Munícipes procuram cada vez mais autarquias para pedir emprego e apoio financeiro

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A crise económica está a levar centenas de munícipes a recorrerem às câmaras para pedir emprego, casa ou ajuda para pagar as contas, realidade que os autarcas admitem não ser nova, mas que se tem acentuado nos últimos tempos.

Em Portalegre, o presidente da Câmara, Mata Cáceres (PSD), afirmou ser “constante” o recurso à autarquia de habitantes, alguns em “situações dramáticas”, para solicitar emprego ou habitação social.

    Mata Cáceres explicou ainda que, mais recentemente, “têm aparecido vários casos de munícipes que estavam a receber subsídio de desemprego, na sequência do encerramento de uma fábrica na cidade, e esse mesmo subsídio está a terminar”.

    Manifestando-se “preocupado” com a situação, o autarca disse ter já solicitado uma reunião ao presidente do Instituto da Segurança Social, Edmundo Martinho, para tentar “minimizar” todo este problema.

    Nas audiências semanais da Câmara de Beja, “os pedidos de emprego e casa são o pão nosso de cada dia”, disse à agência Lusa o presidente do município, Francisco Santos, mostrando-se “angustiado” porque “a Câmara não tem capacidades para responder a todos os problemas sociais”.

    “Quando os outros serviços não conseguem dar resposta, as pessoas vêm à Câmara”, disse o autarca, precisando que “sete das nove pessoas” que atendeu recentemente “procuravam emprego e casa”.

    “O que mais me custa é que são sobretudo pessoas relativamente novas”, confessou, referindo que “há muito tempo que se nota a crise nas audiências semanais da Câmara, apesar de agora ser mais evidente”.

    Na vila alentejana de Arraiolos, distrito de Évora, o presidente do município, Jerónimo Lóios, contou à Lusa ter recebido recentemente três pessoas que procuravam emprego, o que “não acontecia há largos meses”.

    Outro sinal da “crise”, segundo o autarca, é a diminuição do trabalho para as pequenas e médias empresas do sector da construção civil.

    “Alguns empresários da construção civil do concelho já contactaram a câmara a perguntar sobre as obras municipais previstas, porque lhes começa a faltar trabalho”, relatou Jerónimo Lóios.

    O autarca indicou ainda o cada vez maior número de currículos de habilitações que são enviados mensalmente para os serviços da câmara.

    Também no distrito de Évora, em Vendas Novas, o presidente da câmara, José Figueira (CDU), confirmou que se nota “alguma afluência” de pessoas à autarquia a pedir emprego.

    A situação, segundo o autarca, está relacionada com o facto de empresas do sector automóvel, instaladas no concelho, “estarem a dispensar trabalhadores”.

 

Lusa/Tudoben

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