Vinhos: Alentejo quer aumentar exportações, ao deter quase metade da cota de mercado nacional – CVRA

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vinhosOs produtores vinícolas do Alentejo, região que detém quase metade da cota de mercado nacional da comercialização de vinhos, apostam cada vez mais nas exportações, que representam 17 por cento das vendas, indicou hoje a Comissão Vitivinícola Regional.

“O interesse dos produtores e dos agentes económicos na exportação tem vindo a aumentar e temos hoje empresas fortes nesse âmbito”, afiançou a presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), Dora Simões.

A responsável falava à Agência Lusa à margem do 8.º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, realizado de três em três anos e cuja edição deste ano arrancou hoje em Évora, prolongando-se até sexta feira (o último dia é só para visitas).

Este é um dos maiores fóruns nacionais de apresentação de trabalhos académicos e científicos na área da vinha e do vinho, além da novidade, este ano, da exposição de casos práticos, nas áreas de viticultura, enologia, marketing e sustentabilidade.

Questionada pela Lusa quanto ao patamar atingido pelos vinhos do Alentejo, a presidente da CVRA assegurou que a região é “talvez a que mais cresceu a nível nacional, ao longo dos anos”, no que respeita “à produção” e “à qualidade”.

Como exemplo, Dora Simões apontou que, há 24 anos, quando foi realizado o primeiro Simpósio de Vitivinicultura, “o Alentejo não tinha a posição de mercado que tem hoje em dia”.

“O Alentejo é a maior categoria de vinhos do mercado nacional. Detém 43 por cento da cota de mercado em valor e 41 por cento em volume. Nenhuma outra região do país se assemelha a esta”, afiançou.

Por isso, disse, devido à “característica especial de ter uma grande cota de mercado nacional”, os produtores vinícolas alentejanos estiveram, durante anos, “pouco orientados para as exportações”.

Só que esse cenário tem-se vindo a alterar e, atualmente, “17 por cento dos vinhos do Alentejo já são exportados”, estando os produtores “focados” nos mercados externos: “É aí que se consegue obter um maior retorno do investimento e valor dos vinhos”, disse.

A presidente da CVRA explicou que “o principal mercado de exportação” dos vinhos da região é Angola, seguido pelo Brasil, país para onde estas exportações “aumentaram nove por cento, no ano passado”.

Nestes dois países, exemplificou, a marca Alentejo, enquanto região produtora vinícola, “já é reconhecida e conceituada”.

“Aliás, dá prestígio ser do Alentejo e acrescenta valor ao produto, o que é muito importante porque valoriza as próprias marcas de vinhos”, sublinhou, apontando os Estados Unidos, Suíça, Alemanha e Inglaterra como outros mercados externos que mais interesse despertam na região.

Apesar de destacar o crescimento das exportações, Dora Simões defendeu que esta cota “ainda tem que crescer muito mais”, sem descurar o mercado interno.

“Quem tem 43 por cento de cota de mercado, não conseguirá crescer muito mais. Há que manter e aumentar o valor deste mercado e do vinho vendido, mas os produtores também se estão a orientar muito para o estrangeiro”, afirmou.

RRL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Lusa/Tudoben

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