Fortaleza de Juromenha vai ser transformada em complexo turístico de 20 ME

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A antiga Fortaleza de Juromenha, na margem direita do Alqueva, vai ser recuperada e reabilitada com um projecto turístico “inédito”, que prevê um investimento de 20 milhões de euros, a concretizar pelo município em parceria com investidores privados.

    O presidente do município de Alandroal, João Nabais, explicou à agência Lusa que o projecto, além da recuperação da fortaleza, abrange a construção de uma pousada, restaurante panorâmico com instalações para acolher congressos, posto de turismo, lojas e 71 habitações de turismo em espaço rural.

    O investimento, de 20 milhões de euros, a concluir até 2013, é, segundo o autarca, “inédito” a nível nacional.

    “É inédito porque estamos a falar de um património do Estado, que nada fez e se sentiu impotente, ao longo de todos estes anos, para fazer”, aparecendo agora um município, associado a um grupo privado, que o pretende recuperar, disse.

    O presidente do município considerou ainda que o projecto, de “grande dimensão”, é importante para o desenvolvimento económico e social do concelho, permitindo também dar um “salto decisivo para reanimar a vila de Juromenha”.

    “Vai trazer, seguramente, uma outra dinâmica ao concelho e à região”, vaticinou.

    Apostado em colocar Juromenha no mapa, João Nabais espera que o projecto, que tem sido “moroso” e data de 2004, contribua ainda para que “muita gente” visite a localidade.

    Juromenha, “banhada” pelas águas do rio Guadiana e com Espanha do outro lado, a escassos quilómetros da auto-estrada A6, do aeroporto de Badajoz e da futura estação do TGV Caia/Badajoz, deverá apresentar-se como “um dos “importantes destinos do Regolfo de Alqueva”.

    Esperançada em que a sua terra natal ganhe novo fôlego está também Susana Algarvio, de 25 anos, uma das 150 pessoas que ainda moram em Juromenha, a maior parte idosos, depois de a vila ter contado 1.500 habitantes na década de 60.

    “Vai trazer, certamente, muitos turistas, o que vai ser muito bom, e vai dar um bocado de vida a esta terra porque, como tem poucos habitantes e não tem muitas actividades, é uma terra um bocado amorfa”, afirmou.

    O projecto de reabilitação e salvaguarda da fortaleza vai obrigar, segundo João Nabais, à criação de uma empresa municipal de capitais mistos, com 51 por cento de capital do município e 49 por cento de investidores privados.

    Para a concretização do empreendimento, a empresa prevê reunir os meios financeiros, sobretudo, através de fundos da União Europeia, ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

    Em precário estado de conservação, a Fortaleza de Juromenha é propriedade do Estado, que cedeu à autarquia, a título definitivo, a área interior, designada por “Castelo”, com 20.500 metros quadrados, para desenvolver o projecto turístico, beneficiando da recuperação do património.

    Este foi um dos 11 novos projectos turísticos de “excelência” para o distrito de Évora, sobretudo para Alqueva, num volume de investimento de quase dois mil milhões de euros, apresentados em Janeiro deste ano, na vila medieval de Monsaraz, numa cerimónia presidida pelo primeiro-ministro, José Sócrates.

    Segundo a autarquia de Alandroal, este investimento prevê a criação de uma centena de postos de trabalho directos.

    Antecedendo o avanço do projecto, a Câmara Municipal de Alandroal já está a proceder a trabalhos de limpeza da zona adjacente à fortaleza, onde, ao longo dos anos, foram proliferando construções ilegais, sobretudo arrecadações particulares.

    Em simultâneo, a autarquia está a construir um percurso pedonal desde a vila de Juromenha até ao rio Guadiana, baseado num caminho que existe há cerca de quinhentos anos e que aparece na cartografia militar pelo menos há trezentos.

    As primeiras muralhas de Juromenha datam do período da ocupação romana, tendo sido erguidas em 44 antes de Cristo por ordem de Júlio César.

    Em 1167 foi conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques, tendo ocupado um lugar de relevo na defesa da nacionalidade portuguesa.

    Actualmente, a fortaleza da povoação está classificada como Imóvel de Interesse Público.

    A fortificação acolhe no seu interior um conjunto de edificações em estado de ruína, das quais se destacam as igrejas da Misericórdia e Matriz, a cadeia e os antigos paços do concelho.

   
Teodósio Caeiro
    

    Lusa/Tudoben

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