Artesã elvense leva bordados alentejanos a França

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Joana Leal, artesã elvense, vai ser a única representante de Portugal na feira “Journées Gastronomiques de Sologne 2008”, a realizar de 25 a 26 de Outubro, na região de Paris, França. A conhecida artesã dos bordados de Elvas vai ainda participar num concurso de vestidos de noiva com um fato representativo das várias técnicas alentejanas de trabalhar o tecido e a linha.

 

As malas já estão quase feitas e a agulha e o dedal de Joana Leal vão viajar até França para integrar a edição deste ano da exposição “Journées Gastronomiques de Sologne”, uma mostra gastronómica que junta várias artes e ofícios, de renome internacional, a cerca de 190 quilómetros de distância de Paris.

Será mais uma oportunidade de a artesã elvense dar a conhecer o seu trabalho, depois de já ter exposto em Milão (Itália), Paris (França) e Andujar (Espanha), entre outras cidades.

 

Este regresso a França acontece por meio de um convite. “Fui contactada por uma jornalista que trabalha em França e que me disse ter ficado interessada nos meus trabalhos, depois de ter visto as fotos que o tudoben.com publicou do meu último desfile, em Elvas”, esclarece.

 

Na bagagem leva lenços das sortes, bordados de Elvas, registos, toalhas de copeira, caixas de correio em tecido, entre outros artigos com rendas tradicionais alentejanas. “Eram tudo trabalhos que se faziam nos montes, no intervalo do trabalho no campo. Antigamente as mulheres pegavam numa cana e em dois arames e assim faziam renda porque não tinham dinheiro para gastar na cidade”, especifica a artesã.

 

No próximo dia 25, uma das modelos francesas do desfile de vestidos de noiva vai envergar um fato idealizado por Joana Leal que demorou dois anos a concluir. Todo ele é elaborado à mão e já percorreu outras exposições. “É feito com matéria-prima portuguesa, à base de linho e linhas, em tons de branco e dourado. O ramo de noiva também é feito à mão, assim como o colar, os brincos e o terço com o Senhor Jesus da Piedade. Este fato tem 16 técnicas diferentes de bordados”, aponta.

Este vestido de noiva alentejana tem a designação de “pureza”, atribuído justamente com um sentido próprio. “Dei-lhe esse nome pelo branco do linho, pelo branco do Alentejo, pela pureza da linha. A linha é tão pura como as pessoas que faziam aquelas rendas. Na verdade, o que mais gostava era que existisse pureza entre as pessoas. Devíamos de ser assim uns para outros”, desabafa.

 

Joana Leal sublinha que mais do que procurar a promoção no estrangeiro, gostava que o país olhasse melhor para o seu trabalho e para os seus artesãos. “Tenho pena que em Portugal não se dê valor ao artesanato, sobretudo no Alentejo porque no Norte do país funciona. Nem temos uma associação que nos represente”, lamenta.

 

Os objectivos da exposição internacional são os de estimular a criatividade artística e o sentido estético, valorizar o talento pessoal, favorecer o relacionamento cultural e económico entre artesãos de vários países.

 

Joana Leal considera-se uma artesã e nega-se a ver-se como uma estilista: “Sou uma artesã e nada mais”, declara de forma pronta.

A possibilidade de integrar esta exposição define-a como um milagre, depois do seu atelier ter sido palco de um incêndio, em Fevereiro passado. Joana Leal assume-se como uma devota e dedica por isso esta mostra a Santa Teresa do Menino Jesus e a seus pais que foram beatificados. “Espero para esta mostra o que Deus quiser e peço aos elvenses que rezem por mim”, afirma.

 

A artesã não se cansa de agradecer aos amigos e à família o apoio prestado e faz votos para que os seus trabalhos tenham maior projecção.

 

M.G.

 

 

 

 

 

 

 

G.

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