Curtas Portugal em Festival Ibérico de Cinema de Badajaz

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Um festival dois países. O 32.º Festival Ibérico de
Cinema de Badajoz, mais ibérico do que nunca,
alarga os seus locais de realização e inclui Elvas e
Campo Maior na sua programação

O festival, que se realizará de 6 a 10 de julho, consolida a sua dimensão
transfronteiriça com uma programação em seis localidades de Espanha e Portugal
e reforça a sua aposta na curta-metragem, na música de cinema e na formação
Cinco curtas-metragens portuguesas participam na secção oficial do Festival.
Badajoz, julho de 2026
O Festival Ibérico de Cinema (FIC) apresentou a sua 32.ª edição, um evento que se
realizará de 6 a 10 de julho e que reforçará, como nunca, o seu carácter transfronteiriço
com a incorporação de Elvas, Campo Maior e Don Benito como novas sedes. Sob o
lema «Um festival, dois países», o evento alarga a sua presença territorial e consolida
um modelo cultural que transforma a Raia num espaço partilhado para o cinema e a
criação audiovisual.
Com mais de três décadas de história, o Festival Ibérico de Cinema continua a ser o
evento mais antigo entre todos aqueles que reúnem criadores de Espanha e de Portugal e
um dos principais encontros da curta-metragem peninsular. Além disso, as curtas-
metragens espanholas selecionadas voltarão a concorrer à pré-seleção dos Prémios
Goya e dos Prémios Fugaz, reafirmando o prestígio alcançado pelo festival.
A edição deste ano decorrerá em Badajoz, Olivenza, San Vicente de Alcántara, Don
Benito, Elvas e Campo Maior, graças ao acordo alcançado com as câmaras municipais
portuguesas para integrar na sua programação o Festival dos Miúdos, a secção infantil do
festival. Esta aliança representa um novo passo na construção de uma verdadeira rede
ibérica de festivais de curtas-metragens.
Numa altura em que o consumo audiovisual é cada vez mais condicionado pelas
plataformas digitais, o Festival Ibérico de Cinema defende a curta-metragem como um
espaço de liberdade criativa, diversidade linguística e experimentação narrativa. A partir
da sua natureza transfronteiriça, o festival transforma a fronteira num território de
encontro, favorecendo a circulação de obras, profissionais e públicos entre ambos os
países.
A Secção Oficial reunirá 22 curtas-metragens, selecionadas entre as cerca de 1.200 obras
recebidas de Espanha e Portugal. A programação oferece um vasto leque de géneros e
estilos, desde a comédia ou o cinema fantástico até à animação e ao falso documentário,

Nota de prensa 2
32º Festival Ibérico de Cine
com histórias que abordam questões de grande atualidade, como a habitação, a saúde
mental, a imigração, a igualdade ou a identidade de género.
Participação de Portugal
O cinema português chega com força à Secção Oficial da 32.ª edição do Festival Ibérico
de Cinema, consolidando o seu olhar profundo, poético e diversificado através de cinco
produções que se encontram entre as 22 curtas-metragens selecionadas.
Longe da uniformidade, as propostas portuguesas deste ano deslizam-se com facilidade
entre a nostalgia do verão, o realismo social mais premente e a delicadeza da animação
íntima. Entre as grandes apostas do país vizinho destaca-se «Rui Carlos», um filme
realizado por Margarida Paias que nos transporta para meados dos anos 80. Num dia
radiante de verão, uma simples bola furada quebra a inocência das brincadeiras de bairro,
obrigando o seu jovem protagonista a atravessar de repente o limiar para as
responsabilidades da adolescência. Esta obra possui, além disso, a virtude de conquistar
dois públicos distintos: vai competir na Secção Oficial e vai tentar conquistar o coração
dos mais jovens na secção infantil «Festival dos Miúdos».
A poesia também ganha espaço no ecrã, pela mão de João Pedro Mamede e a sua obra
«Noites mais fáceis». Inspirado de forma subtil num haiku melancólico de Jack Kerouac,
o realizador retrata a quietude e o isolamento de Ema durante os seus primeiros turnos
noturnos num escritório automatizado, transformando a rotina laboral numa tela de
solidões contemporâneas.
O festival torna-se também um altifalante de denúncia social com «A fronteira azul», de
Dinis M. Costa. Através de um mosaico poliglota onde se cruzam o espanhol, o
português, o francês, o inglês e o lingala, o filme narra o naufrágio de uma embarcação
clandestina ao largo da costa andaluza. Enquanto a rotina do porto permanece inalterada,
os náufragos vagueiam alucinados sobre o betão de uma Europa cega que se recusa a
vê-los.
Numa linha semelhante de urgência económica, Filipe Amorim apresenta «Agente
imobiliário sem casa para viver», uma ficção perspicaz que expõe as contradições da
crise habitacional em Portugal. Tendo como pano de fundo um aumento dos preços
imobiliários de 106%, a obra analisa as contradições de uma juventude presa na ilusão de
um setor de luxo que acaba por devorá-los.
Estas duas curtas-metragens têm em comum o facto de terem sido nomeadas nos últimos
Prémios Sophia da Academia Portuguesa de Cinema. O quinteto completa-se com a
sensibilidade de «Cão sozinho», uma joia da animação coproduzida com a França e
realizada por Marta Reis Andrade. A obra entrelaça a desolação de um cão abandonado
na sua própria casa com a dor da viuvez de um avô e a melancolia de um regresso de
Londres, tecendo uma delicada fábula sobre o isolamento e o enraizamento emocional.
Estas cinco janelas para a alma de Portugal não só enriquecem a Secção Oficial do
festival, como também relembram a vocação do Festival Ibérico de Cinema como a ponte

Nota de prensa 3
32º Festival Ibérico de Cine
cultural definitiva sobre a Raia, um espaço onde as fronteiras se esbatem para dar voz às
imagens.