Tejo: Vila Velha de Ródão e Nisa lançam obras no valor de três milhões para projetar Portas de Ródão

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Foto: Arquivo
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Vila Velha de Ródão, Castelo Branco, 17 mar (Lusa) – Vila Velha de Ródão e Nisa lançam este mês obras no valor de três milhões de euros junto às Portas de Ródão, nas margens do Rio Tejo.

A Câmara de Nisa anunciou que vai candidatar a fundos comunitários a construção e instalação de um museu e centro interpretativo daquele monumento natural, que pode ascender a milhão e meio de euros.

Na margem direita do Tejo, em Vila Velha de Ródão, arranca este mês a requalificação urbanística do Cabeço das Pesqueiras. As obras, numa área de 15.800 metros quadrados, incluem a recuperação de um antigo lagar de varas, a instalação de um miradouro e de zonas de recreio sénior e infantil.

O novo espaço vai estar ligado ao cais do Tejo através de um passeio pedonal de 500 metros à beira do rio. Ao lado do cais, de onde partem as viagens de barco no Tejo, vai nascer um parque de campismo rural e de auto-caravanas.

O passeio pedonal vai ainda levar os visitantes até à estação arqueológica do Enxarrique, “um sítio classificado que vai ficar preservado”, explica Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão.

Segundo a autarca, o conjunto de obras deverá estar pronto dentro de um ano para valorizar e atrair mais visitantes até ao monumento natural das Portas de Ródão, um dos principais sítios do Geopark Naturtejo.

Na margem esquerda, o município de Nisa vai lançar nas próximas semanas a construção de dois cais, um dos quais de médio porte, para permitir o acesso a circuitos pedestres.

Pontos de passagem obrigatório as antigas minas de ouro romanas, o Conhal do Arneiro, hoje um sítio arqueológico e geossítio do Geopark Naturtejo.

Ali, a Câmara de Nisa pretende construir um centro interpretativo, cuja candidatura a fundos de cooperação transfronteiriça está a ser preparada.

“Queremos que seja um centro de interpretação do Tejo, um espaço inovador e interativo onde os visitantes vão observar o processo de formação da Portas de Ródão”, outrora uma queda de água, que o Tejo rasgou ao longo da história, formando uma das mais estreitas e emblemáticas passagens do rio.

Está também prevista a instalação de torres de observação da avifauna que inclui espécies raras como a cegonha negra ou o bufo real.

“São intervenções mínimas, pois este é um sítio da Rede Natura, mas representam uma aposta no turismo de natureza, saúde e bem-estar”, destaca Gabriela Tsukamoto, presidente da Câmara de Nisa.

As Portas de Ródão fazem parte das 21 maravilhas naturais de Portugal, no concurso que até setembro pretende eleger sete. O monumento natural é apadrinhado pelo pintor e ceramista Manuel Cargaleiro, natural de Chãos das Servas, Vila Velha de Ródão.

Com 83 anos de idade e apesar de aquela ter sido uma paisagem que o acompanhou na infância, Cargaleiro viajou de barco pelas Portas de Ródão pela primeira vez na segunda feira.

“Conheço bem a maior parte dos países na Europa e esta paisagem é esmagadora. É um espaço grande e único no mundo”, sublinhou no final da visita.

O artista está atualmente a colaborar com a Câmara de Vila Velha de Ródão na criação de peças de artesanato baseadas na antiga tradição das mantas de retalho e com motivos alusivos às Portas de Ródão.

LFO.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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