Évora/Aviação: Tráfego de ultraleves e aviões ligeiros tem vindo a aumentar no Alentejo

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avionetaÉvora, 10 mar (Lusa) – O diretor do Aeródromo de Évora destacou hoje que, nos últimos anos, tem aumentado o tráfego da aviação ultraleve e ligeira a sul do Tejo, sobretudo no Alentejo, onde ocorreu quase um terço dos acidentes aéreos contabilizados em 2009.

“O sul do Tejo, nomeadamente o Alentejo, é a zona do país onde existe um maior tráfego, tanto de ultraleves como de aviões ligeiros, e este tem crescido de ano para ano”, disse o comandante Lima Bastos.

Contactado pela Agência Lusa, o mesmo responsável explicou que este aumento de tráfego se verifica “tanto com voos lúdicos, como com voos de instrução”.

“A maior parte das escolas de instrução está sedeada em Cascais, mas a maior é a Academia Aeronáutica de Évora”, localizada no Aeródromo Municipal nos arredores da cidade alentejana, afiançou.

O comandante Lima Bastos, que já foi investigador de acidentes com aeronaves, tendo participado inclusive nas averiguações ao acidente de Camarate, que vitimou o então primeiro ministro Francisco Sá Carneiro, disse também que “a zona de Évora é a mais procurada” pela aviação civil.

A apetência pelo Alentejo, frisou, pode ser explicada pelo clima da região, mas Lima Bastos escusou-se a estabelecer qualquer relação entre o aumento do tráfego aéreo e os acidentes ocorridos em concelhos alentejanos.

“Temos um maior tráfego, devido às boas condições de visibilidade e de voo, mas isso não justifica o facto de a maior parte dos acidentes, ultimamente, terem acontecido na região”, afirmou.

Os acidentes, sublinhou, chamando a atenção para o facto de se tratarem de casos individuais, “devem-se a causas específicas das aeronaves ou dos voos”, as quais “estão a ser investigadas” pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA).

Em 2009, de acordo com dados do GPIAA fornecidos à Lusa, foram contabilizados 13 acidentes com aeronaves civis em Portugal – oito dos aparelhos ficaram completamente destruídos -, tendo quatro deles acontecido no Alentejo, ou seja, quase um terço, e os restantes, de forma mais dispersa, noutras regiões.

Do total de acidentes no país, resultaram nove mortos e sete feridos, sendo que seis das vítimas mortais e uma das pessoas feridas dizem respeito às ocorrências no Alentejo.

Já este ano, aconteceram mais dois acidentes com aeronaves, um deles também no Alentejo, no concelho de Montemor-o-Novo, no domingo, em que duas pessoas morreram.

O diretor do GPIAA, tenente-coronel Fernando dos Reis, lamentou o número de acidentes em 2009, naquele que, precisamente, “foi o ano em que saíram, para a comunidade aeronáutica, mais recomendações sobre a prevenção de acidentes”.

“As estatísticas demonstram que houve mais acidentes fatais e mais fatalidades no ano passado. Temos que aguardar pela conclusão dos relatórios sobre os acidentes para fazer uma análise e tentar perceber o porquê”, disse.

Contudo, questionado pela Lusa sobre o elevado número de acidentes com aeronaves civis no Alentejo, o diretor do GPIAA escusou-se a estabelecer qualquer relação, nem sequer com o aumento do tráfego aéreo na região.

“Não me parece razoável retirar qualquer ilação, só porque o acidente aconteceu no Alentejo ou no Minho. Há que encontrar outra fórmula para comparar coisas reais, por exemplo recorrendo ao número de horas voadas”, disse.

O tenente-coronel Fernando dos Reis insistiu que, só depois de concluídos os relatórios sobre as investigações às causas dos acidentes “é que podemos ver se há alguma relação entre eles”, porque, na sua origem, “podem estar inúmeros fatores, como meteorológicos ou falhas mecânicas”.

RRL/LL.

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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