O gaming, a internet e o Alentejo
Os alentejanos também podem ser gamers! Este foi o mote de uma entrevista a dois jovens de Castro Verde para o portal Esports da Geekcase, uma empresa promotora de desportos eletrónicos. Miguel Paulino e Afonso Góis, o “Puto” e o “Góis” como são conhecidos no mundo online, apresentaram-se como jogadores habituais de FIFA e entusiastas do movimento gaming.
Os jovens “gamers” referiram à Geekcase que ainda não jogam nas competições oficiais já existentes (é verdade, a Federação Portuguesa de Futebol já apadrinhou uma competição de e-sports) e aguardam a constituição de uma modalidade na vertente de pares para se lançarem mais a sério. Encaram, de forma bairrista e orgulhosa, a possibilidade de representar o Alentejo nessa competição – ao mais alto nível, portanto.
Quem disse que não há “gamers” no Alentejo?
O papel da internet e a interioridade
A internet aproxima o Alentejo do mundo. Não só através do e-mail ou das redes sociais. São as aplicações de jogos multiplayers, apostas, ou até sites de poker online no Brasil e no resto do mundo que estão ao alcance de todos. Mas é muito mais que isso: é a possibilidade de trocar ideias e referências culturais, acompanhar o que está a ser dito em outros pontos do mundo, formar uma opinião e tomar posição. A velocidade da troca cultural, que já foi revolucionada pela televisão, é agora muito mais acelerada pela internet.
Além disso, a internet permite dar voz a todos – ao contrário da televisão que centraliza a emissão e lhe dava o grande poder que ainda hoje tem, embora diminuído. As mensagens, notícias e referências culturais da televisão seriam inevitavelmente transmitidas a partir dos grandes centros urbanos. A internet veio alterar este panorama, dando uma câmara e um microfone a quem antes não os tinha.
E isto serve para lembrar que, em muitos aspetos, e ao contrário do que acontecia no século XX, hoje não é preciso deixar a aldeia ou a vila ou o próprio Alentejo para se estar em contacto com o mundo e a par das novidades. A noção de interioridade sente-se, certamente, na falta de criação de empregos, ou no investimento do Estado que não é inteiramente suficiente para as necessidades da região. Mas em termos culturais e de mentalidade, já não há motivos para que os alentejanos se sintam, de alguma forma, isolados de tudo o que acontece.
Este aspeto de ligação pode não ser suficiente para o desenvolvimento da região, mas é um elemento extramente importante. Contribui para que seja minimizada a ideia de que sair do Alentejo é a chave para todos os problemas, ajuda a inspirar os jovens a procurar soluções dentro de portas e a ter ideias. Mais do que isso: a ir buscar ideias lá fora e aplicá-las com sucesso às circunstâncias particulares da região.
Quando teremos um “youtuber” alentejano largamente reconhecido?
