Portalegre: Feira de Doçaria Conventual aposta na “qualidade” e “seleção rígida” dos doceiros presentes
A organização da Feira de Doçaria Conventual de Portalegre sustentou hoje que a edição deste ano do certame vai ficar marcada pela “qualidade” e pela “seleção rígida” dos doceiros que irão participar no evento.
“Estamos a ser muito rígidos na seleção de quem participa”, garantiu Ana Soeiro, da Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses (QUALIFICA).
A feira, que cumpre este ano a sua décima edição, decorrerá entre os dias 23 e 25 de abril, no Convento de Santa Clara, espaço que serviu de palco para a primeira edição daquele evento.
Ana Soeiro, que falava aos jornalistas em Portalegre durante uma conferência de imprensa de apresentação da feira, explicou que o rigor imposto este ano tem como objetivo “promover a verdadeira doçaria conventual e impedir que o consumidor seja lesado”.
Organizada pela Câmara Municipal de Portalegre, a mostra, que conta com o apoio da QUALIFICA, tem como objetivo preservar os doces que noutros tempos eram confecionados pelas freiras dos Conventos de Santa Clara e de São Bernardo, naquela cidade alentejana.
Dados históricos indicam que, em Portalegre, até meados do século XX, as religiosas dos conventos de Santa Clara e São Bernardo confecionaram e comercializaram diversos doces, tais como o Manjar Branco, o Toucinho do Céu, os Rebuçados de Ovos, o Queijo Dourado e a Lampreia de Portalegre.
Conhecida em tempos como a “cidade dos sete conventos”, devido à sua tradição religiosa, Portalegre possui um vasto número de receitas de doces conventuais, com origens remotas que estão guardadas a “sete chaves” pelas doceiras.
A décima edição da Feira de Doçaria Conventual de Portalegre não vai contar com a participação de um número muito avultado de expositores vindos de norte a sul de Portugal, mas, ainda assim, vai contar com a participação de vários doceiros vindos de Espanha, França, Itália e Alemanha.
Considerada pela autarquia alentejana como um evento de “referência”, o certame volta a ter o apoio da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre e da Universidade Laboral de Cáceres (Espanha), que participarão em várias iniciativas.
Durante o certame haverá animação musical e cultural, “doces criações gastronómicas” apresentadas numa cozinha ao vivo, atelier de pastelaria, concursos de doçaria (Melhor Doce Conventual), um atelier infantil subordinado ao tema “Mãos na Massa” e uma exposição de peças relacionadas com o mundo da doçaria.
A apresentação do livro “Doçaria Conventual para Mentes Pecaminosas”, da autoria de Manuel Gonçalves da Silva, e um “laboratório de gosto”, onde se provam vários doces conventuais, são outros dos atrativos deste certame.
Na Feira de Doçaria Conventual podem ser saboreados vários doces, nomeadamente barrigas de freira, pães de rala, toucinhos-do-céu, fidalgos, ovos-moles, castanhas de ovos, rebuçados de ovos de Portalegre e pastéis de Belém e de Tentúgal.
Leite Serafim, Manjar Branco, Lampreia de Amêndoa, fartes e queijinhos do céu são outros dos doces que vão marcar presença.
“Nós vamos ter uma feira à imagem de anos anteriores porque nós temos que superar com arte e engenho aquilo que são algumas das dificuldades (financeiras) que nos vão batendo à porta”, garantiu o presidente da Câmara de Portalegre, Mata Cáceres.
“Nem sempre o dinheiro é um grande capacidade de evidenciar uma qualquer realização. Aquilo que nos falta eventualmente em verbas é superado por um excesso de dedicação e empenho”, concluiu.
HYT
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Tudoben
