Psicóloga do Hospital de Elvas continua a acompanhar o caso da menina que fugiu de casa

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Psicologa_Maria_Joao_Varela
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O Tudobem-Portal Alentejano esteve esta terça-feira 25 de Março em conversa com a psicóloga do Hospital de Elvas, Drª Maria João Varela, a propósito do caso da criança que fugiu de casa e andou desaparecida durante alguns dias.

Quisemos saber como se encontra a menina a família e o tipo de acompanhamento que está a ser feito pelos técnicos.

Tudobem (TB): Que nos pode adiantar sobre o acompanhamento que está a ser feito à Cátia e sua família?

Drª Maria João Varela (MJV): A Cátia já era acompanhada anteriormente a este episódio através da nossa consulta de jovens, que é nas quartas-feiras à tarde, direcionadas para crianças e jovens em risco. Entretanto fui contactada (após o seu aparecimento) pela GNR se poderia continuar a dar apoio e suporte, mostrei-me disponível e hoje mesmo desloquei-me à residência da menor, acompanhada por estas forças de segurança.

TB: Como se encontrava a Cátia?

MJV: A menina estava calma tranquila, acompanhei-a inclusivamente aqui ao Hospital para fazer algumas análises e alguns procedimentos clínicos necessários. Voltámos à sua residência onde se encontra neste momento. Temos novamente uma consulta agendada para amanhã, aqui no Hospital.

TB: Como estava a família?

MJV: É normal que a família se sinta um pouco perdida e não entendam bem as reações da menor. Mas com a ajuda da menina e a colaboração dos técnicos e da família, penso que chegaremos a um entendimento e a um ambiente mais estável para que haja maior compreensão. Desde o início do acompanhamento à Cátia estive sempre disponível para ajudar a mãe para o que fosse necessário. A mãe e o irmão procuraram-me diversas vezes e eu sempre tentei colaborar no que fosse possível, e continuamos a colaborar, inclusivamente a mãe tem o meu contacto pessoal e sabem que me podem procurar aqui no serviço em qualquer dia e qualquer hora.

TB: Tem mais casos semelhantes a este em Elvas?

MJV: Infelizmente não é uma situação pontual, cada vez vão aparecendo mais casos destes. Estamos a falar de idades complicadas, (14-15) com crises de identidade e em que nós os pais estamos a trabalhar e muitas vezes não conseguimos detetar a tempo estes sinais.

TB: O que origina uma atitude destas, o fugir de casa?

MJV: Como referi atrás, nestas idades há um conflito de gerações e que não são bem entendidas pelos adolescentes, por sua vez as famílias também sentem dificuldades em comunicar e em falar sobre estas questões e os jovens acabam por se refugiar onde é mais fácil, e muitas vezes este tipo de comportamentos são também formas de chamar a atenção.

TB: Alguma recomendação para os pais?

MJV: Que estejam próximos, que estejam atentos, especialmente aos seus pedidos de socorro, porque os jovens pedem muitas vezes ajuda, e não é fácil para eles esta transição de idades. Os adultos muitas vezes é que não estão atentos e não nos apercebemos desses pedidos de ajuda. Percebam qual é o seu circuito escolar, qual é o seu dia-a-dia, os seus horários, estejam próximos dos computadores que eles usam e das páginas que visitam.

 

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