Beja dá passo importante para ser uma cidade mais verde e assina compromisso para criação de Refúgio Climático

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A Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, esteve esta tarde em Beja para a assinatura do compromisso que formaliza a criação de um Refúgio Climático na cidade, no âmbito do PRO NAT.URBE – Programa de Ação para a Resiliência e Restauro da Natureza em Áreas Urbanas. Com a assinatura do protocolo entre a Agência Pró – Clima e a Câmara Municipal de Beja, a capital de distrito integra o grupo dos seis municípios-piloto, nacionais, selecionados para desenvolver projetos de adaptação às alterações climáticas, promovendo o restauro ecológico dos espaços urbanos e a criação de uma rede de abrigos climáticos.

Durante a sessão foi divulgado que o coberto arbóreo urbano de Beja é atualmente de apenas 2%, valor cinco vezes inferior ao limiar de 10% estabelecido pelo Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. Este constitui o principal indicador técnico que fundamenta a implementação do projeto, tendo em conta a elevada exposição da cidade ao calor extremo e às ondas de calor cada vez mais frequentes. Na sua intervenção, a Ministra Maria da Graça Carvalho recordou que, durante uma visita anterior ao Jardim Público, verificou que aquele espaço não apresentava as condições desejáveis para proporcionar zonas de conforto térmico durante os períodos de maior calor. Foi nesse contexto que lançou ao Município de Beja o desafio para integrar este programa nacional, reconhecendo o potencial da cidade para desenvolver um projeto-piloto de referência.

A intervenção será desenvolvida até 2028 e assenta numa estratégia integrada de adaptação climática, contemplando a requalificação de várias áreas do Jardim Público, a criação de novos espaços de sombra, a recuperação dos lagos e espelhos de água, a instalação de pavimentos drenantes e o restauro de elementos patrimoniais daquele espaço emblemático da cidade.

O projeto prevê, igualmente, o reforço da infraestrutura verde urbana através da plantação de cerca de 270 novas árvores em ruas, praças e jardins, da reposição de caldeiras vazias e da criação de novas estruturas de sombra, contribuindo para reduzir o efeito de ilha de calor e melhorar o conforto térmico no espaço público. Outra das intervenções estruturantes consiste na renaturalização do Barranco do Poço dos Frangos até ao Pelame, criando um corredor verde com cerca de 2,5 quilómetros e aproximadamente 12 hectares de espaço público natural, valorizando simultaneamente a biodiversidade, a linha de água e o património existente.

A iniciativa inclui, ainda, a criação de uma rede de abrigos climáticos, integrando espaços verdes qualificados, edifícios públicos climatizados e percursos pedonais sombreados, que será ativada em períodos de calor extremo, assegurando uma resposta de proximidade dirigida sobretudo à população mais vulnerável, nomeadamente pessoas idosas.

O Presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, destacou que este é um investimento estruturante para o futuro da cidade, permitindo aumentar a resiliência às alterações climáticas, melhorar a qualidade dos espaços públicos e promover uma cidade mais verde, saudável e sustentável.

Com esta iniciativa, Beja dá um passo decisivo para se aproximar do padrão internacional “3 – 30 – 300”, referência mundial para cidades mais verdes.