Nisa:Associação quer autarquias na luta pela requalificação de minas abandonadas

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A associação Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) quer envolver as autarquias na luta pela requalificação das minas de urânio abandonadas depois de décadas de exploração, disse hoje o seu presidente, António Minhoto.

“São vários os concelhos onde vamos agir junto das câmaras para que elas não abandonem esta questão”, frisou António Minhoto à agência Lusa, exemplificando com as autarquias de Mangualde, Nelas, Sabugal e Guarda.

Prestes a completar dez anos de atividade (em 2012), a AZU admite que teve de iniciar esta luta sozinha, até porque o perigo de radioatividade das minas de urânio “foi sempre tabu para as câmaras e até para algumas juntas de freguesia, que não queriam levantar o problema porque punha em risco a economia local”.

A Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM) tem em curso um plano de recuperação ambiental das áreas mineiras degradadas que, segundo a AZU, deverá ficar concluído em 2013.

“Queremos organizar seminários e, em conjunto com as câmaras municipais, não deixar que este assunto caia no esquecimento”, frisou António Minhoto, receoso de que a situação do país possa parar o plano traçado.

O responsável disse ser importante promover seminários onde participe a população, “para que as pessoas percebam que estão a correr riscos” devido às minas de urânio abandonadas.

“Dado que a radioatividade não se cheira e não se vê, vive-se uma situação ilusória e as pessoas deixam-se andar”, lamentou, alertando, nomeadamente, para “as minas junto a ribeiras e rios que contaminam esses recursos naturais”.

Apesar de ter sido criada em Canas de Senhorim, concelho de Nelas (onde esteve sediada a ENU – Empresa Nacional de Urânio), a AZU tem alargado o seu âmbito a outros pontos do país, tendo dirigentes no Porto, Coimbra, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Portalegre.

Neste âmbito, António Minhoto referiu que a AZU está também preocupada com o recurso de Portugal à energia nuclear e com a exploração de urânio em Nisa.

“A exploração de urânio em Nisa não faz qualquer sentido, atendendo aos perigos por que passaram os antigos mineiros da ENU”, frisou.

No próximo dia 29 realiza-se em Nisa “um grande debate sobre o nuclear, nomeadamente sobre as centrais nucleares espanholas que estão junto à fronteira portuguesa, que conta com a participação de organizações nacionais e estrangeiras e autarquias”, acrescentou.

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