besteiros pelas duas alas e também atrás da vanguarda, de onde pudessem alvejar, com sucesso, os castelhanos quando estes se aproximaram. Distribuiu ainda os cerca de 1100 homens a pé pela vanguarda, alas e retaguarda, sem, contudo, deixar de misturar no meio deles alguns cavaleiros da sua confiança para os susterem, ou mesmo matar, em caso de querem fugir com medo dos castelhanos.

Formou, portanto, com os seus homens as quatro faces dum quadrado.

O exército castelhano era composto por cerca de 1000 cavaleiros e 4000 homens a pé. Chegados ao local, os castelhanos, ao verificarem quanto diminuta era a hoste portuguesa e a inferioridade do seu armamento, abandonaram a ideia de combaterem a pé e decidem montar os seus cavalos, convencidos de que a vitória estaria garantida.

Ao aproximarem-se dos portugueses, os castelhanos receberam em cheio os dardos e virotões desferidos pelas fileiras interiores do exército português, lançados por cima da vanguarda portuguesa. Também os peões portugueses lançavam pedras em direcção aos castelhanos. Por outro lado, a própria natureza do terreno, que neste local é bastante argiloso, fez com que vários cavalos tenham enterrado as suas patas no solo, deixando de conseguir avançar.

Não conseguindo penetrar no exército português, nem romper a sua vanguarda, os cavaleiros castelhanos continuaram a ser atingidos pelos portugueses e, perante o crescente número de cavalos e cavaleiros caídos por terra, a sua movimentação ia sendo cada vez mais difícil.

Esta situação foi provocando uma crescente confusão na hoste castelhana. Em face desta situação, os castelhanos recuaram e agruparam-se. Efectuaram, então, um segundo ataque que foi igualmente mal sucedido. O terceiro e quarto ataques foram efectuados contra as alas portuguesas, que continuaram a resistir heróica e eficazmente.

A batalha foi relativamente rápida, tendo durado aproximadamente uma hora. Com efeito, após verificarem que não conseguiam vencer o exército português, os castelhanos saíram do campo de batalha, mas foram perseguidos por cavaleiros portugueses, montados já nos seus cavalos. Esta perseguição, na qual participou também Nuno Álvares Pereira, durou até ao cair da noite.

Este combate não originou um grande número de mortes. Do lado castelhano terão morrido cerca de 600 cavaleiros e homens a pé. Em contraste, as baixas do lado português terão sido nulas.

O segredo do êxito português esteve na capacidade do seu comandante militar, Nuno Álvares Pereira, ao colocar o exército português de uma forma extremamente eficiente no terreno.

www.batalhadosatoleiros.com

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